sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Partida e Chegada


Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro,

 impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos,

vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará:
“já se foi”.
Terá sumido?
Evaporado?
Não, certamente.
Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou,
 Apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo.
E talvez, no exato instante em que alguém diz:
já se foi”, haverá outras vozes, mais além, a afirmar:
“lá vem o veleiro”.
Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um Amor que nos foi caro, 
e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos:
“já se foi”.
Terá sumido?
Evaporado?
Não, certamente.
Apenas o perdermos de vista.
 O ser que amamos continua o mesmo.
Sua capacidade mental não se perdeu.
Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.
Conserva o mesmo afeto que nutria por nós.
Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita do outro lado.
E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:
já se foi”, no mais além, outro alguém dirá feliz:
“já está chegando”.
Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.
Cada um leva sua carga de vícios e virtudes,
de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se  do que julgar  desnecessário.
A vida e feita de partidas e chegadas.
De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser partida, para outros é chegada.
Um dia partimos do mundo espiritual  na direção do mundo físico;
 noutro partimos daqui para o espiritual, 
num constante ir e vir, 
como viajores da imortalidade que somos todos nós.

 ( Pelo Espírito - Victor Hugo)
Imagem: Takaki
Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar autor e a fonte.
Tudo que criamos para nós,
de que não temos necessidade,
se transforma em angústia,
em depressão...

Chico Xavier

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mágoa

Síndrome alarmante,
 de desequilibro,
a presença da mágoa
 faculta a
fixação de graves enfermidades
 físicas e psíquicas
no organismo
de quem a agasalha.
A mágoa pode
 ser comparada à
ferrugem perniciosa
 que destrói o metal em que se origina.
Normalmente se instala nos
 redutos do amor-próprio
ferido e paulatinamente se
desdobra em seguro processo
enfermiço, que termina por
vitimar o hospedeiro.
De fácil combate,
no início,
pode ser expulsa mediante
a oração singela e nobre,
possuindo, todavia,
o recurso de, em habitando
 os tecidos delicados do
 sentimento, desdobrar-se
em modalidades várias,
para sorrateiramente
apossar-se de todos os
departamentos da emotividade,
engedrando cânceres
morais irreversíveis.
Ao seu lado, instala-se,
quase sempre, a aversão,
que estimulam o ódio,
etapa grave do
 processo destrutivo.
A mágoa, não obstante
desgovernar
aquele que a vitaliza, emite
verdadeiros dardos morbíficos
que atingem outras
vítimas incautas,
aquelas que se fizeram as
causadoras conscientes ou
 não do seu nascimento.
Borra sórdida,
entorpece os canais
 por onde transita
a esperança,
impedindo-lhe
o ministério consolador.
Hábil, disfarça-se,
utilizando-se de
argumentos bem urdidos
para negar-se ao
 perdão ou fugir ao dever
 do esquecimento.
Muitas distonias orgânicas são
 o resultado do veneno da mágoa, que,
gerando altas cargas
tóxicas sobre a maquinaria
mental, produz
desequilíbrio no mecanismo
psíquico com lamentáveis conseqüências
nos aparelhos circulatório,
digestivo, nervoso...
O homem é,
sem dúvida, o que
vitaliza pelo pensamento.
Sua idéias, suas aspirações
constituem o campo
 vibratório no qual transita
 e em cujas fontes se nutre.
Estiolando os ideais e
espalhando infundadas
 suspeitas, a mágoa
consegue isolar o ressentido,
impossibilitando a
cooperação dos socorros
 externos, procedentes
de outras pessoas.
Caça implacavelmente
esses agentes inferiores,
que conspiram contra a tua paz.
O teu ofensor merece
 tua compaixão,
nunca o teu revide.
Aquele que te persegue
sofre desequilíbrios que
 ignoras e não é justo que
te afundes, com ele, no
 fosso da sua animosidade.
Seja qual for a dificuldade
 que te impulsione à mágoa,
 reage, mediante a renovação
de propósitos, não valorizando
ofensas nem
considerando ofensores.
Através do cultivo de
 pensamentos salutares,
pairarás acima das viciações
 mentais que agasalham esses
miasmas mortíferos que,
infelizmente, se alastram pela
 Terra de hoje, pestilenciais,
danosos, aniquiladores.
Incontáveis problemas que
culminam em tragédias quotidianas
 são decorrência da mágoa, que
virulenta se firmou, gerando
o nefando comércio do
sofrimento desnecessário.
Se já registras a modulação
da fé raciocinada nos programas
 da renovação interior,
apura aspirações e não
te aflijas. Instado às
 paisagens inferiores,
ascendo na direção do bem.
Malsinado pela incompreensão,
desculpa.
Ferido nos
melhores brios,
perdoa.
Se meditares na transitoriedade
 do mal e na perenidade do bem,
não terás outra opção, além daquela:
amar e amar sempre, impedindo
que a mágoa estabeleça nas
 fronteiras da tua vida as
balizas da sua província infeliz.
"Quando estiveres orando, se
tiverdes alguma coisa contra
alguém, perdoai-lhe, para que
 vosso Pai que está nos Céus,
 vos perdoe as vossas ofensas".
- Marcos: 11-25.
"Não sou feliz!
A felicidade não foi feita para mim!
exclama geralmente o homem em todas as
 posições sociais. Isto, meus caros
filhos, prova melhor do que
todos os raciocínios possíveis,
 a verdade desta máxima do Eclesiastes:
"A felicidade não é deste mundo".
- Cap.V - Item 20.

Franco, Divaldo P.
 Da obra: Florações Evangélicas.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Imagem: Josephine Wall

A Serpente e o Sábio


Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. Ninguém se aventurava a passar por lá, receando-lhe o assalto. Mas um santo homem, a serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que em si mesmo. A serpente o atacou, desrespeitosa. Ele dominou-a, porém, com o olhar sereno, e falou:
- Minha irmã, é da lei que não façamos mal a ninguém.
A víbora recolheu-se, envergonhada. Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente. Procurou os lugares habitados pelo homem, como desejosa de reparar os antigos crimes. Mostrou-se integralmente pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela. Quando lhe identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças davam-lhe pedradas. A infeliz recolheu-se à toca, desalentada. Vivia aflita, medrosa, desanimada. Eis, porém, que o santo voltou pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la. Espantou-se, observando tamanha ruína. A serpente contou-lhe, então, a história amargurada. Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas peseguiam-na. O sábio pensou, pensou e respondeu após ouví-la:
- Mas, minha irmã, ouve um engano de tua parte. Aconselhei-te a não morderes ninguém, a não praticares o assassínio e a perseguição, mas não te disse que evitasses de assustar os maus. Não ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor. Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso à distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Os Mensageiros.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
FEB, 1944

Se queres a visão mágica
feche teus olhos.
Se desejas um abraço,
abre teu peito.

Rumi
Imagem: Daniel B. Holeman

Quando você souber o que é o amor,
você estará pronto a dar. Quanto mais você o der, mais o terá;
quanto mais você banhar os outros com ele, mais o amor brotarás em seu ser.

Osho
Imagem: Josephine Wall

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pode Acreditar

Falará você na bondade a todo instante, mas, se não for bom, isso será inútil para a sua felicidade.
Sua mão escreverá belas páginas, atendendo a inspiração superior; no entanto, se você não estampar a beleza delas em seu espírito, não passará de estafeta sem inteligência.
Lerá maravilhosos livros, com emoção e lágrimas; todavia, se não aplicar o que você leu, será tão-somente um péssimo registrador.
Cultivará convicções sinceras, em matéria de fé; entretanto, se essas convicções não servirem à sua renovação para o bem, sua mente estará resumida a um cabide de máximas religiosas.
Sua capacidade de orientar disciplinará muita gente, melhorando personalidades; contudo, se você não se disciplinar, a lei o defrontará com o mesmo rigor com que ela se utiliza de você para aprimorar os outros.
Você conhecerá perfeitamente as lições para o caminho e passará, ante os olhos mortais do mundo, à galeria dos heróis e dos santos; mas, se não praticar os bons ensinamentos que conhece, perante as leis Divinas recomeçará sempre o seu trabalho e cada vez mais dificilmente.
Você chamará a Jesus; mestre e senhor...; se não quiser, porém, aprender a servir com ele, suas palavras soarão sem qualquer sentido.

André Luiz
(Mensagem retirada do livro "Agenda Cristã" psicografia de Francisco Cândido Xavier).