"Para quem acredita, nenhuma palavra é necessária; para quem não acredita, nenhuma palavra é possível." Dom Inácio de Loyola
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
A PERDA DO AMIGO DE 4 PATAS
A DIFICULDADE DE LIDARMOS COM A PERDA
DO NOSSO MELHOR AMIGO DE 4 PATAS E A INCAPACIDADE DE ALGUMAS PESSOAS PERCEBEREM
ESTE SENTIMENTO!!
Todos os animais morrem e, devido à
curta esperança média de vida que têm em relação aos humanos, é frequente os
tutores terem de enfrentar a perda de um ou mais animais de estimação.
Por se tratar de um animal, a pessoa
muitas vezes questiona-se sobre se tem direito a fazer o luto.
Os animais de estimação partilham a
nossa vida durante anos.
Contamos com eles para apoio, pois
não criticam nem julgam; para aliviar o stress, pois estão sempre prontos para
a brincadeira; e não há nada melhor do que um afago, depois de um dia que não
correu tão bem.
É por estas razões que os humanos se
apegam aos animais, criando laços profundos de companheirismo.
São âncoras com quem podemos sempre
contar, até ao dia em que por acidente ou por doença deixam de estar entre nós.
SOFRER, OU NÃO SOFRER
Um animal não é uma pessoa, mas é
normal sofrer com a morte de um ser com quem partilhou a vida durante 5, 10 ou
mesmo 20 anos.
Os tutores têm o direito de sofrer
com a morte do seu animal, independentemente da opinião da vizinha, do familiar
ou do colega de trabalho.
Por vezes os tutores de animais de
estimação sentem que não têm “permissão” para chorar abertamente a morte do seu
animal, seja porque o valor do seu animal é depreciado por outros, ou seja
porque os outros nunca passaram por essa situação.
O mais importante é saber que não
precisa da autorização de alguém para poder chorar o seu animal.
Procure pessoas que estejam a passar
pela mesma situação e desabafe. Em casa, não se iniba de falar e chorar em
frente a outros adultos.
Ninguém lhe pode dizer ao certo
durante quanto tempo se sentirá triste, pois o processo de aceitação depende de
cada um.
Existem contudo cinco etapas ligadas
à perda de um ente querido:
Negação, choque, isolamento
Geralmente ocorre quando o animal
ainda está vivo, mas encontra-se já em fase terminal.
Os tutores têm dificuldade em aceitar
a morte do animal e evoluem para um estado de choque quando a morte
efetivamente ocorre.
Sentem-se fora da realidade e não
conseguem perceber que o animal já não está efetivamente entre nós.
RAIVA
Assim que se apercebem da realidade,
os donos sentem-se zangados e disparam sentimentos de raiva em várias direções.
Pode-se sentir traído pelo próprio
animal, que o abandonou, pelos membros do resto da família, que não expressam
os sentimentos da mesma forma, pela sociedade, pelo veterinário e até mesmo por
Deus.
Apesar de racionalmente a raiva
indiscriminada não ter lógica, emocionalmente os donos não conseguem deixar de
se sentirem zangados.
CULPA
A culpa é frequente nos casos em que
um ente querido falece.
Começamos a supor tudo e mais alguma
coisa:
“E se tivéssemos consultado mais
opiniões profissionais”;
“E se lhe tivesse dado mais atenção”
etc.
Quando se trata de um animal de
estimação, a culpa é recorrente, pois o dono é responsável por ele e é ele quem
toma todas as decisões que influenciam de forma determinante a vida do animal.
Assim, o tutor sente-se também
responsável pela sua morte.
Também muito comum é o sentimento “Se
eu tivesse passado mais tempo com ele” ou pactos secretos como “Se eu fizer
isto, o meu animal volta para mim”.
Os casos em que a decisão de
eutanásia foi colocada, independentemente de ter sido ou não aceite, gera um
sentimento de culpa no dono que se questiona se terá agido da melhor forma,
quer por ter terminado o sofrimento do animal, quer por ter insistido no
tratamento.
DEPRESSÃO
É natural ficar triste quando morre
um ente querido, mas a depressão é um estado psicológico que deve ser
acompanhado por um médico.
Muitas vezes esta fase caracteriza-se
apenas por momentos de tristeza, que não chegam a tornar-se depressões.
Esta fase pode terminar quando
sentimos que há outros que partilham a nossa dor.
RECUPERAÇÃO
A recuperação é pautada pela
aceitação da morte como algo que aconteceu e sobre o qual não temos poder de
alterar.
Implica encarar a vida tal como ela é
e seguir vivendo.
Não é uma altura de sorrisos ou
momentos felizes, é antes marcada pelo regresso da calma e paz.
Estas fases podem não se suceder e o
dono pode saltitar entre estes estados de alma.
Pode inclusive não experienciar todas
as etapas.
Momentos pontuais podem atirar o dono
em recuperação para uma destas fases novamente, tais como o aniversário do
animal de estimação ou outras mortes, por exemplo.
O processo de luto difere de
indivíduo para indivíduo, daí que a recuperação tenha de partir da própria
pessoa e não de forças externas.
RECORDAÇÕES
Seguir em frente não implica esquecer
o seu animal.
Por vezes, “arrumar as ideias” ajuda
a ultrapassar esta fase.
Pode fazer um álbum de fotografias
para guardar ou enterrar no jardim, numa espécie de funeral simbólico, já que a
maioria dos animais são cremados.
Com isso pode fazer um memorial ao
animal. Muitos donos optam por plantar árvores a quem atribuem o símbolo do
animal.
Para dar um tom mais positivo num
momento triste, pode doar algum dinheiro a instituições de recolha de animais,
apadrinhar um animal ou qualquer outra coisa que faça sentido para si.
Geralmente fazer algo de positivo
para a comunidade faz com que as pessoas se sintam melhor com elas próprias.
ULTRAPASSAR
O tempo é o melhor remédio e cura
tudo.
Se der tempo ao tempo, a dor sossega
e vai progressivamente recordando os bons momentos e não a morte.
Com tempo, os donos começam a rir
quando se lembram das traquinices dos animais, daquela vez em que ele roeu o
sapato, que o fez tropeçar na rua, etc.
NOVO ANIMAL
Os animais são insubstituíveis, mas
assim que chegar à fase de recuperação pode pensar em ter um novo animal
novamente.
Os animais fazem-nos rir e as suas
exigências obrigam-nos a não desistir. Mas não se precipite.
Toda a família deve querer um novo
membro e este não deve ser visto como substituto mas como um animal
independente!
É um infeliz engano pensar que
memoriais para animais de estimação sejam só para crianças.
Pelos mesmos motivos pelos quais
guardamos a memória de nossos parentes quando eles falecem, um memorial para o
seu animal de estimação é um passo importante no processo de luto.
Quer você o enterre ou guarde as suas
cinzas numa urna, reservar tempo para memorizar o seu amado animalzinho com a
família ou amigos ajudará a enfrentar a perda.
MANTENHA UM DIÁRIO
Muitas pessoas não se sentem à
vontade comunicando verbalmente suas emoções ou demonstrando-as para outros de
qualquer forma.
Mantenha um diário onde você possa
explorar e chegar a termos com seus sentimentos de luto, através da palavra
escrita.
Tente ver além do momento da morte.
Muitas pessoas, especialmente logo no
início do processo do luto, têm dificuldades em lembrar-se do seu companheiro
sem revisitar constantemente o momento da sua morte.
Embora você não deva negar a morte,
também deveria fazer um esforço para lembrar-se dos bons momentos – aqueles que
fizeram você sorrir, os momentos bobos e os de bagunça, também.
Lembre-se da alegria que você e seu
animal de estimação sentiam na presença um do outro.
AJUDANDO AS CRIANÇAS
Para as crianças, a perda de um
animal de estimação é muitas vezes o que lhes traz o primeiro sentimento de
perda permanente.
Todos nós sabemos que a experiência
não atenua a dor da perda, e também é verdade que as crianças terão alguns dos
mesmos sentimentos dos adultos.
Mas a perda é sentida diferentemente
por crianças menores; é muito provável que elas se sintam confusas ou com raiva
(dos pais, do veterinário ou de si mesmas).
É melhor, no entanto, não se apoiar
numa mentira bem-intencionada como “a Margarida fugiu de casa” ou “o Tigre foi
embora para viver numa fazenda”.
Estas explicações podem magoar e
confundir ainda mais o seu filho, enquanto a criança tenta descobrir se o
bichinho optou por abandoná-la ou foi forçado a ir embora.
Por fim, seu filho pode encher-se de
uma esperança não-realista, insistindo em que o seu amado bichinho voltará para
casa.
Embora vá ser difícil, você não deve
esconder o fato de que o seu bichinho morreu.
Ensine os seus filhos sobre esta
parte natural da vida.
A MORTE DO ANIMAL DE ESTIMAÇÃO E AS
CRIANÇAS
Muitas pessoas não percebem como a
morte pode ser traumática e confusa para uma criança.
As crianças tendem a ficar enlutadas
por um período mais curto, mas a sua dor não é menos intensa.
Crianças também tendem a voltar ao
assunto com mais frequência, então é necessária muita paciência quando se lida
com uma criança enlutada.
Algumas dicas importantes para ajudar
uma criança nessa situação incluem:
1. Dar à criança permissão de lidar
com a sua dor.
- contar ao professor sobre a morte
do animal.
- encorajar a criança a falar
livremente sobre o animal.
- dar à criança muito carinho e
conforto.
- discutir a morte, o morrer e a dor
honestamente.
2. NUNCA dizer coisas como “Deus
levou o seu bichinho,” ou o animal “dormiu para sempre.”
- porque a criança pode temer que
Deus vá levá-la, aos seus pais ou aos seus irmãos.
- porque a criança pode ficar com
medo de ir dormir.
3. Inclua a criança em tudo o que se
passa.
4. Explique que a morte é permanente.
OS IDOSOS ENFRENTANDO A PERDA
Quando os idosos têm de lidar com o
luto, podem encontrar bem mais dificuldade.
Muitos idosos moram com seus
bichinhos de estimação, alguns com a consciência de que jamais poderão ter
outro bichinho, responsavelmente.
Um sentimento de solidão inescapável
pode seguir a perda do bichinho.
Juntamente com este sentimento, a
inevitabilidade da morte pode começar a pesar bastante sobre os idosos
propriamente ditos.
É vitalmente importante não se
entregar ao desespero; mais uma vez, você não está sozinho.
Ninguém, independentemente da idade,
pode jamais substituir um bichinho de estimação que se foi.
Lembre-se de todos os diversos
recursos disponíveis para você – de atendimentos telefônicos a grupos e fóruns online.
Você pode formar uma rede de amor e
apoio na família e entre os amigos; talvez você não possa esperar vir a ter
algum outro animal de estimação, mas é muito provável que estas pessoas tenham
também os seus – que precisarão de alguém que cuide deles, de tempos em tempos.
Você pode ser voluntário em ONGs de
proteção e defesa dos animais ou no CCZ da sua cidade.
No momento em que um capítulo da sua
vida se encerra, um novo capítulo se inicia, pleno de novas oportunidades para
compartilhar o seu amor pela família, amigos, animais e pela vida.
O luto é provavelmente a sensação
mais confusa, frustrante e emocional que uma pessoa pode sentir.
É ainda mais para os tutores de
animais. A sociedade em geral não dá a essas pessoas “permissão” para
demonstrar a sua dor abertamente.
Dessa forma, os tutores
frequentemente se sentem isolados e sozinhos.
Felizmente mais e mais recursos ficam
disponíveis para ajudar essas pessoas a perceber que elas NÃO estão sozinhas e
que o que elas sentem é completamente normal.
O HOSPITAL ESPIRITUAL DO MUNDO agradece os irmãos dos
SITE GATO VERDE pelo artigo que iluminou este espaço de aprendizagem e
encontros Sagrados.
Se deseja compartilhar e divulgar estas informações,
reproduza a integralidade do texto e cite o autor e a fonte. Obrigada. Hospital
Espiritual do Mundo.
NOTA.: As imagens usadas neste site foram tiradas da
net sem autoria das mesmas. Caso alguém conheça o autor das imagens,
agradeceremos se nos for comunicado, para que possamos conferir os devidos
créditos. Grata, Esperança.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
IMPRESSÕES DIGITAIS PROVAM A REENCARNAÇÃO...
No Paraná o delegado de Policia João Fiorini perito em identificação realiza pesquisas de ponta sobre vidas passadas
"Mamãe, eu morri num rio...." a frase dita a alguns anos por Felipe (nome adotado para este relato) ao passar sobre uma ponte, chocou sua mãe, que aqui chamaremos de Amélia. O menino, que desde muito cedo manifestava um grande medo do mar, tinha na ocasião apenas dois anos de idade e a família morava em Santos, litoral de São Paulo. Hoje, Felipe tem treze anos e mora com a família na cidade paulista de Jarinu. Já não se lembra mais dos detalhes da estória que contava aos atônitos pais : a de que havia vivido em Campos de Jordão, que se chamava na ocasião Augusto Ferreiro, que mexia com ferragens e cavalos e que havia morrido num acidente em que um automóvel Gol cor de vinho caberá num rio. Quando pequeno, o menino contava ainda detalhes da cidade serrana que não poderia conhecer – como o clima frio e a grande quantidade de flores azuis (hortênsias) nas ruas – já que a sua família atual jamais estivera ali.
O tempo passou e a família de Felipe nunca teve oportunidade de verificar a veracidade da estória. Até que, em dezembro passado, ao assistir ao programa "Espiritismo Via Satélite", hoje "Visão Espirita", no canal executivo da Embratel, dona Amélia conheceu o entrevistado daquele domingo, Dr. João Alberto Fiorini de Oliveira, delegado titular do Serviço de Registros Policiais para Investigações em Curitiba - Paraná. E quando soube que ele realiza pesquisas de casos de reencarnação, utilizando-se de técnicas avançadas de investigação, não teve duvidas: mandou um fax contando sua estória e pedindo o auxilio do perito.
O Dr. Fiorini interessou-se pelo caso e saiu a campo para investigar. Foi a campos de Jordão na semana do Natal de 2000 e, depois de muito procurar por pistas do tal Augusto Ferreiro – individuo que Felipe dizia ter sido em encarnação anterior – não logrou êxito. Consultou registros na Prefeitura , delegacia, cemitério, hospitais... e nada . Nenhum sinal daquele senhor. Até que, passando próximo ao teleférico num ponto de charretes (que em Campos de Jordão desempenham a função de táxi), decidiu parar e indagar aos carreteiros mais idosos.
- "Perguntei a um deles, chamado seu Antônio, se havia conhecido um tal de Augusto Ferreiro. Ele respondeu:" - conheço !, conta Fiorini. "Fiquei perplexo". Tudo indicava, portanto, tratar-se de um caso de paranormalidade, mas não de reencarnação já que Augusto Ferreiro continuava vivo. Fiorini, então, telefonou para a mãe de Felipe e relatou-lhe o fato. Ela por sua vez, contou a estória ao seu filho, que teve uma reação inusitada: entrou em um estado de profunda agitação, quase de pânico, ao se lembrar do verdadeiro Augusto Ferreiro.
Diante disso, Fiorini decidiu ir à procura desse personagem que, nesta altura dos acontecimentos, era a única pessoa capaz de decifrar o enigma. Voltou, então, ao ponto de charretes e, retomados os contatos, foi levado a residência daquele senhor.
Ali, numa casa simples, distante sete quilômetros do teleférico, Fiorini encontrou um ancião de 80 anos que o atendeu com cortesia, mas bastante desconfiado. Soube, então, que Augusto Ferreiro era um apelido. Sue nome verdadeiro é José Chagas, embora ninguém o conheça como tal, ganhara o apelido de Augusto ainda bebê, quando uma outra criança que havia nascido no mesmo dia que ele – esta sim chamada de Augusto – falecera dois dias depois. O "sobrenome" Ferreiro só veio muito mais tarde, quando passou a trabalhar com charretes, metais, ferraduras.... Feitas as apresentações, travou-se o seguinte dialogo:
Eu trouxe aqui um documento – principiou Fiorini, entregando-lhe o fax que a mãe de Felipe lhe havia enviado com o relato da historia - e gostaria que o senhor o visse e me desse algumas informações.
Augusto Ferreiro dispôs-se a colaborar.
Esse menino – prosseguiu o delegado – esta dizendo que é o senhor. É claro que está enganado ! Mas existe alguém na sua família que morreu afogado num rio ?
Não, foi a resposta categórica – não existe.
Bem, então como explica que um menino que nunca ouviu falar do senhor saiba seu nome, a cidade onde mora e como é essa cidade, mesmo nunca tendo estado aqui ?
Eu não sei – respondeu, sincero, o distinto senhor - Eu não sei nada sobre esse assunto- finalizou .
Fiorini agradeceu e se despediu, frustrado. Mas, a perplexidade não havia sido só dele, soube-o mais tarde . Naquele dia, o velho Augusto Ferreiro não consegui conciliar o sono. Disse, posteriormente, que custou a dormir e, quando pegou no sono, sonhou com um neto seu, Fernando, que ele não via há quase quinze anos. Fernando era filho de uma de suas filhas, Cidinha, que morava em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. O que intrigou o senhor Augusto foi o fato de que o menino, no sonho, só lhe aparecia de costas. E, segundo ele, quando uma pessoa aparecia de costas - num sonho - era porque essa pessoa estava morta.
No dia seguinte, Augusto Ferreiro reuniu os filhos e contou-lhes a estória toda: o aparecimento em sua casa, na véspera, de um sujeito estranho contando uma estória igualmente estranha, de um menino que dizia ser ele e que havia morrido afogado. Depois, emendou o relato do impressionante sonho que tivera com Fernando, que há muito tempo não via, e perguntando-lhes se estavam escondendo algo sobre o neto.
Os filhos ficaram horrorizados. Entre confusos e encabulados, contaram ao pai que seu neto, Fernando, realmente havia falecido há vários anos - afogado - no rio do Boi, em Ubatuba, dragado por um tubo, ao cair de uma ponte que o próprio Augusto havia ajudado a construir. Na ocasião, a família deliberou esconder o fato do avô, para que ele não sofresse. Sim, era verdade, disseram-lhe os filhos, Fernando não estava mais entre eles.
Foi uma comoção geral e Augusto Ferreiro decidiu procurar o estranho que lhe visitara na véspera para contar-lhe o ocorrido. Mas, onde encontra-lo ? Decidiu, então, dirigir-se ao ponto de charretes e deixar recado para Fiorini procurá-lo, caso ele voltasse a passar por ali.
E foi o que ocorreu. No dia de Natal, Fiorini - que havia feito amigos entre os charreteiros - voltou para presenteá-los com panetones e vinhos. Foi quando recebeu o recado de Augusto Ferreiro e voltou a procurá-lo, ouvindo de sua boca a estória toda:
Há quinze anos, minha filha Cidinha teve um problema de tuberculose e eu fui buscá-la para fazer tratamento aqui em Campos. Ela veio e trouxe o filho, Fernando, que ficou comigo durante o período em que ela se tratava . Na época, um outro filho meu tinha um carro Gol cor-de-vinho e eles passeavam bastante pela cidade; só que esse carro não caiu no rio, não; foi destruído, tempos depois, num incêndio. Eu fazia carrinhos e brinquedos de boi para Fernando, que se afeiçoou bastante a mim, e eu a ele. Foi nessa época que ele conheceu o frio e as flores da cidade. Quando a mãe melhorou, voltaram para Ubatuba e, depois disso, eu nunca mais vi Fernando. Meus filhos contaram, agora, que pouco tempo depois de voltar para casa, meu neto - brincando num rio - foi dragado por um tubo, debaixo de uma ponte que eu ajudei a construir e morreu afogado. Eles esconderam essa estória de mim e só agora eu soube de tudo.
Mesmas digitais
A estória de Felipe, aparentemente, termina aqui. Fiorini gostaria de ter as impressões digitais de Fernando, o neto de Augusto Ferreiro, mas isso não será possível. Fernando faleceu aos seis anos de idade. Dois anos mais tarde, reencarnou em Santos, onde recebeu o nome de Felipe. Se fosse possível confrontar as digitais das duas crianças... Fiorini está convencido de que elas seriam idênticas. E esta seria a prova definitiva da realidade da reencarnação.
Essa, alias, é a polemica tese do Dr. João Fiorini : a de que carregamos as mesmas impressões digitais de uma encarnação à outra quando o intercurso – tempo decorrido entre uma encarnação e a seguinte – é relativamente curto.
Sabe-se que não existem dois seres humanos com as mesmas impressões digitais. Fiorini cita os estudos do medico Almeida Jr., já falecido, que foi professor de Direito da Faculdade do largo São Francisco, em São Paulo , e de Medicina Forense da Escola Paulista de Medicina. De acordo com esses estudos, numa relação sexual existem cerca de dezessete milhões de espermatozóides se debatendo para fecundar um dos óvulos da mulher. Isso resulta na espantosa cifra de possibilidades de combinações diferentes. Daí a improbabilidade de duas pessoas terem as mesmas digitais.
Não obstante, lembra Fiorini, existe - nos Estados Unidos - um serviço centralizado de cadastramento de pessoas com cinqüenta milhões de indivíduos registrados, todos com suas digitais. Pois bem, sempre que ocorre uma repetição de digitais, uma das pessoas envolvidas no episodio já faleceu. Jamais a digital se repete entre pessoas vivas. Como os americanos, de maneira geral, não acreditam na reencarnação, tudo para eles não passa de uma fortuita coincidência.
Segundo Fiorini, quando o período entre as encarnações é longo, as digitais acabam por sofrer a influência genética dos pais do reencarnado. Mas, se a reencarnação ocorre pouco tempo depois de desencarne anterior, a possibilidade de o períspírito manter as digitais inalteradas é bastante acentuada.
Neto de si mesmo
Entre os casos que estão sendo pesquisados pelo perito, está o de uma criança de Maceió, Alagoas, que segundo a família seria a reencarnação do próprio avô.
Também, neste caso, as evidências são significativas. A estória é a seguinte: um advogado de 80 anos de idade faleceu e, em sonhos de vários familiares, avisou que retornaria como seu próprio neto. Ocorre que esse advogado, quando tinha dezoito anos, sofreu um acidente durante uma caçada quando a espingarda que utilizava disparou por acaso e diversos chumbos alojaram-se em sua mão direita. Todos os chumbos foram removidos, menos um, que se instalara na junta do polegar direito; o que resultou numa deformidade local: seu dedo ficou torto puxando para a palma da mão.
O advogado faleceu em 1977 e depois dos avisos em sonho - de que voltaria - em 1999 nasceu seu neto, hoje com três anos de idade. Atualmente, a criança começa a apresentar o mesmo defeito de que seu avô era portador no polegar da mão direita. A família enviou para o Dr. Fiorini as impressões digitais do menino, tiradas rudimentarmente com batom, e xerox de um documento do advogado com sua digital. Numa analise preliminar, Fiorini – que é especialista em identificação – encontrou algumas semelhanças intrigantes, mas como a digital que existe no documento do advogado é aparentemente o polegar esquerdo – talvez devido à sua deformidade na mão direita – os sinais correspondentes na impressão digital da criança estão "espelhados", já que foi tirada da mão direita. Agora, Fiorini aguarda novas impressões digitais do menino, tiradas com maior técnica, para verificar se há - realmente - as tais correspondências.
Lembranças da guerra
Na cidade paulista de Riberão Preto, um outro caso curioso esta sendo investigado pelo delegado Fiorini. O menino Geraldo, (nome fictício) quando tinha apenas três anos e quatro meses de idade, voltou-se para sua avó e disse "Vó, quando eu era grande e você era pequenininha, eu era seu pai"... A frase, dita assim de supetão, deixou a pobre senhora abismada.
Hoje, Geraldo tem oito anos e, nesse período, muitas outras revelações sobre supostas vidas passadas foram feitas por ele, como a de que algumas das marcas de nascença que carrega no corpo são resultado de tiros que teria levado em outras vidas.
Ele vive tendo pesadelos, sempre relativos a guerra – diz Fiorini que, após investigações, descobriu que o bisavô de Geraldo, efetivamente, participou de uma luta armada, a Revolução Constitucionalista de 1932, quando levou um tiro na perna.
Geraldo traz uma marca de nascença na parte posterior da perna esquerda e outras quatro marcas semelhantes às de tiros; duas menores, como se os projéteis tivessem entrado por ali e, duas maiores, como se marcassem a saída dos disparos. Essas marcas maiores estão posicionadas na parte oposta da perna e em diagonal.
Uma informação dada pelo garoto, no entanto, parece não fazer muito sentido. Ele fala da sua participação numa guerra em 1968. Ora, a única guerra que acontecia naquela época, que se saiba, era a do Vietnã. Fiorini levanta uma hipótese:
Supostamente, ele teria sido um norte-americano nessa encarnação. Como o bisavô de Geraldo morreu em 1950 e a guerra do Vietnã aconteceu em 1968, portanto dezoito anos depois, é possível que Geraldo, realmente, tenha participado dela, já que a idade para alistamento militar nos Estados Unidos é de dezesseis anos. Nesse caso, essa seria uma encarnação intermediária entre a de Geraldo e de seu bisavô.
Analisando as digitais de Geraldo, de sua avó e de seu tio, Fiorini chegou a uma coincidência no tipo de "arco" dos dedos médio e indicador da mão esquerda de todos. Mas, para concluir a pesquisa, Fiorini precisa comparar as digitais do menino com as de seu bisavô. Em quanto isso não ocorre – as buscas estão em andamento - a expectativa permanece.
Divisor das águas
Além destes casos, Fiorini investiga outros igualmente intrigantes, como por exemplo, um que lhe chegou ao conhecimento por meio do conferencista espirita Henrique Rodrigues, de Belo Horizonte. É a estória de um sujeito Italiano chamado Giuliano Bonomi que, certa feita, procurou um pesquisador também Italiano, o professor Rancanelli, para lhe dizer que seu nome verdadeiro era Edward Schimit, que era um cidadão americano e que "durante um combate", entre 1939 e 1945, "dormiu" e depois "acordou" pequenino, numa casa Italiana, onde recebeu o nome com que agora era conhecido". Bonomi forneceu a Rancanelli os nomes dos atuais pais Italianos e dos pais americanos. O professor, que era católico e não acreditava em reencarnação, apenas anotou os dados numa ficha e anexou os retratos dos dois personagens: o italiano e o de sua suposta personalidade anterior, o americano.
Bonomi nasceu em Consenza, ao sul da Itália, em 1972. de posse dessas informações, Fiorini pretende dirigir-se aos dois paises, Itália e Estados Unidos, para pesquisar "in loco" este caso.
Com a documentação dos casos que já investigou e com as que se encontram em andamento, o delegado João Fiorini pretende escrever um livro que, acredita, será um divisor de águas na historia das pesquisas científicas de identificações. A comprovação documental da reencarnação, sem duvida, dará em salto qualitativo não só na investigação policial, como também – e principalmente – em outras áreas do conhecimento científico com ênfase para a Medicina e a Psicologia.
POR.: REINALDO ANDRADE
Fonte (CLIK AQUI): ESPÍRIT NET
O HOSPITAL ESPIRITUAL DO MUNDO agradece os irmãos DO SITE ESPIRITUALIDADE E SOCIEDADE pelo artigo que iluminou este espaço de aprendizagem e encontros Sagrados.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
AMOR E ÓDIO
Uma pessoa relativamente inteligente, e com uma boa dose de bom senso, deve perguntar a si mesma antes de tomar uma atitude: O que posso ganhar com isso? Depois de obter uma resposta honesta e franca para essa questão, entra-se em ação. Se houver mais vantagem do que desvantagem na proposta, fazemos o que desejamos, entretanto, se ocorrer o contrário, devemos abandonar o projeto para buscar outra coisa. Assim, diante dessa passagem evangélica, podemos nos perguntar: O que posso ganhar odiando as pessoas ou fazendo inimigos? Vou tomar a liberdade de responder o que uma pessoa consegue no exercício do ódio através das palavras do Espírito Joanna de Ângelis, pela mediunidade de Divaldo Pereira Franco:
“Toda vez que a raiva é submetida à pressão e não digerida, produz danos no organismo físico e no emocional. No físico, mediante distúrbios do sistema vago-simpático, tais como: indigestão, diarréia, acidez, disritmia, inapetência ou glutonaria – como autopunição – etc. No emocional, nervosismo, amargura, ansiedade, depressão”.
“Muitas raivas que são ingeridas a contragosto e não eliminadas desde a infância, em razão de métodos castradores da educação, ou agressividade do grupo social, ou necessidades socioeconômicas, podem desencadear tumores malignos e outros de graves efeitos no organismo, alterando a conduta por completo”. (Autodescobrimento. Uma Busca Interior. Conteúdos Perturbadores. A Raiva).
Em outras palavras, se deixarmos que o ódio, em qualquer de suas formas, penetre em nossa vida, o resultado é o sofrimento. O ódio apresenta muitas faces, usa muitas máscaras, e a primeira delas é o desprezo. Essa é a forma mais comum, mais simples e, aparentemente, a mais inofensiva do ódio. O desprezo começa com a idéia de que o objeto de nosso ódio (pessoa ou não) não merece nossa atenção, nossa preocupação e muito menos nossa cólera. Então fechamos o coração, pois um ser tão pequeno e desprezível não é digno nem mesmo de um olhar de nossa parte. Convencidos de nossa superioridade, passamos a diminuir a importância daquela pessoa, se a encontramos na rua, desviamos como se fosse alguém impuro ou portador de um mal contagioso.
Esse tipo de comportamento, à medida que cresce e toma força, vai além da pessoa desprezada por quem passamos a ter um sentimento ainda menor: a inveja. Assim, ignoramos as suas conquistas, o seu modo de viver ou de ser; se ela comprou um carro novo, chegamos até a desejar que se acabe em um acidente. Segue-se aqui aquela máxima sobre a inveja: “Dói mais ao invejoso o sucesso do outro do que seu próprio fracasso”.
Um outro sentimento provocado pelo ódio é a vingança. Quem odeia, às vezes, acredita que o ser odiado fez-lhe um grande mal, que pode não ser imaginário, mas real; como o patrão que despede o empregado; o professor que reprova o aluno; um amigo que engana o outro; a jovem ou o jovem que perde o (a) namorado (a) para outra pessoa; e, em casos mais extremos, o assassinato de um ente querido. Nesse momento, a pessoa julga-se com direito de provocar no outro um dano proporcional ao que acredita ter sofrido e vive o sentimento anticristão do olho por olho, dente por dente. Em verdade, o vingador não se vinga da ferida provocada nele ou em alguém que ele pensa amar, mas da ferida em seu amor-próprio. O vingador sente-se humilhado, menor, descompensado, e acredita que vingando-se devolverá ao seu ego a auto-estima perdida. O mesmo se dá com a necessidade de vingança que o marido traído tem contra a mulher adúltera. Esse último caso é disfarçado com o nome de sentimento de honra.
Muitas vezes, a pessoa ofendida não pode atingir aquele que a ofendeu. Caso o ofendido tenha uma mentalidade mais primitiva, o ódio poderá ser dirigido contra seu rival através de ações verbais, e o sentimento de hostilidade se transforma em pragas, maldiçoes e, paradoxalmente, a pessoa que se deseja atingir com a maldição não será atingida porque há uma justiça divina que está ao lado dela e que, automaticamente, ferirá a outra pessoa. Eu mesmo já ouvi frases como: “Se existe um Deus no céu”, fulano “há de pagar pelo que me fez”.
Essas pessoas parecem ignorar que Deus é amor e jamais atenderia a um pedido de vingança, não importa o motivo.
Esse tipo de pessoa, com suas pragas contra o odiado, e com o poder de sua imaginação, passa a lançar em torno de si uma escura e pesada rede mental, na qual constrói a sua vingança imaginária. “Vê” a outra pessoa morta ou muito doente, abandonada pelo seu amor, coberta de farrapos, esmolando pelas ruas. Nesse momento, sem saber, quem odeia atrai para si a companhia de espíritos desencarnados e trevosos que se afinizam com os sentimentos do encarnado, e como moscas-varejeiras voam sobre ele, impedindo que seus pensamentos alcem vôo em busca dos planos maiores. Daí a loucura, muitas vezes, basta um passo.
Depois dessas considerações introdutórias, vamos ao texto do Evangelho de Mateus. Jesus começa dizendo: “Tendes ouvido dizer que deveis amar o vosso próximo e odiar o vosso inimigo”. Com essas palavras, Jesus quer dizer que existe um discurso tradicional que relaciona amigo e amor inimigo e ódio. Em seguida, ele coloca a palavra “porém” (conjunção coordenada adversativa) que introduz uma oração de sentido contrário à anterior, e dá uma segunda regra sobre amar até mesmo o inimigo: “Amai o vosso inimigo e orai pelos que vos perseguem”. Com isso, Jesus altera a relação antiga para: amigo e amor e inimigo e amor, eliminando o ódio por completo.
A questão, do ponto de vista de Jesus, é tão séria que ele chega a dizer: “Aquele que não conseguir banir o ódio de sua vida não pode ser considerado filho de Deus”. Se o cristão consegue isso, ele se torna diferente do gentio e do publicano, em outras palavras, ele se torna uma pessoa de qualidade que se pode traduzir, em linguagem evangélica, por uma pessoa justa. Por esse motivo, Jesus está muito ocupado em nos dar a oportunidade de refletir sobre a inimizade. Ele chega a dizer em Mateus, V: 24: “Antes de oferecerdes a vossa oferenda ao Templo, correi e reconciliai-vos como o vosso inimigo”. Ou seja, não adianta, ensina Jesus, irmos aos cultos evangélicos, às missas católicas, às reuniões espíritas, aos terreiros de Umbanda, a fim de cumprir as nossas obrigações religiosas, se o nosso coração está tomado por sentimentos menores e hostis contra um irmão. Quando fazemos isso, realizamos um tipo de culto externo que muito pouco valor terá para o nosso progresso espiritual. Deus é amor, e não se pode comparecer perante o amor com o coração manchado de ódio.
A esta altura podemos nos perguntar: O que se pode fazer, do ponto de vista prático, para minimizar ou mesmo eliminar os sentimentos hostis? Acreditamos poder tomar algumas atitudes que, dependendo do compromisso que temos com as mudanças, podem ser bastante úteis.
1. Não feche questão sobre os seus sentimentos.
Não siga a frase impeditiva do crescimento: “Eu sou assim, assim mesmo que eu sou”. Procure refletir sobre o seguinte: nós nada somos, apenas estamos. Quando utilizo o verbo ser, estou me servindo de uma palavra de essência e é muito difícil, difícil mesmo, mudar em nós aquilo que é essencial. Quando uso o verbo estar, emprego uma palavra que exprime circunstãncia. O professor Eduardo Portela, cerra vez, foi questionado sobre a sua posição de ministro. Ele comentou, dizendo: “Eu não sou ministro, estou ministro”. Com essa frase, ele queria dizer que o ministério era um “acidente” e não fazia parte de sua essência e, portanto, poderia abrir mão do cargo sem maiores dificuldades.
Se considerarmos esse modo de ver, estaremos sempre mais propensos às mudanças. Odiar, portanto, não faz parte de nossa essência. O ódio é uma atitude mental na qual me encontro temporariamente e nela não preciso continuar. Estar aberto às mudanças é o primeiro passo para abandonar rancores e ódios. Troque a frase: “Não gosto dele (ou dela) e acabou” por: “Não gosto dele (ou dela), mas estou disposto a rever minha posição”.
2. Reveja as causas de seu ódio.
Procure examinar com cuidado os motivos por que você não gosta de uma determinada pessoa, raça ou instituição.
Muitas vezes, nos aborrecemos com uma pessoa por futilidades, como:
Ela é uma pessoa “do contra”, se opõe sempre a tudo que falo. Se eu digo: é pedra, ela diz: é pau.
Se não gosto de uma pessoa por causa disso, preciso rever os meus conceitos de democracia. A democracia é a habilidade de conviver com as diferenças. Não posso esperar que uma pessoa pense sempre como eu ou concorde sempre com as minhas idéias, a não ser que me imagine dono da verdade. Somos espíritos muito diferentes uns dos outros, e cada um de nós é resultado de muitas experiências ao longo de várias vidas. Assim, por que ficarmos irritados se um companheiro discorda de nós? Isso é um direito dele. Deixe-o com os seus pontos de vista e sigamos o caminho que escolhemos. O tempo dirá quem estava certo.
Tomei raiva daquela pessoa quando soube que falou mal de mim.
Embora bastante corriqueiro em nosso dia-a-dia, esse é o motivo mais fútil para se indispor com alguém. É necessário ser muito frágil para acreditar em fofoca, em diz-que-diz. Muitas pessoas, ao ouvir que um amigo ou conhecido falou mal a seu respeito, ficam indignadas e fecham o coração para o suposto ofensor. Não se preocupam com os motivos do “fofoqueiro” e nem querem saber se o que disse (se é que disse) não poderia ser uma advertência que não foi feita diretamente por medo de magoar.
Imaginemos que alguém conte a você que ouviu uma amiga sua dizer: “A fulana não está educando bem a filha. Ontem vi a menina com umas pessoas estranhas, fumando”... Não responda a essa informação com frases como: “Por que ela não se mete com a própria vida? Da minha filha cuido eu”. Não seria melhor averiguar se essa informação procede? Será que a amiga, em vez de uma crítica, fez uma advertência? Não seria mais interessante procurá-la, agradecê-la por seu interesse e pedir-lhe mais informações? Situações como essas são muito comuns, mas as pessoas ficam magoadas quando deveriam ficar agradecidas.
Fulana (ou fulano) não me convidou para a festa na sai casa.
Qual é o problema? Há um fato concreto: não fui convidada(o) para uma festa e isso me magoou. É lamentável que você se magoe por tão pouco. Surpreender-se com esse comportamento é normal, porém, magoar-se não é aceitável. Frente a um fato como esse, não dê asas à sua imaginação, buscando os motivos por que você não foi convidada(o), motivos imaginários, pois os verdadeiros estão vedados a você. Espere que a pessoa, em outro momento, lhe dê uma explicação, e é bem provável que ela o faça. Aceite-a, mesmo que lhe soe uma simples desculpa.
Não se aborreça, não busque desforra, não faça cara feia, isso só provará a sua fragilidade emocional.
Fulano (a) criticou o meu trabalho.
Será que o seu trabalho não merece críticas? Só os trabalhos perfeitos estão ao abrigo de críticas, e a perfeição é um ideal que devemos buscar, mas ainda é apenas um ideal. Não pedi a opinião dele, certo? Poderá você dizer. Mas ele não precisa pedir a sua permissão para criticá-lo, principalmente quando o seu trabalho é público. Se você escreve um livro, ao ser lançado, ele pertencerá ao público que pode ou não gostar da obra. O mesmo acontece com um recital de canto ou de música, com uma palestra, conferência ou aula. Nesses casos, é o receptor que vai nos julgar, pois, de um certo modo, ao correr esse risco, estamos, ainda que sem querer, pedindo a opinião das pessoas.
Nesses casos, seria muito útil questionar a validade da crítica. Pode ser que meu livro não seja tão bom quanto imagino ou eu não cante tão bem como penso, ou ainda, que as minhas aulas não sejam tão boas quanto acredito. Se tiver coragem e honestidade comigo mesmo, poderei crescer a partir dessas críticas. Ficando zangado, magoado com a crítica e com o crítico, nada ganharei, a não ser aborrecimentos.
Em outras situações, estou irado contra uma pessoa que me fez algo realmente grave e com o claro intuito de me prejudicar. São exemplos:
Ela (Ele) fingiu-se de amiga (o) para roubar o (a) meu (minha) esposo (a). Isso não perdôo.
Há, nesse pensamento puramente emocional, um equivoco sério. Não podemos perder aquilo que não possuímos. Não somos proprietários das pessoas, seres humanos não são possuíveis. E mais: se alguém nos tomou a pessoa amada, isso só foi possível porque os laços que nos prendiam a ela já estavam muito deteriorados ou nem mesmo existiam mais. Assim, a pessoa que acusamos de destruidora de lar nada maiôs foi do que um pretexto para o final de uma relação que perdera o significado.
Não podemos nos esquecer ainda que a pessoa com quem somos hostis, nesse caso, pode ter tirado de nossa vida um problema e tê-lo transferido para a dela, abrindo para você perspectivas novas de refazer a vida. É como o povo diz: “Deus escreve certo por linhas tortas”. Não odeie, portanto, a pessoa que fez isso com você, ela pode ter feito um bem, ainda que, no primeiro momento, pareça um mal.
Por causa dele (dela) perdi o meu emprego.
Esse caso parece muito com o anterior e se ajusta ao dito popular: “Há males que vêm para o bem”. Posso estar há anos em um emprego que não me satisfaz muito, entretanto, tenho medo de abandoná-lo. Porém, se um dia, alguém faz uma “ursada” comigo e sou despedido, inicialmente fico muito aborrecido e posso até desejar me vingar, até com violência, contra a pessoa que fez isso. Se consigo controlar meus sentimentos e não piorar a situação partindo para uma vingança, vou à luta, pois a vida continua. Foi com a indenização recebida de um colégio, onde trabalhou cerca de vinte anos, que um professor amigo meu abriu um colégio que hoje lhe dá um rendimento muitas vezes maior do que anteriormente. O professor, perdendo o emprego, ganhou um colégio. Então pergunta-se: a pessoa que fez mal a ele, despedindo-o, não teria, de fato, feito um bem?
Aqui ainda é pertinente lembrar uma frase do pensador chinês: “O mal que alguém me faz não me faz mal porque não me faz mal; mas o mal que faço a alguém, este sim me faz mal porque me faz mal”. Repare bem essa frase. Se uma pessoa me faz mal, faz mal a si mesma, pois, aos olhos de Deus, ela se torna má, entretanto, se faço mal a uma pessoa, torno-me mau, e isso, segundo a moral evangélica, é ruim para mim. Daí Jesus ter recomendado que orássemos por aqueles que nos perseguem, pois é melhor ser vítima do mal do que ser seu produtor.
Odeio aquela pessoa que matou meu ente querido.
Essa parece ser uma razão suficiente para se odiar alguém e buscar vingança contra o assassino, entretanto, não é. Em primeiro lugar, o meu ente querido não morreu enquanto individualidade, o que desapareceu foi a sua personalidade. Não houve, portanto, uma perda total. Em segundo lugar, o meu desespero, ou mesmo a minha vingança, não vão alterar a situação objetiva, ou seja, não trarão aquela pessoa de volta. Em terceiro lugar, não conhecemos as motivações espirituais do crime; e, em quarto lugar, digna de pena é a pessoa que matou e não a que foi morta. Por todos esses motivos, devo perdoar o assassino, perdoar mesmo, sinceramente, e deixar que a vida dê a cada um segundo as suas obras.
Jesus trata a questão das inimizades com muito interesse pois, para ele, o ódio é o inverso frontal do amor, e não posso melhorar a minha realidade espiritual se ainda abrigo ódio em meu mundo interior. Com isso, abrimos um espaço para falar do ato de amar. Onde não existir amor, não poderá haver nem ação nem vida; por isso, o homem nada será se não amar e for amado. O homem sem amor é uma árvore estéril, sem galhos, flores e frutos. Nela os pássaros não pousam nem fazem ninhos, apenas deslizam negras e venenosas serpentes.
O amor é um sentimento bastante forte para se bastar a si mesmo, por isso, o verdadeiro amor não busca recompensa, apenas ama. Assim, Jesus amou a sua família, aos seus apóstolos, mas também aqueles que o levaram ao suplício da cruz. Suas últimas palavras no Gólgota são uma intercessão em favor de sues algozes. “Perdoai-os, Pai, pois eles não sabem o que fazem...” Nessas palavras de perdão está a maior de todas as lições sobre a necessidade de amar ao próximo sem restrições.
O amor, lembra Erich Fromm, é o sentimento que busca a união entre os seres, que nos leva a superar o sentimento de isolamento e de separação, sem que, porém, amante e amado percam a sua individualidade. No amor ocorre um paradoxo, pois dois se tornam um sem deixar de serem dois. O amor é, em última análise, uma atividade.
O amor é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De um modo geral, o caráter ativo do amor pode ser descrito, afirmando-se que o amor, antes de tudo, consiste em dar e não em receber. (E. Fromm).
O amor, desse ponto de vista, é o contrário do egoísmo. No amor, meu sentimento altruísta volta-se para outro e, no egoísmo, faço de mim mesmo o centro do mundo; entretanto, quanto mais me amo egoisticamente, menos sou capaz de amar o outro. Nenhuma dor me comove, a não ser a minha própria dor, nenhum problema me preocupa, a não ser o meu. Amor e egoísmo não convivem e compete a cada um de nós escolher um ou outro.
No texto do Evangelho que motivou essas paginas há uma exigência de Jesus que, em geral, consideramos muito complexa: “Amar os inimigos”. Vamos voltar a ela. A palavra amigo deriva de um antigo radical indo-europeu que significa ligar, unir, atar. Assim, o amor seria o sentimento que funde dois pronomes eu e tu, convertendo-os em nós. Assim , amigo é aquele que ama, que busca a união, a junção com todos os outros seres. A palavra inimigo é formada de in=não+amigo=ao que ama, ou seja, inimigo é aquele que não amamos, aquele do qual é imperativo viver separado. Como é possível, então, que uma pessoa possa amar o inimigo? Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, há um texto no qual há um esclarecimento sobre o que consiste amar o inimigo:
Amar os inimigos, portanto, não é ter por eles uma afeição que não é natural, uma vez que o contato com o inimigo faz o coração bater de uma forma totalmente diferente da que ocorre ao contato com um amigo. Amar os inimigos é não ter contra eles nem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; é perdoar-lhes sem segundas intenções e sem restrições o mal que nos fizeram; e não colocar nenhum obstáculo è reconciliação; é desejar-lhes o bem em lugar do mal; é ficar alegre em vez de triste, com o bem que lhes aconteça; é estender-lhes a mão para socorrê-los em caso de necessidade; é evitar por palavras e ações, tudo o que possa prejudicá-los; é, enfim, retribuir-lhes o mal com o bem, sem intenção de humilhá-los. Aquele que assim proceder cumpre plenamente o mandamento: “Amai os vossos inimigos”.
TÍTULO.: AMOR E ÓDIO
POR.: JOSÉ CARLOS LEAL
DO LIVRO.: EVANGELHO E QUALIDADE DE VIDA
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