A RELIGIÃO CÓSMICA DO AMOR
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Toda crença religiosa que se firma no amor é digna de respeito e carinho. O
objetivo essencial da fé religiosa é dignificar a criatura humana, tornando-a
melhor moralmente e preparando-a para desenvolver os valores espirituais que
lhe dormem no íntimo.
Em razão do mergulho na matéria, o
Espírito aturde-se, e quase sempre olvida os compromissos assumidos na
Espiritualidade, deixando-se comandar pelas manifestações do instinto que o
ajudaram nos períodos remotos da evolução, mas que foram suplantados pelo
discernimento e pela consciência, permanecendo somente aqueles que preservam a
vida e dão sentido existencial.
Na neblina carnal, no entanto, a predominância da matéria, como é
compreensível, dificulta o discernimento a respeito da finalidade da
reencarnação, facultando que os sentidos físicos se direcionem para o prazer,
para o gozo, para a satisfação das necessidades biológicas.
A consciência, no entanto, trabalha pela eleição do significado existencial, do
equilíbrio emocional, do bem-estar espiritual, alargando os horizontes da
percepção para as conquistas relevantes e significativas que acompanharão o ser
após o seu inevitável decesso tumular.
Por esses motivos, entre outros, a necessidade de uma religião que se expresse
em lógica e praticidade, destituída dos aparatos e das fantasias, dos interesses
sórdidos do comportamento material, faz-se imprescindível para enriquecer os
seres humanos de beleza e harmonia. Isto porque a conquista da lógica, no longo
roteiro evolutivo, impõe a necessidade de compreender-se tudo quanto se deseja
vivenciar, a fim de constatar-se a sua resistência frente à razão em quaisquer
circunstâncias.
Assim sendo, não há mais lugar para qualquer tipo de crença religiosa que se
apresente com manifestações totalitárias, eliminando a capacidade do crente de
pesquisar, de aceitar ou não os seus postulados, sendo-lhe exigido crer sem
entender. É certo que ainda surgem segmentos religiosos fundamentados no
fanatismo, geradores de lutas e de intolerância, tentando impor-se pela força
dos seus dirigentes políticos ou de outra espécie, mas não pela sua estrutura
racional e profunda.
Naturalmente, ante o impacto do progresso, aqueles que lhes aderem ao
comportamento, logo desenvolvem o senso da razão e os abandonam, isso quando
não lhes permanecem vinculados por frutos apodrecidos dos interesses materiais
que lhes rendem prestígio, poder e recursos econômicos...
Nesse caso, destituídos do sentimento de amor, de compreensão e de bondade,
estando ausentes o respeito pelo próximo e pelo seu direito de acreditar
naquilo que mais lhe convém e felicita, essas estranhas doutrinas mais
atormentam do que consolam, seduzindo grande fatia da sociedade que ainda
permanece vitimada pelos atavismos, quando se fizeram poderosas e esmagaram
aqueles que eram considerados adversários de comportamento enfermiço.
Foram essas religiões, trabalhadas pela força política e pelos impositivos da
ignorância, que se encarregaram de afastar os fiéis das diretrizes do amor que
conduz a Deus, abrindo espaço para os comportamentos agressivos e a revolta
constante, facultando o desenvolvimento do materialismo e no niilismo, que lhes
bloquearam a capacidade de crer e, por efeito, de abraçar os ideais de
religação com a Divindade.
Nesse báratro, a misericórdia divina proporcionou à Humanidade uma crença
religiosa que atende perfeitamente ao mandamento maior e, ao mesmo tempo,
conforta e tolera tantos quantos não lhe dão guarida.
Trata-se do Espiritismo, que se faz resposta eloquente do amor de Deus às
criaturas ansiosas que lhe suplicavam diretrizes e oportunidade de crescimento,
assim como de recursos para a conquista da felicidade.
O Espiritismo, ademais de fundamentar-se no amor através da ação da caridade, é
Doutrina profundamente racional, que esclarece o aprendiz a respeito das razões
da crença e da sua legitimidade, por estruturar-se na linguagem iniludível dos
fatos.
Jesus, quando esteve na Terra, elegeu
o amor como sendo fonte de sabedoria e de iluminação mais poderosa que se pode
conhecer.
Estabelecendo como essencial o amor a Deus acima de todas as coisas e ao
próximo como a si mesmo, não renegou as crenças que predominavam na cultura de
então, lamentando que as mesmas não possuíssem essa especial conduta, perdidas
em aparência e cerimoniais que mataram o conteúdo essencial de que Moisés se
fizera portador ao apresentar os Dez Mandamentos.
Neles estão inscritos, sem dúvida, os códigos éticos de alta magnitude,
responsáveis pela ordem social e moral da Humanidade, numa síntese que
facultaria ao direito civil em muitos países fundamentar os seus postulados
naquelas seguras regras de comportamento.
Jesus, complementando, porém, a propositura do amor, de que a sua doutrina se
faz o reservatório inexaurível, transformou-o em código superior de socorro aos
infelizes de todos os matizes, utilizando-se da ação da caridade como sendo a
sua expressão mais elevada.
Todas as suas palavras fizeram-se revestir pelos sublimes exemplos, pelas
ações, pelos fatos extraordinários que passaram à Humanidade, confirmando-lhe o
messianato, demonstrando ser Ele o Embaixador de Deus, aquele que todos
esperavam, mas preferiram não aceitar, porque Ele feria de morte as paixões
inferiores, os interesses mórbidos dos religiosos equivocados, que se
compraziam em manter os crentes na ignorância, a fim de melhor explorá-los.
Por sua vez, Ele sempre elucidava todos os enigmas que atormentavam as pessoas,
explicando a necessidade do amor em todas as expressões: ao trabalho, ao dever,
à família, ao próximo de toda procedência, mas acima de tudo ao Pai Criador.
Submeteu-se às arbitrariedades do
poder temporal para demonstrar a sua fragilidade na sucessão dos tempos,
especialmente diante da morte que a todos arrebata, modificando as estruturas
do mundo e das próprias criaturas.
Jamais se permitiu ceder aos caprichos dos adversários da verdade, divulgando-a
e vivendo-a nas situações mais ásperas e agressivas.
Com a sua visão superior, conhecia a fragilidade daqueles que se candidatavam
ao ministério de sua palavra, tolerando-lhes a fraqueza moral, mas não anuindo
com ela, de modo que anunciou O Consolador, que Ele rogaria ao Pai enviar, a
fim de que o rebanho não ficasse esparramado, sem diretrizes de segurança, nos
momentos difíceis do futuro que se apresentariam para a conquista da real
felicidade...E cumpriu a promessa, por ocasião do advento do Espiritismo.
O amor realmente deverá ser um dia a mais bela conduta, a mais significativa, a
psicoterapêutica preventiva e curadora, tornando-se uma forma de religiosidade
que fascinará a todas as criaturas.
Ao Espiritismo compete, portanto, o
dever, através dos espíritas sinceros, de propagar os seus postulados, de
divulgar imorredouras lições do Evangelho, de demonstrar a excelência de seus
paradigmas, o alto significado de se que fazem instrumento as comunicações
espirituais, a magnitude da reencarnação, a convivência com o bem e a sintonia
com o inefável amor de nosso Pai.
A religião cósmica do amor, desse modo, no Espiritismo encontra o solo
abençoado e fértil para apresentar-se e enflorecer-se, produzindo os frutos da
felicidade que todos aspiram, sem nenhuma desconsideração pelas demais que se
fundamentem no mandamento maior, vivendo a tolerância e a caridade
indiscriminada.
Pelo Espírito de Joanna de Ângelis
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