Saúde, doença, enfermidade.
Marta Antunes Moura
Organização
Mundial da Saúde (OMS) é uma agência mundial especializada em saúde, fundada em
7 de abril de 1948 e subordinada à Organização das Nações Unidas, com sede em
Genebra, Suíça. À época da criação da OMS, logo após a Segunda Guerra Mundial,
havia a preocupação de elaborar uma definição positiva de saúde, que incluísse
os aspectos alimentação, atividade física, acesso ao sistema de saúde e
bem-estar social, sobretudo este, decorrente da devastação causada pela guerra
e pela expectativa da paz que a Humanidade buscava.
Outros aspectos foram incorporados a essa ideia inicial: pela primeira vez uma
organização internacional de saúde faz referência à saúde mental e a partir da
década de 80 o sentido de ecologia foi incorporado à definição, que ficou
assim: Saúde “é um estado de completo bem-estar físico, mental, social e
ecológico, não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”.
1,2,3
O fato de a Declaração da OMS considerar saúde como um estado de completo
bem-estar passou a ser alvo de críticas logo que o conceito foi publicado,
sendo interpretado por uma parcela de estudiosos como um ideal inatingível ou
de pouca possibilidade de concretização. Supôs-se, até, que a definição
conduziria a uma “medicalização” da existência humana e abusos por parte do
Estado, a título de promover a saúde. Por outro lado, os defensores do conceito
da OMS alegaram (e alegam) que a definição utópica de saúde é útil porque: 1o)
destaca a necessidade de prevenção de doenças; 2o) considera o ser humano de
forma integral; 3o) prioriza ações médicas e paramédicas, hospitalares e em
nível de políticas de saúde; 4o) concede liberdade para o seu desenvolvimento
em todos os níveis da organização social.2
Com base nesse referencial, no discurso de abertura das comemorações do Dia
Mundial da Saúde, ocorridas em 7 de abril do ano em pauta, a OMS focaliza a
saúde do idoso, assinalando que “uma boa saúde ao longo da vida pode ser
acrescida de vida”.1 Destaca, igualmente, a importância de homens e mulheres
idosos não só prolongarem o período de sua existência física, mas que tenham
também uma vida produtiva. No final do discurso, proferido pela diretora geral
da OMS, a chinesa Margaret Chan enfatiza: “no curso do século atual o mundo
terá mais pessoas idosas que crianças. Teremos, então, que reinventar a
velhice”.4
Durante as comemorações do Dia Mundial da Saúde, a OMS convida os profissionais
de saúde e a população em geral para refletirem sobre o tipo de sociedade que
está sendo construída no mundo atual. Lança um apelo aos dirigentes das nações
e aos indivíduos comprometidos com os destinos da Humanidade, pedindo-lhes
examinarem políticas e medidas que, efetivamente, são consideradas necessárias
para adiar o envelhecimento da população e atendê-la privilegiando antes de
tudo a saúde. Para se ter uma ideia geral do assunto, acredita-se que, somente
na Europa, o número de pessoas com mais de 65 anos será o dobro entre 2010 e
2050.4
Faz-se necessário saber distinguir doença e enfermidade, vocábulos popularmente
considerados sinônimos. O significado é diverso, não é a mesma coisa. As
Ciências da Saúde designam doença como um distúrbio das funções de um órgão, da
psique ou do organismo, visto como um todo, que pode estar associado a sintomas
específicos. A doença é, pois, “condição de não estar bem.[...] Uma condição
patológica do corpo, que apresenta um grupo de sinais e sintomas clínicos e de
achados laboratoriais peculiares à condição e que classifica a condição como
uma entidade anormal, diferente de outros estados orgânicos normais ou
patogênicos”.5 Doença é sempre entendida como um distúrbio (patologia)
tangível, que pode ser mensurado, e que é produzida por fatores externos (p.
ex., infecções por microorganismos) ou por mal funcionamento interno do
organismo (doenças autoimunes, metabólicas, genéticas, congênitas, traumáticas
etc.), em geral revelados por sinais e sintomas. Sinais são alterações no
organismo que podem indicar adoecimento, percebidas ou medidas por
profissionais de saúde. Sintomas são alterações relatadas pelo paciente.
Enfermidade,
por outro lado, é uma manifestação individual e pessoal. Aquilo que o paciente
sente ou percebe. Por exemplo: “uma pessoa pode ter uma doença séria, como a
hipertensão, mas sem sentir dor ou sofrimento, e assim não estará enferma. Por
outro lado, a pessoa pode estar extremamente enferma, p. ex., com histeria ou
enfermidade mental, mas sem evidência de doença, segundo a avaliação das
alterações patológicas do corpo”.5
Emmanuel faz os seguintes comentários a respeito do conceito de saúde:
Para o homem da Terra, a saúde pode significar o equilíbrio perfeito dos órgãos
materiais; para o plano espiritual, todavia, a saúde é a perfeita harmonia da
alma, para obtenção da qual, muitas vezes, há necessidade da contribuição preciosa
das moléstias e deficiências transitórias na Terra.6
Segundo
a Doutrina Espírita, qualquer doença ou enfermidade, por mais superficiais que
sejam, têm raízes no Espírito, nas experiências vividas pelo Espírito:
As
chagas da alma se manifestam através do envoltório humano. O corpo doente
reflete o panorama interior do espírito enfermo. A patogenia é um conjunto de
inferioridades do aparelho psíquico.7
Em
outra oportunidade, Emmanuel, também nos lembra:
A
doença sempre constitui fantasma temível no campo humano, qual se a carne fosse
tocada de maldição; entretanto, podemos afiançar que o número de enfermidades,
essencialmente orgânicas, sem interferências psíquicas, é positivamente
diminuto. A maioria das moléstias procede da alma, das profundezas do ser. Não
nos reportando à imensa caudal de provas expiatórias que invade inúmeras
existências, em suas expressões fisiológicas, referimo-nos tão somente às
moléstias que surgem, de inesperado, com raízes no coração. Quantas
enfermidades pomposamente batizadas pela ciência médica não passam de estados
vibratórios da mente em desequilíbrio? Qualquer desarmonia interior atacará
naturalmente o organismo em sua zona vulnerável. Um experimentar-lhe-á os
efeitos no fígado, outro, nos rins e, ainda outro, no próprio sangue. Em tese,
todas as manifestações mórbidas se reduzem a desequilíbrio, desequilíbrio esse
cuja causa repousa no mundo mental.8
Ante essas orientações, a cura das doenças e das enfermidades reside no próprio
Espírito:
E
é ainda na alma que reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos
definitivos. A assistência farmacêutica do mundo não pode remover as causas
transcendentes do caráter mórbido dos indivíduos. O remédio eficaz está na ação
do
próprio espírito enfermiço.9
Ponderemos, contudo, que a despeito das doenças terem raízes espirituais, o
homem pode e “deve mobilizar todos os recursos ao seu alcance em favor do seu
equilíbrio orgânico. Por muito tempo ainda, a Humanidade não poderá prescindir
da contribuição do clínico, do cirurgião, do farmacêutico, missionários do bem
coletivo. O homem tratará da saúde do corpo até que aprenda a preservá-lo e
defendê-lo, conservando a preciosa saúde de sua alma”.10
Sendo assim, os estados de saúde e doença estão diretamente relacionados às escolhas
que o indivíduo faz, ao bom e mau uso do livre-arbítrio, uma vez que, na vida,
a lei de causa e efeito funciona inexoravelmente, ainda que sempre atenuada
pela misericórdia divina:
[...] é justo recordar que a criatura, durante a reencarnação, elege,
automaticamente, para si mesma, grande parte das doenças que se lhe incorporam
às preocupações.11
Em suma, a prevenção e o tratamento de doenças e de enfermidades restringem-se
à prática do bem, que é “o único antídoto eficiente contra o império do mal em
nós próprios”.12
Fonte Revista Reformador de SETEMBRO de 2012.
Referências:
1WHO
– Organização Mundial da Saúde. Disponível em:
2DEFINIÇÕES
DE SAÚDE. Disponível em: .
3CLAYTON, L. Thomas. [Visiting Scientist Harvard
University School of Public Health].
Dicionário
médico enciclopédico taber. Trad. Fernando Gomes do Nascimento. 17.
ed.
brasileira. São Paulo: Manole, 2000. p. 1.583.
4DIA
MUNDIAL DA SAÚDE. Disponível em: .
5CLAYTON, L. Thomas. [Visiting Scientist Harvard
University School of Public Health].
Dicionário
médico enciclopédico taber. Trad. Fernando Gomes do Nascimento. 17.
ed.
brasileira. São Paulo: Manole, 2000. p. 524.
6XAVIER,
Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro:
FEB Editora, 2011. Q. 95.
7______.
______. Q. 96.
8______.
Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. ed. esp. 1. reimp. Rio de Janeiro:
FEB
Editora, 2011. Cap. 157.
9______.
O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro:
FEB
Editora, 2011. Q. 96.
10______.
______. Q. 97.
11______.
Religião dos espíritos. 21. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2010.
Cap.
Doenças escolhidas, p. 233.
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