domingo, 11 de novembro de 2012

JOÃO DE DEUS E O PODER DA FÉ - 04

PARTE-04
 
Centenas de pessoas participam da meditação diária

Se você passar um tempo em Abadiânia, você vai ouvir a frase "as entidades" com tanta frequência que, por vezes, e você vai passar a usá-la como se fosse uma coisa completamente normal a dizer. O que realmente significa, porém, é tão extraordinário que desafia nosso senso do que é lógico ou mesmo possível neste mundo: "as entidades de cura que trabalham através de João de Deus são os espíritos dos falecidos médicos, cirurgiões, mestres e santos", explica Heather, com naturalidade. Estes espíritos usariam o corpo de João, canalizando o seu poder através dele. Às vezes os espíritos aparecem de forma anônima, mas também existem vários que fazem aparições regulares. Entre eles, o Dr. Augusto de Almeida, um cirurgião e soldado do exército com um jeito sério e eficiente; o Dr. Oswaldo Cruz, cujas especialidades eram as doenças infecciosas e bacteriologia; São Francisco Xavier, co-fundador da Ordem dos Jesuítas, junto com o patrono da "Casa", Santo Inácio de Loyola, um padre e um nobre do século 16. Apesar da presença dos santos, o médium João de Deus, que nasceu católico, deixa claro que a "Casa" não é uma igreja, mas sim um hospital espiritual. "Minha missão nada tem a ver com religião", ele disse. "Para se conectar ao poder da Deus, você não tem que visualizar um grande homem com uma barba grisalha. "

Em essência, são as entidades que fazem o trabalho pesado, que cortam o desenvolvimento de doenças, amenizam a escoliose ou limpam a catarata. E, se você aparece no pequeno hotel de Heather, provavelmente está predisposto a acreditar, embora isso não seja necessário. Na "Casa", os céticos são bem-vindos como crentes. Muitos cientistas tornaram-se apaixonados por João de Deus e passaram a defendê-lo depois de visitar o centro e testemunhá-lo em ação.

Joao de Deus atende uma “paciente”

O MÉDIUM - Aos 62 anos, João de Deus tem uma reputação solidamente construída, mas o ato de deixar os espíritos utilizarem seu corpo ainda exige muito do homem simples. Quando o processo começa, ele sente uma espécie de calor radiante que o deixa um pouco tonto. Esta sensação é acompanhada por "uma paz espiritual intensa e uma felicidade indestrutível". O que acontece em seguida é o desaparecimento do fazendeiro que cuida da terra e o surgimento do medium que cuida das pessoas.

Para ajudar a alimentar esse processo (e para ajudar a sua própria cura), as pessoas são convidadas a fazer um recolhimento espiritual. A prática envolve sentar-se em uma das dezenas de cadeiras em torno de João de Deus e meditar por horas. Da mesma forma que a eletricidade circula pela fiação de um edifício, a corrente criada por este grupo de pessoas opera os primeiros passos da "cura". Em um determinado dia, talvez 400 pessoas formam a corrente diária e relaram um estado tão profundo que parecem estar dormindo ou anestesiados.

 

JOÃO DE DEUS E O PODER DA FÉ - 03

PARTE-03


"Impossível", o radiologista tinha dito. Não houve qualquer explicação médica para isso. "Se nós compreendêssemos o papel que João de Deus está desempenhando na reversão da doença," diz o médico, "nós deveríamos estar fazendo isso aqui."



Quando você considera as inúmeras coisas invisíveis que tem uma inegável energia -- como as ondas de som, microondas, as emoções como raiva ou inveja, o vento e, claro, o poder universal do amor --, parece tolo invocar o olho nu para fazer a prova do "nada". No entanto, isso é o que fazemos. Tabelas e gráficos, raios-x e exames comprovam aquilo que sabemos existente, mas a crença sem a documentação, algo que percebemos com um dos nossos cinco sentidos, é considerada uma fé cega.

O que eu acredito? Eu não tinha certeza. Histórias como as de Edwene eram interessantes, mas eu não estava convencida. Gostaria de saber se a prova adicional que eu estava buscando seria encontrada no Brasil. Gostaria de saber se João de Deus preencheria o buraco que se criou dentro de mim e me ajudaria a amar minha vida de novo, uma vida que não continha o meu pai. "Nenhuma doença física ou psíquica é além da possibilidade de cura", diz um folheto distribuído na "Casa Dom Inácio". "A cura pode ser física ou espiritual". Era impossível ver esta afirmativa e não pensar em milagres, mistérios e poderes sobrenaturais.
 
O "Hotel Rei Davi" é um modesto prédio de dois andares, pintado de um verde jade macio. Oito vezes por ano, cerca de 15 visitantes ocupam seus quartos, de onde são guiados pelo proprietária, Heather Cumming, para ver João de Deus. Nascida no Brasil, de pais escoceses, levantadas na pecuária interior do país, Heather fala português perfeito, bem como espanhol, francês, inglês com um suave sotaque. Ela é alta e tem uma maneira delicada. Quando o meu táxi parou na manhã de domingo, ela me cumprimentou com um abraço. Um grupo que tinha chegado na semana anterior estava lá, ela explicou, mas eu não poderia vê-los todos, porque muitos estavam se recuperando de uma cirurgia invisível, dormindo o tempo todo.

Em Abadiânia, a semana é dividida em duas partes: de sábado a terça-feira, quando a "Casa Dom Inácio" é pouco frequentada, porque o médium João de Deus não está na residência; e de quarta a sexta-feira, quando ele dirige seu Ford 250 pickup de sua fazenda nos arredores da cidade vizinha de Anápolis, deixando para trás sua esposa, Ana Keyla Teixeira Lourenço, e vê centenas de pessoas desde o amanhecer até o anoitecer.
 
Heather tem uma ligação estreita com a "Casa Dom Inácio". Como estudante de Reiki e xamanismo, ela chegou a Abadiânia dez anos atrás, em uma busca espiritual. Durante sua visita, o espírito que dirigia os trabalhos por intermédio de João de Deus convidou-a para observar uma cirurgia física. "De repente, senti uma onda de energia, muito agradável, mas muito forte", lembrou. "E então eu acordei em uma maca". Em outra ocasião, ela foi às lágrimas. "Eu estava chorando e o médium João de Deus perguntou-me porquê. Eu lhe disse que tinha experimentado o amor incondicional pela primeira vez."

Agora Abadiânia é o lar de Heather. Ela também é co-autora do livro "João de Deus: o Curandeiro Brasileiro que tocou as vidas de milhões". E, nesta minha chegada, ajudou a levar minha bagagem até o segundo andar, quando ela aconselhou: "Não acredite em tudo você pensa".

Meu quarto era simples e limpo, com uma aura de tranquilidade que me fez deitar imediatamente e dormir por cinco horas. Eu acordei ao cair da noite, sentindo-se desorientada. A luz da noite derrava-se através de minha janela. Não havia ninguém por perto. Saí pela porta da frente e caminhei ao longo da estrada até a "Casa". O céu estava cor de laranja e vermelho exuberante, as aves ainda estavam cantando e um cão amarelo de aparência feliz saiu da estrada e correu ao meu lado. Eu andei por pequenas lojas, algumas das quais tinham em exposição roupas brancas -- uma vestimenta recomendada por "João de Deus" para ser usada durante as sessões, pois facilitaria ver a aura das pessoas.
 


Havia uma série de pequenos hotéis, pintados com cores vivas, alinhados lado a lado: lilás roxo, canário verde, amarelo limão. Um deles, um edifício cor de coral de um só andar, aberto para a rua, exibia num telão um vídeo sobre o médium da cidade. Um público de cerca de 20 pessoas estava sentado vendo João de Deus cortar o peito de um homem com o que parecia ser uma faca enferrujada. Os olhos do homem estavam fechados, e ele parecia calmo enquanto um filete de sangue escorria por sua camisa branca.


IMAGEM: DO PROPRIO ARTIGO
 

sábado, 10 de novembro de 2012

JOÃO DE DEUS E O PODER DA FÉ - 02

PARTE-02
 
Pacientes chegam a Abadiânia de todo o mundo
 
"Eu estive esperando por você", disse Edwene Gaines no corredor do avião que nos levou à longa viagem com destino a Abadiânia, no Brasil. Ela tinha 71 anos, com cabelos platinados curtos e um sotaque do sul dos mais bonitos que eu já ouvi, evidentemente natural de Valley Head, Alabama. "Você está indo a trabalho ou por prazer?", perguntou ela, iluminando o rosto com um sorriso.
 
Por um momento eu não sabia o que dizer. Afinal, estava indo ao encontro de um "curandeiro espiritual" brasileiro famoso em todo o mundo e procurava em mim mesma as razões daquela aventura. "Prazer, eu espero", disse. "E você?", perguntei. "Oh, eu estou indo ver João de Deus."

E com isso nós partimos num avião 757, de Atlanta para Brasília. Logo descobrimos que no mesmo vôo estava uma chilena chamada Edwene, uma pastora e palestrante motivacional, autora de "As Quatro Leis Espirituais da Prosperidade", e que contou a história de seu aneurisma cerebral, considerado inoperável por cinco neurocirurgiões. "Procure deixar suas coisas em ordem", teria sido a última recomendação dos médicos. "E tente não espirrar", completaram os médicos, admitindo sua absoluta fragilidade. "Então eu percebi que não estou pronto para ir ainda". Após o diagnóstico atroz, por insistência de seu grupo de oração (no qual todos disseram que receberam a mesma visão de João de Deus iria curá-lo), Edwene viajou para a "Casa Dom Inácio". "Eu estava nervosa e cética", disse ele. "Mas o que eu tenho a perder?"
 

Quase que imediatamente à sua chegada, a entidade espiritual que acompanha o médium realizou a cirurgia invisível sobre ela. Foram 40 minutos de um processo que o envolveu profundamentre, sentado em uma sala de meditação em grupo, com a mão direita sobre o coração. Ninguém tocou nela, mas, Edwene lembra: "senti as coisas se movendo em minha cabeça. Não houve dor, mas foi diferente". Depois disso, o pastor caiu exausto por 24 horas. Oito dias depois, foi informada que os "pontos" seriam removidos. "Naquela noite eu pude sentir na minha cabeça: ping! ping! ping!, como se pontos fossem puxados para fora". Posteriormente, uma tomografia computadorizada revelou a verdade: seu aneurisma se foi. "Sou muito grata", disse, apontando para os céus. Desde então, ela voltou à "Casa Dom Inácio" por duas vezes, na última trazendo um grupo de 20 pessoas que também procuravam cura.
 
RAZÕES PESSOAIS

 - Minha razão para visitar o João de Deus foi menos traumática. No entanto, a experiência foi igualmente impactante. Enquanto eu estava sentada no avião, me lembrei que faxia dois anos que meu pai havia morrido repentinamente de um ataque cardíaco. Nós éramos muito próximos e ele tinha apenas 70 anos, estava em plena forma. Até aquele momento eu tinha sido quase ridiculamente protegido da tragédia, e eu não estava preparada para o tsunami de tristeza que tomou conta de tudo o que eu sabia. Nós todos temos nossos encontros com o desgosto, mas este tipo de tristeza era algo desconhecido para mim. Ele vasculhou tudo, deixando meus nervos e emoções expostas. Era um peso físico real que eu arrastava. Era como se eu usasse óculos escuros todo o tempo, olhando e não vendo nada, apenas o dia cinzento, zangada com o universo por ter tirado o meu pai. Os dias de sol tinha desaparecido e eu precisava da minha vida de volta. Quando alguém mencionou "João de Deus" numa conversa, o nome ficou na minha cabeça. Eu nunca tinha ouvido falar do homem, mas por alguma razão eu era obrigada a saber mais.
 
Apesar do ceticismo generalizado, a evidência mostra que a energia de cura não só existe, mas pode ser profundamente poderosa. Tratamentos orientais tradicionais, como acupuntura e o Reiki, servem para reforçar o corpo e sua energia vital, conhecida como chi ou prana. Mas a oração como um canal para a cura eu ainda não conhecia em profundidade.
 

Embora a crença na eficácia da oração seja tão antiga quanto a civilização, os resultados são difíceis de definir. Bernard Grad, PhD., biólogo canadense de McGill University, trabalhou com um medium chamado Oskar Estebany, realizando estudos controlados no final dos anos 50 e 60. Usando ratos que tinham sido uniformemente feridos, Estebany colocaria as mãos sobre as gaiolas, disposto a curar os animais. Os resultados foram dramáticos: em um experimento, as feridas em ratos tratados por Estebany eram "significativamente menores" do que as dos ratos que tinham sido deixados para cicatrizar por si próprios. A equipe também descobriu que as sementes da planta exposta a cura energética cresceu a um ritmo mais rápido. Havia uma força aqui, eles concordaram, e ele parecia estar fazendo algo benéfico. O que era essa força, no entanto, ninguém poderia dizer com certeza.
 
Um médico que sabia de meu interesse em João de Deus me ofereceu seu precioso relato. Mehmet Oz, como um cirurgião cardíaco, a sua formação tinha sido rigorosamente científica, mas ele queria saber sobre o que a medicina ocidental ainda não sabia. "Acho que a grande nova fronteira é abrir as portas para a medicina da energia", disse. "Isto amplia as nossas possibilidades de cura".
  
E as histórias que saem de Abadiânia desafiou postura ortodoxa da medicina. Há cinco anos, Oz tinha participado de um programa na "Primetime Live", que teve como foco João de Deus. Ele examinou horas de filmagens das sessões de cura, verificou exames e laudos de biópsia, mas havia resultados que não podia explicar; como o encolhimento de um cancro agressivo, por exemplo. "Um dos pacientes tinha um glioblastoma, que é um tumor cerebral extremamente mortal," lembrou Oz. "A doença estava no nível 4 e, após a biópsia, ficou provada a cura". Como uma credencial adicional, a biópsia foi feita no "Hitchcock Medical Center", em Dartmouth, um hospital de destaque. "Eu levei os exames até o meu médico radiologista, juntamente com um novo conjunto de exames do paciente [tomada depois de sua visita a João de Deus], que mostrou que o tumor havia calcificado e, essencialmente, morreu."


POR.: SUSAN CASEY

IMAGEM: DO PROPRIO ARTIGO
 


JOÃO DE DEUS E O PODER DA FÉ - 01

PARTE-01

(IMAGEM) João de Deus em cena do filme "Healing" (Cura)

Em um canto remoto do Brasil, o homem conhecido como João de Deus está mudando a vida das pessoas de um modo surpreendente. Pode a crença curar uma doença? Energia pode curar?

Descendo a rua principal empoeirada de Abadiânia, um pedaço de uma cidade na região central do Brasil, vejo centenas de pessoas vestidas de branco. Algumas pessoas se sentam em cadeiras de rodas, algumas aparecem mancando de muletas ou bengalas. Eles são jovens e velhos. Eles vêm de um quarteirão de distância, mas também podem vir do outro lado do mundo. E estão todos aqui por uma razão: para ver João Teixeira de Faria, um homem de 68 anos de idade, popularmente conhecido como "João de Deus".

Aqui, no final da Avenida Francisca Teixeira Damas, pouco antes do asfalto se transformar em poeira vermelha, há um conjunto de prédios chamados de a "Casa de Dom Inácio de Loyola". Ali João de Deus já atendeu a milhares de pessoas, incluindo muitos que ouviram de seus médicos estas palavras: "Não há nada mais que se possa fazer". E de alguma forma, depois de visitar à "Casa" e conversar com este homem, depois de seguir as orientações espirituais que recebemos aqui, algumas dessas pessoas conseguiram fazer o inesperado: elas reviveram. Voltaram às suas casas totalmente curados.

O HOMEM

- Por 52 anos João de Deus tem participado desse tipo de milagre e, demonstrando humildade, não aceita crédito pelo que realiza. "Eu nunca curei ninguém. É Deus que cura", ele costuma dizer. Nascido pobre no estado de Goiás, muitas vezes com fome em sua juventude, João frequentou a escola por pouco tempo e nunca aprendeu a ler ou escrever, decidindo trabalhar como alfaiate já adulto.

O primeiro vislumbre de seu grande dom ocorreu aos 9 anos, quando, como diz, ele previu que uma tempestade repentina destruiria casas em Nova Ponte, uma vila próxima. Fazia um dia lindo e as pessoas fizeram pouco de sua profecia. Quando 50 casas foram danificadas por ventos com força de furacão, ninguém tinha uma explicação lógica. A extensão da sua capacidade se tornou ainda mais evidente com a idade de 16 anos, quando João, cansado, faminto e procurando um lugar para se lavar, teve uma visão de uma bela mulher descendo pelo rio. Ela lhe deu o endereço de um centro espiritual e lhe disse para ir lá. Ele foi e imediatamente desmaiou. Quando ele acordou, horas mais tarde, uma atônita multidão se reunia em torno dele.

Disseram João que ele tinha realizado curas durante toda a tarde. Ele chegou a acreditar que a mulher que o guiou foi Santa Rita de Cássia, e que enquanto ele estava inconsciente, o espírito do Rei Salomão teria comandado seu corpo e realizado o trabalho de cura.

O Brasil tem raízes profundas nas tradições do xamanismo e do espiritismo, os quais apresentam a noção que os indivíduos podem cruzar as fronteiras entre esta existência terrena e o pós-vida. Neste caso, seria perfeitamente compreensível que o Rei Salomão ou outro espírito qualquer tenha colaborado para oferecer ajuda, incorporando no corpo de João. Na maioria dos casos as curas que ele executa são consideradas "cirurgias invisíveis" que nem sequer envolver o toque, mas há ocasionais procedimentos que incluem cortes reais.

Para João de Deus, ou como é conhecido em Abadiânia, "médium João", a realização de seu dom foi acompanhada por muita perseguição e ações judiciais em que era acusado de exercício ilegal da medicina. Isso não interrompeu sua missão de ajudar qualquer pessoa que o procurasse. Com o tempo e o reconhecimento público, passou a receber ajuda de políticos brasileiros, de um ex-presidente e de prefeitos de diversos municípios brasileiros. Ele acabou sendo aceito e até mesmo protegido.

MILAGRES OU FARSA

- A questão que se coloca a todos os crentes em seus dons espirituais e aos céticos é explicar como um tumor maligno desaparece do corpo de alguém. Como uma pessoa cega acaba vendo de novo, como coxos andam de um dia para o outro, como a escuridão se transforma em luz? O desafio não é pequeno. A nossa busca nessa viagem ao Brasil foi de mentes racionais que explicassem tais mistérios. E a conclusão é que, em Abadiânia (GO), Brazil, aparecer para ver João de Deus é um ato de fé.

A partir de "The Oprah Magazine". Leia no original
FONTE: http://www.oprah.com/spirit/Spiritual-Healer-John-of-God-Susan-Casey/2
IMAGEM: DO PROPRIO ARTIGO


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A CURA PELA FÉ

 
 
 
 
 
 
 

Em segundo lugar, se os resultados forem devidos “apenas” à parapsicologia – em vez de a Deus, por assim dizer -, por que isso seria um problema? Em última instância, todos esses efeitos vêm de Deus. Eu acredito que o Criador dotou
os seres humanos com todo tipo de aptidão, algo que os grandes místicos conhecem há milhares de anos e que cientistas ocidentais só agora procuram entender. Mais de cem anos de pesquisa parapsicológica confirmaram isso, para satisfação minha e de muitos outros.

Durante suas pesquisas, o senhor teve conhecimento da ação dos chamados “médiuns de cura”? De alguma forma, esses casos podem estar relacionados? Já ouvimos falar que a cura não provém exatamente dos médiuns, mas da crença das pessoas que os consultam.

Pessoalmente, nunca pesquisei sobre médiuns, mas tenho uma posição a respeito. Acredito que, quando se trata de orações, cura pelas mãos ou por energia, ou qualquer outra forma sutil de terapia bioenergética ou relativa à consciência, todos os elementos da interação curativa podem ser importantes; em outras palavras, as habilidades, características e intenções de quem cura, o método da cura e as crenças do paciente. Tudo isso pode entrar em jogo até certo ponto, mas pode variar de acordo com a situação.
 
 
Como muitos leitores já devem saber, houve vários estudos recentes que investigaram os efeitos da oração a distância. Alguns desses estudos foram, de fato, bem controlados, com método duplo-cego e amostragem criteriosa; foram testes clínicos de certa forma similares aos testes farmacológicos que avaliam os efeitos de novas drogas. Para horror de muitos médicos acadêmicos convencionais, alguns desses estudos mostraram resultados, com índices de recuperação que foram melhores entre os pacientes que foram alvo de orações sem o saberem do que entre os pacientes dos grupos de controle.
 
 
Em seu livro Deus, Fé e Saúde, o senhor estabelece uma relação entre o modo como o compromisso religioso influencia o comportamento, e o modo como o comportamento influencia a saúde. No entanto, o comportamento de uma pessoa não está necessariamente ligado ou necessariamente dependente de um compromisso religioso. Foi feita alguma pesquisa no sentido de determinar o comportamento de pessoas não-religiosas, para ver se aquelas que têm comportamento saudável têm uma saúde melhor, como as religiosas ou espiritualizadas? O senhor diz em seu livro que as pesquisas mostram que o comportamento não-saudável não relacionado à postura religiosa ou espiritual?
 
É claro que as pessoas podem ser perfeitamente saudáveis sendo ou não sendo religiosas ou espiritualizadas. O que tentei fazer no meu livro foi examinar os “mecanismos” subjacentes às relações entre espiritualidade e saúde observadas em pesquisas. Essas associações existem, eu concluí, exatamente porque a religiosidade pode motivar comportamentos saudáveis, pode gerar relações sociais de apoio e solidariedade, pode produzir sentimentos ou emoções poderosos, etc. E já se sabe que cada um desses fatores – hábitos saudáveis, relacionamentos, sentimentos – é importante para a saúde.
 
Existem diferenças visíveis entre “estar associado a uma religião” e ter o que se poderia chamar de uma “atitude espiritual independente”? Faz diferença se a pessoa reza numa igreja ou em qualquer outro tipo de templo, ou se ela reza em casa, e segundo suas próprias regras? O que conta, afinal, é o comportamento, é o modo de pensar, é uma sintonia especial, ou outro fator?
 
Eu não acredito que faça qualquer diferença. Um dos primeiros fatos básicos que descobri quando comecei minha pesquisa, vinte anos atrás, é que um efeito saudável da religiosidade ou da espiritualidade parecia ser uma constante universal na natureza. Isto é, quando se toma como referência ou pessoas sem um caminho espiritual ou a população como um todo, efeitos epidemiologicamente protetores ou preventivos foram observados em católicos, protestantes, judeus, budistas, hindus, muçulmanos, zoroastristas, etc. Além disso, uma quantidade considerável de estudos mostrou um benefício às pessoas que, mesmo não sendo formalmente religiosas, estão envolvidas com meditação ou outras buscas espirituais.
 
O Institute of Noetic Sciences, uma esplêndida organização na Califórnia, publicou um relatório excelente chamado The Physcal and Psychological Effects of Meditation (Os Efeitos Físicos e Psicológicos da Meditação) documentando esses estudos.
 
O senhor entende que essa aproximação da ciência com a religião é uma tendência para o futuro? O filósofo Ken Wilber já vem se manifestando há anos a respeito da necessidade de se desenvolver aproximando as visões científica e espiritual. O que o senhor pensa a esse respeito?
 
Nos últimos trinta anos, os acadêmicos dos Estados Unidos têm demonstrado um considerável interesse em explorar a interface entre religião e ciência. Porém, muito desse discurso aconteceu dentro do contexto rígido das filosofias e visões de mundo adotadas pelos acadêmicos e pelas religiões predominantes. Um “novo paradigma” que unifique as abordagens científica e espiritual seria certamente um desdobramento bem-vindo. Mas precisamos nos perguntar: Qual paradigma? Qual abordagem científica? Perspectiva espiritual de quem?
 
Ken Wilber fala para muitas pessoas que têm interesse intelectual na consciência e em caminhos espirituais alternativos, mas eu não diria que o mundo acadêmico ortodoxo esteja pronto para isso. Para boa parte da comunidade acadêmica, o diálogo entre ciência e religião é um diálogo entre uma visão muito materialista e mecanicista de ciência e uma versão cartesiana de espiritualidade, baseada num paradigma muito antigo.
 
Já existe alguma tentativa de se desenvolver uma teoria a respeito dessa ação da prece na melhora da saúde das pessoas, ou ainda é muito cedo para isso? O senhor entende que uma tória desse gênero deverá estar ligada a teorias desenvolvidas pela parapsicologia, envolvendo a atuação da mente sobre a matéria?

Uma das críticas que os céticos organizados fazem incessantemente à literatura científica sobre oração e cura é que esses estudos não podem ser verdadeiros porque não existe uma teoria que explique as descobertas. Assim, de acordo com essa crítica, os resultados são impossíveis.
 
A crítica é errônea por dois motivos distintos. Primeiro, a pesquisa clínica estabelece uma distinção entre eficácia e mecanismo de ação. A eficácia de uma terapia pode ser demonstrada muito tempo antes de se compreender o mecanismo subjacente de ação. É o caso da aspirina, que sabíamos que funcionava antes de entendermos por quê. Ignorar ou condenar os resultados de pesquisas metodologicamente sólidas porque eles não se enquadram nas atuais teorias seria a morte da ciência. Qualquer grande novo avanço, por definição, será gerado pela necessidade de se formular uma nova perspectiva teórica que responda a dados inesperados. É assim que as coisas têm funcionado ao longo da história da ciência.
 
Mas a segunda razão que invalida as objeções dos céticos é muito mais básica: existem, de fato, teorias e perspectivas para nos ajudar a entender como e por quê a oração pode curar. Sobre esse tópico já foi escrito mais do que eu poderia abordar aqui, mas basta dizer que há muitos anos têm surgido livros acadêmicos e artigos científicos com esse enfoque.
 
Propuseram-se muitos mecanismos de ação possíveis, aproveitando trabalhos estimulantes nas áreas da física, do estudo da consciência, da psicofisiologia e da parapsicologia. Todo tipo de força, energia ou campos foi cogitado, inclusive conceitos como os de mente estendida, campos mórficos, mente não-local, psi, energias sutis, etc. O pesquisador alemão, Dr. David Aldridge, escreveu muito sobre esse tópico, assim como meu amigo Dr. Larry Dossey, o médico norte-americano, em muitos de seus livros, como Palavras que Curam (Healing Words, Editora Cultrix).

Acredito que a parapsicologia guarda uma riqueza de demonstrações empíricas e de proposições teóricas no que tange à oração a distância e seus efeitos de cura. Mas, infelizmente, muitos cientistas e médicos acadêmicos ortodoxos desdenham e não acreditam nesse trabalho, ao mesmo tempo em que o conhecem tão pouco. Essa postura vem principalmente da ignorância e de uma necessidade corporativista de proteger o próprio território. É pena, mas isso também parece ser uma constante na história da ciência e da medicina.
 
Para Saber Mais:
Deus, Fé e Saúde - Jeff Levin –
Editora Cultrix
Fone : (11) 6166-9000
(Extraído da revista Sexto Sentido 52, páginas 26-31)
 

NÃO TE PERMITAS



Creia-se ou não, o intercâmbio espiritual sucede, naturalmente, dentro das leis de afinidade que regem a vida.
Onde o homem estagie o pensamento e situe os valores morais, aí ocorrem os mecanismo da sintonia que facultam o intercurso espiritual.
Afinal, os Espíritos são os homens mesmos, desvestidos do invólucro material, prosseguindo conforme as próprias conquistas.
Instaura o período da vigilância pessoal e vitaliza o dever na mente para exercê-lo nos sentimentos junto ao próximo.
Os que partem da Terra, fortemente imantados aos vícios, retornam ávidos, sedentos, ansiosos, tentando continuar o infeliz programa, ora interrompido, utilizando-se de áulicos afins que lhes cedam os órgãos físicos...
Em consequência, a caravana das vítimas-inermes, padecendo as rudes obsessões espirituais, é muito grande.
Liberta-te das paixões inferiores, trabalhando as aspirações e plasmando o futuro mediante a ação correta.
Sintoniza com Jesus, e Ele, o Amigo Incondicional e Libertador, virá em teu socorro, favorecendo-te com a paz e a alegria.

TÍTULO.: NÃO TE PERMITAS
PSICOGRAFIA.: DIVALDO PEREIRA FRANCO
Autor: Joanna de Ângelis
Do livro: Alerta

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