quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Ecologia á Luz do Espiritismo -01



(Parte 01)

A partir do momento da criação do mundo passaram-se muitos milhões de anos até que a configuração do planeta Terra assumisse a forma que nós conhecemos hoje.

Isso já deixa antever que a Criação não permite que a Natureza dê saltos , o que dificultaria, desta maneira, a evolução lenta e progressiva pela qual passaram os diferentes seres dos diferentes reinos que estão neste planeta, não só no que diz respeito à crosta terrestre propriamente dita, bem como tudo aquilo que compõe o quadro natural , além das interelações intrínsecas, entre a camada gasosa que envolve a terra , conhecida como atmosfera e, este mesmo planeta.

Em nossos dias, o desenvolvimento científico e tecnológico, nos permite saber que esta configuração não foi e nem é definitiva e mais, que ela está em constante modificação, ao longo do tempo e do espaço, segundo uma dinâmica própria em consonância com o planejamento dos Arquitetos Siderais, em função do equilíbrio cósmico.

A Natureza como um todo, e todo o Cosmos, segue o seu curso evolutivo e, esse ambiente do planeta Terra que foi destinado ao Homem para que nele desenvolvesse também o seu caminho lento e progressivo de evolução, em equilíbrio com tudo aquilo que está à sua volta, e sobretudo , com a grave responsabilidade de conviver pacífica e harmoniosamente com seus semelhantes e com este ambiente que o cerca.

Hoje em dia , neste final de século, em que o clamor de boa parte da humanidade ainda se volta para a saúde e o pulsar do planeta, verificamos que a espécie Homo sapiens , da qual o homem é o seu representante de topo, esta longe o bastante para que se possa dizer que este mesmo homem procurou conservar o seu patrimônio natural que lhe foi posto à disposição para os anos a seguir.

Por outro lado, pelo menos desde que os profetas, avatares e principalmente Jesus, vieram trazer os ensinamentos necessários para conduzir a mente do homem também para as coisas do Pai , desde Moisés que ,muito tempo antes da vinda de Jesus , mesmo que ainda predominasse a Lei de talião, do “Olho por Olho e Dente por Dente”, que vem a Humanidade sendo preparada para se colocar numa posição hominal, não só em relação à sua estatura bípede (a qual já a possuía há muitos tempo), mas sobretudo em relação à elevação de seus pensamentos para Deus e para as coisas do Espírito, através do Amor Crístico Universal.

Jesus, quando de sua descida à Terra, estabeleceu a Escola Iniciática na Doutrina do Amor , tendo dito que trazia um único Mandamento : “ Amem a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos”, pela caridade, pela fraternidade , pelo amor ilimitado e que só assim o Reino de Deus estaria com suas portas abertas para todos aqueles que, desta forma, passassem a conduzir suas vidas, sendo esta a grande orientação deixada por Ele para toda a humanidade.

Ao findar o Segundo Milênio, vê-se que o homem pouco apreendeu, ou sequer colocou em prática tais ensinamentos representados por essa grande síntese proposta por Jesus. E se não foi capaz de amar a seu Deus, como teria sido capaz de amar a si próprio e ao próximo como a si mesmo?

Considerando que ele próprio vem permitindo degradar sua matéria pelo uso abusivo dos prazeres da matéria e as ilusões que só as artificialidades da personalidade, de seu Ego super dimensionado trazem para si, pode-se imaginar os danos que este mesmo Ser humano vem causando ao ambiente natural que o cerca.

V - BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, H.L. - “ALGUÉM VELA POR VOCE”, ALIANÇA DA FRATERNIDADE. 1995.
XAVIER,F.C. ( EMMANUEL).- “O CONSOLADOR”, FEB, 1940.
NOSSO FUTURO COMUM. RELATÓRIO DA COMISSÃO MUNDIAL SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. ED. DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. 1988
ODUM,E.P.- FUNDAMENTALS OF ECOLOGY. 2nd. EDITION. 1959
PLANETA -” MEDITAÇÃO. - VAMOS SALVAR A TERRA?” . número 13. 1999.



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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Espiritismo e Ecologia

Por.: André Trigueiro

Espiritismo e Ecologia surgiram no mesmo período histórico, em países fronteiriços – França e Alemanha – a partir do trabalho meticuloso de dois homens de ciência que provavelmente não se conheceram, mas que tinham algumas afinidades importantes.

Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) e Ernst Haeckel simpatizavam com o Evolucionismo de Darwin e, por essas e outras razões, não eram vistos com simpatia pela Igreja Católica, que defendia o criacionismo com a base fundamental do conhecimento. Mais que isso: tanto o Espiritismo quanto a Ecologia oferecem preciosas ferramentas de percepção de uma realidade sistêmica, que nos revela um universo interligado, interdependente, onde todos os seus elementos constitutivos interagem o tempo inteiro. É curioso constatar que alguns textos referenciais da doutrina espírita poderiam ser confundidos com verdadeiros postulados ecológicos.  “De sorte que as nebulosas reagem sobre as nebulosas, os sistemas reagem sobre os sistemas, com os planetas reagem sobre os planetas, como os elementos de cada planeta reagem uns sobre os outros, e assim sucessivamente, até o átomo” (Cap. XVIII, item 08) é um conceito apresentado em “A Gênese” tão afinado com os princípios ecológicos quanto o que diz que “tudo no universo se liga, tudo se encadeia, tudo se acha submetido à grande e harmoniosa lei de unidade (“XIV,item 12).

Espíritas e ecologistas também denunciam um senso de urgência em relação ao  que precisamos realizar sem demora em favor da vida. Enquanto os ecologistas alertam para o risco de um esgotamento da capacidade de o planeta prover a humanidade das atuais demandas insustentáveis de matéria-prima e energia, os espíritas recomendam que aproveitemos ao máximo a atual encarnação para ajustarmos a nossa vibração à do planeta, que ascende na escala dos mundos. Ou seja, fazer as escolhas erradas agora pode nos custar o impedimento de seguir reencarnando na Terra, já que para o novo mundo de regeneração só virão aqueles com vibração compatível, mais elevado ética e moralmente.

Espíritas e ecologistas alertam para os riscos da poluição nos dois planos da vida. Enquanto os ecologistas denunciam os impactos causados pela poluição do ar, das águas e da terra, os espíritas desdobram esse olhar para o campo sutil, e revelam a importância de mantermos bons pensamentos e sentimentos para que a nossa psicosfera – campo eletromagnético que nos envolve e que reflete nossa realidade evolutiva, padrão psíquico, emoções e estado físico – seja a mais saudável possível.

Sanear a mente e o coração tem efeitos diretos e positivos sobre a nossa psicosfera e a qualidade da vibração do planeta que nos acolhe.

Espíritas e ecologistas denunciam com veemência as mazelas do consumismo. Inúmeros relatórios produzidos pela ONU, organizações prestigiadas como a Worldwatch Institute, universidades e instituições de pesquisa espalhados pelo mundo demonstram que o consumo exagerado, perdulário e compulsivo de aproximadamente 20% da população mundial tem agravado progressivamente o cenário de destruição do meio ambiente.

Estima-se que hoje a Humanidade esteja demandando em recursos naturais não renováveis a cada ano 30% a mais do que o planeta seja capaz de suportar. Se o consumo favorece a vida, o consumismo degrada, depreda e destrói em uma velocidade impressionante os recursos naturais não renováveis.

Publicado em 1857, o Livro dos Espíritos –  base da codificação – reserva um capítulo inteiro para a chamada Lei de Conservação, no qual a Espiritualidade Maior explica a diferença entre o que seja necessário e supérfluo, e deixa bastante claro que “a Terra ofereceria ao homem sempre o necessário se com o necessário soubesse o homem contentar-se” (resposta à pergunta 705). O enorme apego à matéria – característico dos habitantes dos mundos primitivos – expresso nos valores dominantes da sociedade de consumo dos dias de hoje, revela o risco de desperdiçarmos tempo e energia preciosos com aquilo que é perecível, efêmero e descartável.

São realmente muitas as afinidades entre a doutrina espírita e as ciências ecológicas. Abrir espaço para pesquisas nesta direção significa oxigenar o debate em favor da vida em um momento estratégico para nossa espécie. Vivemos hoje uma crise ambiental sem precedentes na história da Humanidade e somos diretamente responsáveis por essa situação. O uso soberano do nosso livre-arbítrio nos trouxe até aqui.


Hoje, testemunhamos o risco do colapso, do ecocídio que torna o planeta cada vez mais hostil à nossa presença. A boa notícia é que dispomos de todos os meios necessários para reverter essa situação e transformar positivamente essa realidade. Quem procura melhorar-se ética e moralmente – e o Espiritismo elege como uma de suas prioridades a reforma íntima – deve agir em favor da vida, da harmonia e do equilíbrio. Ser sustentável é cuidar de si, dos outros e de nossa casa planetária. Já.

Bibliografia:
TRIGUEIRO, André. Espiritismo e Ecologia. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010 (2ª edição).
KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro : Federação Espírita Brasileira, 1994. (26ª edição)
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro : Federação Espírita Brasileira (31ª edição)
CAPRA; Fritjof. A Teia da Vida. São Paulo. Cultrix, 1996 ( 9ª edição)
SANTOS, Jorge Andréa dos. Energias Espirituais nos Campos da Biologia. Rio de Janeiro : Cia. Editora Fon-Fon e Seleta, 1971. (1ª edição)
SANT`ANNA, Hennani T. Universo e Vida. Pelo Espírito Áureo. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1987. ( 2ª edição)

NOTA.: O jornalista André Trigueiro, da Globonews, lançou seu novo livro “Espiritismo e Ecologia”, dia 12 de Setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Em seu livro, Trigueiro identifica como a preservação ecológica se identifica com o espiritismo, e com a espiritualidade, em um sentido mais amplo. “Se equilíbrio é sinônimo de sustentabilidade, quem busca o equilíbrio através da religião precisa ser sustentável”, diz. Trigueiro explica isso em detalhes na entrevista que concedeu à Época:

Por.: André Trigueiro
(Artigo escrito para a revista de Cultura Espírita em 29/03/2010)

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Esta água, Passarinho Bebe?

Por.: Miriam Duailibi

A sabedoria popular desenvolvida na convivência e na observação da Natureza, possibilitou às populações tradicionais a possibilidade de sobreviver, enquanto espécie, ao longo de milênios. Nossos ancestrais que viviam no campo, nas florestas e nas montanhas não bebiam água que passarinho não bebe, não comiam frutos e folhas que os animais não tocavam, corriam para seus abrigos quando viam as manadas em disparada, prenúncio seguro de temporais, ciclones e tsunamis. 

Transmitiam seus conhecimentos às novas gerações, que os retransmitiam aos seus descendentes mesmo quando estes já viviam na polis, na urbe. Mas nos últimos 250 anos, mais especialmente a partir da revolução industrial, quando o modelo de desenvolvimento adotado já começava a produzir pobreza e exclusão social, as populações passaram a se concentrar em grandes aglomerados urbanos, o que tornou a possibilidade de observância dos ciclos e fluxos da Natureza, cada vez mais rara. 

Assim, geração a geração, fomos esquecendo o que nossos ancestrais sabiam e intuíam e nos lançamos na consolidação de um inconseqüente paradigma civilizatório em que fizemos do Oikos, do Lar Terra, apenas uma fonte de recursos naturais.Em nossa ignorância, imaginamos que estes eram inesgotáveis e que podíamos impunemente seguir nossa trajetória de destruição. 

Conquistando novos territórios a cada vez que exauríamos o anterior, extraindo dele suas riquezas minerais, cortando e queimando suas florestas para construir nossas casas e obter a energia que necessitávamos, produzindo riquezas e descartando os resíduos em qualquer local, desde que fosse longe de nós. 

Voltamos as costas aos rios e demais cursos d’água, tratando-os como canais que levariam para longe, muito longe, os desagradáveis restos do que consumíamos. E os anos foram passando... Enquanto procriávamos íamos a busca de mais horizontes, de mais riquezas naturais, mais espaço. Inventamos novas tecnologias, descobrimos a força e o poder da energia fóssil que arrancamos do fundo da Terra, processamos, industrializamos e passamos a queimar diuturnamente nos quatro cantos do planeta. 

A ciência e a tecnologia nos trouxeram mais conforto, eliminaram distâncias físicas, nos possibilitaram cruzar os céus, até para a Lua fomos, e prosseguimos em nossa trajetória de glória e poder até que um dia, de repente (terá sido de repente?), a Natureza, esta que há tanto havíamos domado, nos mostra sua face mais dura, expõe a instabilidade de seus humores. 

Ataca e mata impiedosamente, sem aviso prévio, sorrateiramente, coloca-nos armadilhas. 

Comemos seus peixes e eles nos envenenam, bebemos sua água e adoecemos, vamos à praia e somos afogados por ondas gigantes, seus ventos varrem nossas casas, os rios ora secam, ora transbordam, transformam nossas cidades em depósitos de lixo, (de onde vem mesmo tanta sujeira?), o ar que respiramos nos destrói os pulmões, nos faz arder os olhos. 

Lembramo-nos então daqueles que há décadas vinham nos alertando sobre os perigos à espreita, demo-nos conta de que desde há muito, milhares, milhões de pessoas estavam à margem deste glorioso e triunfante processo de conquista do Universo e já enfrentavam, nas inóspitas regiões em que habitam sérias dificuldades de sobrevivência.

Mas quem se importaria então com a seca, com a fome, com as enchentes, com as pragas, as doenças de veiculação hídrica, com a exclusão, com a tragédia da miséria que assolavam sistematicamente algumas partes do Planeta?

Elas se passavam longe, muito longe de nós... 

Mas agora, quando a ciência que criamos e que julgávamos capaz de solucionar todo e qualquer problema dos humanos, começa a nos mostrar que, pela primeira vez na história da humanidade, está posta em xeque a continuidade da nossa caminhada enquanto espécie no Planeta Terra, sentimo-nos desamparados, indefesos, fragilizados.

A perplexidade toma conta de nós, quando, finalmente, percebemos a íntima relação entre o nosso modelo civilizatório predatório excludente, a destruição do meio ambiente, o rompimento do equilíbrio ecológico que a Natureza teceu em milhões de anos de trabalho cósmico e o caos que ameaça a todos em todos os recantos do mundo, sem distinção de etnia, de classe social, de gênero, de nacionalidade, de escolaridade. 

O que fazer agora, qual o papel de cada um de nós, cidadãos do Planeta? Como prosseguir à luz da tragédia anunciada? Como partir do temor que paralisa para a ação que pode trazer alternativas de caminhos, de soluções? O Dia Mundial da Água é um excelente momento para que façamos esta reflexão. Sem razões para comemorar, dediquemo-nos a pensar como vamos cuidar deste bem imprescindível para a nossa sobrevivência, vida e de todas as espécies que conosco compartilham a Terra. 

Lembremos-nos que Planeta Terra é azul quando visto do espaço, mas não tenhamos ilusões, uma vez que 97% dos 2/3 de sua superfície composta de água é salgada! Dos 3% restantes, a maior parte está nos icebergs em forma de gelo. Assim a água acessível ao consumo humano, que é encontrada em rios, lagos e alguns reservatórios subterrâneos, somam apenas 0,3%, ou 100 mil km³. 

Ao mesmo tempo em que aumentamos o consumo de água em nossas atividades produtivas e em nosso cotidiano, continuamos, de forma inadmissível, poluindo com lixo, esgoto e agrotóxicos, os recursos hídricos de que dispomos. Esquecemos, neste processo perverso, que a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há 500 milhões de anos. 

As mudanças que ocorrem são em sua distribuição, pois a água não permanece imóvel, se recicla por meio do Ciclo Hidrológico, cujo equilíbrio encontra-se ameaçado pelo aquecimento global, pelo desmatamento e pela poluição. 

Enquanto isto a escassez de água potável já atinge 20% da população e a ONU afirma que se a população mundial continuar aumentando 80 milhões de habitantes por ano, entre os anos de 2025 e 2050, 40% da população já estará sem acesso à água potável. Somente nos últimos 50 anos, aconteceram em todo o mundo cerca de 500 conflitos armados tendo como causa prima à disputa pela água. 

Metade do leito dos hospitais é ocupada por doenças veiculadas pela água. A cada ano as doenças provocadas por ela causam 03 milhões de mortos no mundo, crianças na maioria, e provocam mais de 1 bilhão de enfermidades. No Brasil, que detém 12% da água doce do mundo, 80% das doenças são causadas ou disseminadas pela falta de saneamento e 40% das torneiras dos nossos lares derramam água com qualidade não confiável. 

São Paulo, a megalópole emblemática, resume em seus números toda fragilidade de um modelo de distribuição territorial que se esqueceu de levar em conta a geografia da Natureza. Aqui vivem 22% da população do Brasil e aqui só estão 1,6% da água de nosso país, consumimos 210 milhões de litros de água por hora (116 piscinas olímpicas) que vamos buscar a mais de 80 km de distância da capital. 

No dia de hoje, deveríamos parar tudo para debater em fóruns, na praça pública, nos palácios, este que é, ao lado das mudanças climáticas, o maior desafio do século XXI, o acesso à água de boa qualidade, o gerenciamento adequado dos recursos hídricos de que ainda dispomos.

A partir da reflexão, do debate, (e do medo), quem sabe tomamos juízo e passamos a agir como cidadãos conscientes, adequando nossas atividades cotidianas a padrões de sustentabilidade, participando ativamente da organização de nossa comunidade, articulando-nos nacionalmente para influenciar políticas públicas sérias e ecologicamente corretas, fiscalizando, reivindicando, sentindo-nos parte da imensa e maravilhosa comunidade biótica. 

*Miriam Duailibi é presidente do Ecoar, uma das principais ativistas ambientais brasileiras da atualidade. Autora de diversos livros, artigos e textos sobre o tema é reconhecida internacionalmente por seus inovadores projetos socioambientais. Fundou em 92 a Ecoar, organização sem fins lucrativos da qual faz parte o Instituto Ecoar para Cidadania, o Centro Ecoar de Educação para Sociedades Sustentáveis e o a Associação Ecoar Florestal, responsável pela produção anual de 2 milhões de mudas para a reposição de florestas no Brasil. 

AUTORIA: Miriam Duailibi 

Sobre o Instituto Ecoar para a Cidadania:

O Instituto Ecoar é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, que atua com educação ambiental, cidadania e projetos florestais. Sua missão é contribuir para a construção de sociedades sustentáveis e em equilíbrio com a natureza. 

Fundada por um grupo de ambientalistas e pesquisadores após a Eco-92 e o Fórum Global, é responsável pela implantação de mais de 50 projetos de meio ambiente e educação em todo país. Credenciada pelo IBAMA e DPRN para desenvolver o Programa de Reposição Florestal Obrigatória no Estado de São Paulo, possui dois viveiros que juntos produzem mais de 02 milhões de mudas por ano. 

Por.: Miriam Duailibi
Fonte: Trama Web / Site ANIMAL LIVRE

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Trecho do Livro Jaulas Vazias



Os  animais têm direitos? Diversas pessoas dão diversas respostas. Às vezes as pessoas dão respostas diferentes por causa de uma discordância a respeito dos fatos. Por exemplo: uns acreditam que gatos e cães, galinhas e porcos não sentem nada; outros acreditam que sentem. Às vezes, diferentes respostas são dadas por causa de uma discordância a respeito de valores. Por exemplo: uns acreditam que os  animais não têm valor nenhum, a não ser enquanto interesse dos humanos; outros acreditam no oposto.

Divergências dos dois tipos são certamente importantes e serão exploradas adiante. Mas, mesmo sendo importantes, elas não tocam numa fonte mais básica de divisão de opiniões, que está relacionada exatamente à idéia dos direitos  animais.

Algumas pessoas acham essa idéia a mesma coisa que "ser bondoso com os  animais". Já que devemos ser bons com os animais, a inferência é óbvia: os animais têm direitos. Ou então elas pensam que direitos animais significam "evitar crueldade". Já que não devemos ser cruéis com os animais, a mesma conclusão procede: os animais têm direitos. Diante desses dois modos de entender os direitos animais, fica difícil explicar porque são tão polêmicos, com seus defensores de um lado, e opositores, de outro.

Essa controvérsia inflamada, muitas vezes ácida, que incita defensores contra opositores, nos informa que esses modos familiares de pensar (devemos ser bons para os animais; não devemos ser cruéis com eles) não conseguem captar o verdadeiro significado dos direitos  animais. Acontece que o verdadeiro significado é, como veremos, ao mesmo tempo simples e profundo.

Os direitos dos  animais é uma idéia simples porque, no nível mais básico, significa apenas que os animais têm o direito de serem tratados com respeito. E é uma idéia profunda porque suas implicações têm amplas conseqüências. Quão amplas? Eis alguns exemplos de como o mundo vai ter de mudar, uma vez que aprendamos a tratar os animais com respeito.
Vamos ter de parar de criá-los por causa de sua carne.
Vamos ter de parar de matá-los por causa de sua pele.
Vamos ter de parar de treiná-los para que nos divirtam.
Vamos ter de parar de usá-los em pesquisas científicas.

Cada exemplo ilustra a mesma lógica moral. Quando se trata de como os humanos exploram os  animais, o reconhecimento de seus direitos requer abolição, não reforma. Ser bondoso com os animais não é suficiente. Evitar a crueldade não é suficiente.

Independentemente de os explorarmos para nossa alimentação, abrigo, diversão ou aprendizado, a verdade do direito dos  animais requer jaulas vazias, e não jaulas mais espaçosas."

A INVERDADE DOS RÓTULOS
Os opositores acham que direitos  animais é uma idéia radical ou extrema, é não raramente rotulam os defensores dos direitos  animais de "extremistas". É importante entender de que forma esse rótulo é usado como instrumento retórico para evitar a discussão informada e justa; do contrário, aumentam as chances de não termos uma discussão com esses atributos.

"Extremistas" e "extremismo" são palavras ambíguas. Em um sentido, extremistas são pessoas que fazem qualquer coisa para atingir seus objetivos. Os terroristas que destruíram as torres gêmeas do World Trade Center eram extremistas nesse sentido; estavam determinados a fazer de tudo para conquistarem seus fins, mesmo que isso significasse matar milhares de seres humanos inocentes.

Os defensores dos direitos  animais (DDAs) não são extremistas nesse sentido. Vou repetir: os DDAs não são extremistas nesse sentido.

Mesmo os mais combativos defensores dos direitos  animais (os membros da Frente pela Libertação Animal, digamos) acreditam que haja limites morais absolutos para o que pode ser feito em nome da libertação  animal: certos atos nunca devem ser cometidos, de tão ruins que são. Por exemplo, a Frente se opõe a ferir ou matar seres humanos.

Em outro sentido, a palavra extremista se refere à natureza incondicional daquilo em que as pessoas acreditam. Neste sentido, os defensores dos direitos  animais são extremistas. De novo, deixe-me repetir: os DDAs realmente são extremistas, neste sentido. Eles realmente acreditam que é errado treinar  animais selvagens a representar atos para o entretenimento humano, por exemplo. Mas, neste sentido, todo mundo é extremista. Por quê? Porque há algumas coisas às quais todos nós (espero) nos opomos sem restrições.

Por exemplo, todos que estão lendo estas palavras são extremistas, quando se trata de estupro; somos contra o estupro o tempo todo.

Cada um de nós é um extremista quando se trata de abuso infantil; somos contra o abuso infantil o tempo todo. De fato, todos nós somos extremistas quando se trata de crueldade com os  animais; nunca somos a favor disso.

A verdade pura e simples é que pontos de vista extremos são, às vezes, pontos de vista corretos. Assim, o fato de nós sermos extremistas, no  sentido de termos crenças incondicionais a respeito do que seja certo ou errado, não oferece, por sí só, razão para se pensar que estejamos errados. Então a questão a ser examinada não é: "Os DDAs são extremistas?" A questão é: "Eles estão certos?"

Como veremos, esta pergunta quase nunca é feita, e, menos ainda, respondida adequadamente. Uma conspiração entre a mídia e alguns fortes interesses se encarrega disso. "


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domingo, 24 de julho de 2011

Passeio ao Zoológico: Sob Outra ótica, sob Outra Ética


“quando se trata de como os humanos exploram os animais, 
o reconhecimento de seus direitos requer abolição, 
não reforma (...) a verdade dos direitos 
animais requer jaulas vazias, 
não mais espaçosas”. 
(Tom Regan, em Jaulas Vazias)

Como Bióloga e Educadora, sempre acreditei nos Zoológicos como ferramenta deseducativa. Meu repúdio a esse tipo de atividade, fez com que eu me afastasse, durante anos, de uma visita a esses verdadeiros redutos de infelicidade animal. Tive a oportunidade de fazer uma visita técnica a alguns desses redutos recentemente (a menos de uma semana, para ser mais exata).

Assim como a aquários, oceanários, serpentários e afins. Foi umtour dos horrores, considerando toda minha aversão a qualquer forma de confinamento animal para a satisfação de egos humanos. Mas, com o passar do tempo, minha aversão que antes era representada pela negação, foi substituída pela coragem de encarar os fatos como eles são: os animais sofrem. Ao nosso lado. Todos os dias. E nos fazem a todo o tempo, um apelo silencioso. Não é possível ignorar essa realidade pelos melindres de não querer sofrer, de não querer olhar.  O sofrimento deles é infinitamente maior. 


Nessa visita técnica, foram incluídos locais que os visitantes “comuns” não tem acesso, como cozinhas, biotérios, áreas de cuidados veterinários e etc. Fui convidada por uma colega de trabalho, a conduzir com ela (que também não é fã de Zoológicos), a visita (sou professora universitária) e temos uma turma em comum, a qual nos acompanhou. A curiosidade de saber a quantas anda a exploração legitimada dos animais que tiveram sua liberdade seqüestrada, na prática, foi um dos fatores que me levou a decidir ir. Outro fator importante foi a certeza de ter minhas concepções biocêntricas renovadas. Mesmo à custa do meu sofrimento. 
Banal, como já mencionei, perto do sofrimento de inúmeros animais que lá encontrei.  Antes de “ver” os animais e durante as “visitas”, em todos os locais, há uma explanação teórica/logística por parte dos monitores. Parece que são treinados todos no mesmo lugar, pois as frases feitas a respeito do bem-estarismo animal são quase que idênticas. Tais explanações me remetiam inevitavelmente ao “Ensaio sobre a Cegueira” de Saramago. Pensava: as pessoas estão mesmo acreditando nisso? (Acho que vou escrever um “Ensaio sobre a surdez”).

Outro pensamento recorrente: na ocasião de uma palestra do Seminário da Agenda 21, no Paraná, em 2009, a filósofa Sônia Felipe mencionou a seguinte frase: “bicho não é vitrine de shopping”. Considerei extremamente relevante. Me fez pensar além.

Zoológicos com objetivos de recuperação e reintrodução de espécies no meio, sem exposição ao público, que respeitam o que o animal nasceu, de fato, para ser, merecem nosso reconhecimento. Não são, infelizmente a maioria deles.

A maioria ainda se baseia em concepções especistas e antropocêntricas para justificar sua existência e conseqüente sofrimento animal. Algumas falácias são facilmente identificadas no discurso daqueles que defendem o Zoológico “vitrine” como “ferramenta educativa”. Aliás, podemos, sim, fazer dos Zoológicos, ferramentas extremamente educativas se mudarmos a análise e a perspectiva. Analisando sob a ótica da Ética Biocêntrica, podemos enumerar algumas falácias que são repetidas como mantras a respeito dos animais confinados. Vamos a algumas delas:

- “o Zoológico é importante porque nós devemos conhecer as espécies para preservar/respeitar”.

Essa concepção traz embutida a desculpa de que só é possível preservar uma espécie a partir do momento que a conhecemos. Se a concepção biocêntrica predomina, o simples fato de o animal existir, já é um pressuposto que justificaria o respeito por ele. E só. Eu não conheço nenhum africano, por exemplo, mas não preciso o fazer para só depois respeitá-lo. Nunca conheci um urso polar, um tigre de bengala, uma perereca amazônica ou uma orca.
Mas o fato de não vê-los ao vivo, não me impede de respeitá-los pela sua essência.

- “O Zoológico é imprescindível para estudarmos o comportamento dos animais”.

Só se for para estudar neuroses de cativeiro. Qualquer pessoa com noções básicas de Biologia sabe que o comportamento de animais em cativeiro não é o mesmo que o animal apresentaria no seu meio natural. Tenho muito respeito por estudos comportamentais. Mas por aqueles que são feitos no habitat natural do animal. Esse argumento não sustenta a existência desse tipo de Zoológico.

- “O Zoológico é importante para a reprodução e para salvar as espécies”.

Primeiro: a maioria dos animais reproduzidos em cativeiro é reproduzida para esse fim: permanecer em cativeiro. Não para ter devolvido o que lhe foi negado desde as gerações anteriores: sua liberdade. Há, entre os Zoológicos, uma espécie de escambo de espécies, onde os animais são intercambiados. Faltou uma girafa no Zoológico “x”? Já está nascendo uma no Zoológico “y”. Será separada de sua mãe e destinada ao Zoológico “x” como animal de exposição. Segundo: Privado da convivência com seus iguais e de todas as interações que lhe são possíveis em seu meio natural, ele não é mais do que a sombra dos seus ancestrais.

- “Mas os animais que nasceram no Zoo não sofrem porque não conhecem outra vida”.

Será que o fato desse animal ter nascido em cativeiro nos dá o direito de usurpar sua liberdade mais uma vez e condená-lo a uma vida miserável, privando-o da sua verdadeira liberdade?

Se houver uma “visita ao zoológico”, com propósitos educativos, que sejam feitas pelo menos, as seguintes perguntas e investigações com os alunos: qual o habitat natural desses animais? Quais os hábitos desses animais em seu meio natural? Geralmente são: Nadar, correr, voar quilômetros por dia, procurar comida, defender seu território, interagir com outras espécies e com seus iguais. E em cativeiro? Quais as mudanças percebidas? Quais os impactos nefastos nos seus hábitos? Quais as conseqüências? Um pequeníssimo exemplo, entre tantos que presenciei: um leão marinho em seu habitat natural viaja centenas de quilômetros por dia. Em cativeiro, é condenado a viver em um pequeno tanque, onde passa o dia circunscrevendo voltas como que para escapar da escravidão sem fim. Sem falar na obesidade e outros transtornos de comportamento como as já mencionadas neuroses de cativeiro. Isso nos reporta à falácia seguinte:

- “Aqui no Zoológico, fazemos o enriquecimento ambiental”,

Esse novo modismo nos Zoos (proveniente de um modelo americano) traz em sua proposta, a introdução de diferentes estímulos no cativeiro para que animais não desenvolvam comportamentos repetitivos e neuróticos como automutilação, coprofagia e etc. Certamente, estímulos são melhores que a estagnação a que esses animais são condenados. Mas deve-se sempre questionar: a reabilitação e a devolução da liberdade que lhes foi negada, não seria infinitamente melhor? O tão prestigiado enriquecimento ambiental não seria mais um engodo para justificar a perpetuação do cativeiro e de interesses escusos?

- “Hoje não existem mais jaulas nos zoológicos”.

Ouvi diversas vezes essa frase dos monitores que nos acompanharam. Em vários lugares. Basta uma breve visita para, novamente, a perplexidade ao comparar o dito e o constatado ser inevitável. O ápice do menosprezo à inteligência dos presentes. Percebe-se, claramente a existência de cercados mínimos de aço, alumínio, terrários, aquários, e paredes de vidro fazendo as vezes de jaulas. Mas pergunto: não seria infinitamente melhor que jaulas, aquários, terrários e afins estejam para sempre, vazios?

- “A alimentação é balanceada”.

Isso pode soar muito bem aos ouvidos antropo e ecocêntricos. Mas nos ouvidos biocêntricos e abolicionistas dói. Até fisicamente. Uma frase que ouvi da monitora: “Os zootecnistas que trabalham no zoo e cuidam da alimentação dos animais, acham que os psitacídeos silvestres são uns chatos porque são muito exigentes, não comem qualquer coisa”. Ora, o que diriam os psitacídeos se falassem? “Chato” seria um adjetivo no mínimo elegante para qualificar quem os trancafia em um viveiro, obrigando-os a uma “loteria gastronômica”, forçada e diferente de sua alimentação natural.

E nem tecerei aqui, comentários a respeito do estresse gerado para o animal decorrente das barulhentas “visitas”. É desnecessário.

Os animais em zoológicos são a ponta do Iceberg dessa empresa. Por trás há inúmeros fatores que formam uma cadeia de horrores para outras espécies também. Uma delas é a existência de biotérios, terceirizados ou dentro dos próprios Zôos, que são lugares específicos onde são criados animais vivos para alimentar os animais cativos. No Brasil são criados, para esse fim, ratos, porquinhos da índia, gansos, pintinhos e etc. Esses seres vivos, considerados “alimento” no contexto, são manipulados, criados e administrados com a naturalidade de quem dá uma banana a um macaco. São “coisas” como regem os preceitos do antropocentrismo e do especismo. Os ecocentricos dirão que é muito boa essa preocupação com a alimentação dos animais. E que não há dilemas morais, pois na natureza existe a relação predador/presa. Sim. NA NATUREZA. Mas, novamente a pergunta que se deve fazer é: Não existir animais enjaulados não seria infinitamente melhor?

Outro fenômeno que ocorre na maioria dos Zoológicos e confesso, para mim é novidade: a distinção entre “animais em exposição” e “animais excedentes”.

Os animais em exposição (no contexto, como se fossem agora, peças de uma galeria de arte) são aqueles que o público enxerga. Aliás, a maioria deles é recolhida à noite, gerando mais estresse. Os “animais em exposição” ficam nas partes divulgáveis do Zoo. Nas áreas que estão longe dos olhos do público, existem pequenas jaulas com os “animais excedentes”, ou seja, os que sobraram da reprodução em cativeiro, ou de trocas com outros Zoológicos. Ou até mesmo os animais doentes ou que desenvolveram a (novamente ela) neurose de cativeiro. Claro que não é conveniente que o público tenha contato com comportamentos como automutilações, coprofagia, canibalismo e outros desenvolvidos em animais privados de sua liberdade. A visão desses comportamentos pode começar a atenuar a “cegueira conveniente” do grande público. Não é recomendável. Nessas áreas, até são permitidas visitas técnicas. Mas são terminantemente proibidas fotos e filmagens, por razões óbvias aos olhos da Ética Biocêntrica. Uma das monitoras, quando questionada sobre o porquê das fotos serem proibidas, disse não saber. Fiquei me questionando se a resposta foi estratégica, se foi repetida como mantra, se ela simplesmente não se importa, ou se a cegueira a acomete também. Nas áreas dos “animais excedentes”, foi possível observar em vários zoológicos que o espaço em que os animais estão confinados é bem menor que o dos animais “em exposição”. Logo nos perguntamos: o que dizer da preocupação com o “bem estar animal”, ou com “enriquecimento ambiental” para os animais dessas áreas? Também não obtive respostas convincentes. Só evasivas. Não insisti mais porque as respostas ficaram óbvias demais.

Na esteira dos Zoológicos, seguem aquários, serpentários, oceanários, circos, projetos de “preservação” e etc. que, pela tradição antropocêntrica possuem um propósito educativo “inquestionável”. Mas basta um breve passeio, com esse olhar biocêntrico, diferente do que nos foi imposto a acreditar a vida toda, para que o apelo silencioso e profundo de cada animal se faça presente e toque fundo nossa alma toda vez que visitarmos um Zoológico ou algo semelhante. Essas mudanças de perspectiva, segundo Arthur Conan Doyle, equivalem a uma conversão religiosa: nada mais será visto da mesma maneira que era antes.

Mesmo com todas essas “justificativas”, que sob minha perspectiva, não passam de falácias, ainda acredito que o “simples” fato de um animal ter sua liberdade restringida, impedida, seqüestrada para a concepção medieval de satisfazer as curiosidades e prazeres humanos, é a base do meu repúdio a esse tipo de exploração, sem mais considerações.

Mas a esperança se renovou quando vi a reação da maioria dos meus alunos, acadêmicos de Licenciatura em Ciências Biológicas, durante a visita. Quando ouvi, em cada comentário a indignação, a revolta e a preocupação de fazer uma abordagem ambiental realmente crítica na escola. Quando vi em cada rosto a angústia pelos animais e a cegueira se dissipando, pensei: é um trabalho que vale a pena. Pois não deixo de mencionar em minhas aulas a importância de se olhar o outro lado. Por isso acredito na chamada Educação Ambiental Biocêntrica. E libertária. Com as pessoas livres para optar pelo modelo de Ética que pautará sua passagem pela Terra. E essa escolha, meus alunos fizeram por si. Não foi imposta. Em sua formatura, não farão de seu Juramento, outra falácia:“Juro, pela minha fé e pela minha honra e de acordo com os princípios éticos do Biólogo, exercer as minhas atividades profissionais com honestidade, em defesa da vida, estimulando o desenvolvimento científico, tecnológico e humanístico com justiça e paz”. (enunciado regulamentado pelo Conselho Federal de Biologia - Decreto nº 88.438, de 28 de junho de 1983). “Defesa da vida” e “justiça e paz” entende-se, para todas as espécies.

Enquanto houver zoológicos, aquários, serpentários do tipo “vitrine”, espero que existam educadores como meus alunos, (que ainda não se formaram, mas já são biólogos de coração), capazes de fazerem com seus alunos, excursões a esses verdadeiros infernos (para os animais), capazes de realizar essas visitas com vistas a ação.  Capazes de conduzir uma discussão sob outra ótica, sob outra ética.

Por.: Marcela Teixeira GodoyBióloga e Professora Universitária).
Ponta Grossa, 01 de Dezembro de 2010.

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Vivissecção: Mal Necessário?


Por vivissecção entendemos o uso de animais vivos como cobaias em laboratórios de pesquisa biológica ou biomédica. Animais vêm sendo utilizados como cobaias em investigações e explorações sobre a natureza há muito tempo. Sabemos, por exemplo, que Aristóteles observou e dissecou cadáveres de animais e lemos algumas das conclusões por ele obtidas em sua História dos Animais ou em Partes dos Animais ou em seus textos sobre o Movimento dos Animais, a Progressão dos Animais e aGeração dos Animais.

Sabemos também dessa prática, já no Renascimento, associada aos estudos de anatomia de Andrea Vesalius ou mesmo de Leonardo da Vinci, em um momento em que a valorização do experimento preparava a revolução científica do século 17. O passo decisivo, entretanto, para que a vivissecção assumisse a importância que hoje em dia lhe é atribuída no meio científico foi dado pelo fisiologista francês a Claude Bernard (1813-1878) em sua Introdução ao Estudo daMedicina Experimental, publicada em 1865. Claude Bernard é considerado o pai da moderna fisiologia experimental e o que fez para receber tal homenagem foi justamente tratar a vivissecção como parte indispensável do método experimental nas ciências biomédicas.

Questionamento

Entretanto, o quadro apresentado acima, muito lido simplesmente como mais um capítulo enfadonho da história da ciência (deveríamos dizer "histórias das ciências"), suscita questionamentos importantes quando examinado mais atentamente. Considere-se, por exemplo, que a filha e a esposa de Claude Bernard, após o abandonarem, fundaram a primeira sociedade antivivisseccionista francesa, em reação aos horrores que presenciavam em sua própria casa. Bernard mantinha um laboratório e um biotério nos porões de sua residência, de onde se podia ouvir, dia e noite, os gritos desesperados dos animais que eram ali diariamente torturados. É importante saber que se estima que em apenas 15% dos experimentos envolvendo animais vivos é utilizado algum tipo de anestesia nos dias de hoje (WERMUS, 1984). No tempo de Bernard, esse número era certamente menor. Era comum entre os vivisseccionistas da época - e ainda é hoje em dia - uma concepção mecanicista acerca da natureza que, no caso específico das ciências biomédicas, confundia mecanismo com organismo.

Segundo essa concepção, os seres vivos são considerados máquinas que obedecem apenas a leis mecânicas e que são incapazes de sentir dor. Essa ideia deriva da distinção entre corpo e alma proposta por Descartes, mas não sem lhe fazer injustiça. A injustiça vem da confusão que aqui se opera entre distinção e separação. Corpo e alma são substâncias distintas, diz Descartes nas Meditações e em As paixões da alma, mas inseparáveis.

A analogia, adotada por Claude Bernard, entre o grito do animal que sofre e o ranger das engrenagens de uma máquina explica-se - mas não se justifica - pela consideração unilateral e parcial do composto corpo-alma cartesiano.

Deriva da atenção que se detém nas características do corpo segundo o que nos apresenta Descartes, mas esquece a unidade indissociável entre o corpo e a alma. Se tivermos, portanto, que pensar uma medicina cartesiana, será necessário pensar uma medicina psicossomática e não puramente mecanicista como aquela implicada no modelo assumido por Bernard.

"A concepção materialista acerca dos animais que os vê como meras máquinas bioquímicas, animais sem anima, incapazes de sofrer, inserese no contexto do desencantamento do mundo moderno" [...]

Matéria completa: http://bit.ly/kugO8D

Mais informações /
http://holocaustoanimal.org/laboratorio.htm

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