quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Minuto

A conduta indica a orientação
 espiritual da criatura. 
Surge o ideal realizado, consoante o 
esforço de cada um. 

Amplia-se o ensino, conforme a aplicação
 do estudante. 
Eternidade não significa inércia,
 mas dinamismo incessante. 
O caminho é infinito. 
Quem estabelece a rota da viagem é o viajor. 
Continua, pois, em marcha perseverante, 
gastando sensatamente o tesouro dos dias. 
Em sessenta segundos, a lágrima pode 
transformar-se em sorriso, 
a revolta em resignação e o ódio em amor. 
Nessa mínima parcela da hora, liberta-se o espírito 
do corpo humano, 
a flor desabrocha, o fruto maduro 
cai da árvore e 
a semente inicia a germinação
 da energia latente. 
Analisa o que fazes de tão valiosa
 partícula de tempo. 
Num só momento, o coração escolhe roteiro
 para o caminho. 
Com o Evangelho na consciência, 
o lazer é tão-somente 
renovação de serviço sem mudança de rumo. 
Não desprezes o tempo, em circunstância alguma, 
pois quem espera a felicidade se esmera
 em construí-la. 
A hora perdida é lapso irreparável. 
Dominar o relógio é coordenar 
os sucessos da vida. 
Nos domínios do tempo, controlamos a hora 
ou somos ignorados por ela. 
Por isso, quanto mais a alma se eleva 
em conhecimento, 
mais governa os próprios horários. 
Lembra-te de que as edificações mais
 expressivas são
 formadas por agentes minúsculos 
e de que o século 
existe em função dos minutos. 
Não faz melhor quem faz mais depressa,
 mas sim quem faz com segurança e disciplina,
 articulando ordenadamente os próprios instantes. 
Observa os celeiros de auxílio de que 
dispões e não hesites. 
Distribui os frutos da inteligência. 
Colabora nas tarefas edificantes. 
Estende a solidariedade a benefício de todos. 
Fortalece o ânimo dos companheiros. 
Não te canses de ajudar para que se efetue o melhor. 
O manancial do bem não tem fundo. 
A paz coroa o serviço. 
E quem realmente aproveita o minuto 
constrói caminho reto para a conquista da
 vitória na Divina Imortalidade.


Pelo Espírito André Luiz
Do livro: Sol nas Almas
Médium: Waldo Vieira.
Mensagem enviada carinhosamente para o Hospital Espiritual pelos irmãos do Centro Espírita Caminhos de Luz-Pedreira-SP-Brasil – (www.caminhosluz.com.br).
Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e as fontes.

Tributo a um Cão

...”O  mais  altruísta  dos  amigos  que  o  homem  pode  ter  neste mundo egoísta, aquele que nunca o  abandona  e nunca mostra ingratidão ou deslealdade, é o cão”. 

“Senhores   jurados,   o   cão   permanece   com   seu  dono   na  prosperidade   e   na   pobreza,  na   saúde  e  na  doença. Ele dormirá no chão frio, onde os ventos invernais sopram e a neve se lança impetuosamente.

Quando somente ele estiver ao lado de seu dono, ele beijará  a mão que não tem alimento a oferecer,  ele lamberá as feridas e as  dores  que  resultam  dos  encontros  com   a   violência   do mundo.  Ele  guarda o sono de seu pobre dono como  se fosse um príncipe.  Quando  todos  os amigos o abandonarem, o cão permanecerá.

Quando a  riqueza desaparece e  a reputação  se  despedaça,  ele é constante em seu amor como constante é o sol em sua viagem através do firmamento. 

Se  a  fortuna  arrasta  o  dono  para o exílio, o desamparo e o desabrigo, o cão fiel pede o privilégio maior de acompanhá-lo, para protegê-lo contra  o perigo e  para  lutar contra  seus  inimigos. 

E  quando   a última cena se apresenta, a morte o leva em seus braços e seu corpo é deixado na lage fria, não importa que todos os  amigos  sigam  o seu caminho: Lá,  ao lado de sua sepultura, se  encontrará  seu  nobre  cão,  a  cabeça  entre  as  patas, os olhos  tristes mas em atenta observação, fé e confiança, mesmo à morte.

Este  tributo  foi  apresentado  a um juri pelo ex-senador George G. Vest (então advogado),  que  representou  o  proprietário de um cão morto a tiros, propositadamente,  pelo  vizinho. O fato ocorreu há um século na cidade de Warrensburg, Missouri, nos Estados Unidos.  O senador ganhou  o caso e hoje existe uma estátua do  cão na cidade  e  seu  discurso  está inscrito na entrada do Tribunal de Justiça, ainda existente na cidade.

Mensagem enviada pela irmã Tatiana S. de Almeida – São Paulo – Brasil para o Hospital Espiritual do Mundo.
Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e as fontes.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Experimentar Deus


“Experimentar Deus não é pensar sobre Deus,
 mas sentir Deus com a totalidade de nosso ser”.
Experimentar Deus não é falar de Deus aos outros,
mas falar a Deus junto com os outros.”
Experimentar Deus é tirar o mistério do universo
 do anonimato e conferir-lhe um nome,
o de nossa reverência e de nosso afeto.
“Deus perpassa toda a realidade.
 Pode, por isso, ser percebido e experimentado
nas mais diferentes situações da vida
e em cada detalhe da vida pessoal e do universo.”
“Embora sem nome adequado,
Deus arde em nosso coração e elumina nossa vida.
 Então não precisamos mais crer em Deus.
Simplesmente sabemos dele porque o experimentamos.”
Experimentar Deus...
É percorrer repetidas vezes esse trajeto...
que não será sempre o mesmo,
porque a percepção do viajante
 vai se alterando,  aprofundando.
Não há contradição.
Há sim a liberdade de experimentar
 a Presença que se revela em todas as coisas,
em todas as circunstâncias, em todas as pessoas.
 É experimentar a Presença que se vela, que se retrai
 mas que é presença.
Experimentar Deus...
É experimentar o Mistéiro.
 É estar vivo.

Leonardo Boff é um dos mais conhecidos teólogos da libertação e conferencista requisitado internacionalmente. É professor emérito de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro e autor de diversos livros traduzidos para várias línguas.
Do Livro: Experimentar Deus 
Verus Editora – 3º Edição

Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar autor e a fonte.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Servir para Merecer

Por: Francisco Cândido Xavier

Finalizando as nossas atividades na noite de 4 de agosto de 1955, tivemos a palavra do grande companheiro Antônio Gonçalves Batuíra, denodado pioneiro do Espiritismo no Estado de São Paulo, que, de modo vibrante, nos convocou ao valor moral para mais alto padrão de eficiência da nossa tarefa espírita.

Meus irmãos, que a divina bondade de Nosso Senhor Jesus - Cristo seja louvada. Pedir é mais que natural, no entanto, é razoável saber o que pedimos.

Habitualmente trazemos para o Espiritismo a herança do menor esforço, haurida nas confissões religiosas que nos viciaram a mente no culto externo excessivo, necessitando, assim, porfiar energicamente para que a vocação do petitório sistemático ceda lugar ao espírito de luta com que nos cabe aceitar os desafios permanentes da vida.

No intercâmbio com as almas desencarnadas, procedentes da esfera que vos é mais próxima, sois surpreendidos por todos os tipos de queda espiritual.
Sob tempestades de ódio e lágrimas, desesperação e arrependimento, consciências culpadas ou entorpecidas vos oferecem o triste espetáculo da derrota interior a que foram atiradas pelo próprio desleixo.

É que, soldados da evolução, esqueceram as armas do valor moral e da vontade firme com que deveriam batalhar na Terra, na aquisição do próprio aprimoramento, passando à condição parasitária daqueles que recebem dos outros sem darem de si e acabando o estágio humano, à feição de fantasmas da hesitação e do medo, a se transferirem dos grilhões da preguiça e da pusilanimidade à escravidão àquelas Inteligências brutalizadas no crime que operam, conscientemente, nas sombras.

Levantemo-nos para viver como alunos dignos do educandário que nos recolhe! Encarnados e desencarnados, unamo-nos no dinamismo do bem para situar, sempre mais alto, a nossa oportunidade de elevação.

É inútil transmitir a outrem o dever que nos compete, porque o tempo inflexível nos aguarda, exigindo-nos o tributo da experiência, sem o qual não nos será possível avançar no progresso justo.

Todos possuímos escabroso pretérito por ressarcir, e, dos quadros vivos desse passado delituoso, recolhemos compulsoriamente os reflexos de nossos laços inferiores que, à maneira de raízes do nosso destino, projetam sobre nós escuras reminiscências.

Todos temos aflições e dúvidas, inibições e dificuldades, e, sem elas, certamente estaríamos na posição da criatura simples, mas selvagem e primitivista, indefinidamente privada do benefício da escola.

Clareemos o cérebro no estudo renovador e limpemos o coração com o esmeril do trabalho, e, então, compreenderemos que o Senhor nos emprestou os preciosos dons que nos valorizam a existência, não para rendermos culto às facilidades sem substância, engrossando a larga fileira dos pedinchões e preguiçosos inveterados, mas sim para que sejamos dignos companheiros da luz, caminhando ao encontro de seu amor e de sua sabedoria, com os nossos próprios pés.

Saibamos, assim, aprender a servir para merecer.

Pelo Espírito Batuíra
Do livro: Vozes do Grande Além
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos.

Mensagem enviada carinhosamente para o Hospital Espiritual pelos irmãos do Centro Espírita Caminhos de Luz-Pedreira-SP-Brasil – (www.caminhosluz.com.br)
Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e as fontes.

sábado, 23 de abril de 2011

TERAPIAS DE VIDAS PASSADAS



Em busca de cura para dores físicas ou superação de traumas, brasileiros recorrem à Terapia de Vidas anteriores.

DOR DE GARGANTA E OBSESSÃO PELA BELEZA
Já tinha procurado todo tipo de tratamento para resolver minhas crises de garganta. Cheguei a ser internada e tomei vários antibióticos, mas nada resolvia. Então, optei pela regressão. Descobri que fui uma prostituta obcecada pela beleza e alimentei uma disputa com a dona do bordel, que colocou veneno no meu vinho. Foi assim que eu morri. Depois do tratamento, deixei de me preocupar tanto com a minha aparência e as dores de garganta desapareceram. T.C., 25 anos.

A Terapia de Vidas Passadas (TVP) sempre foi vista com ceticismo por psicólogos e psiquiatras, além de ser condenada por espíritas, que consideram um erro trazer o passado de volta. Ainda assim, o interesse pelo tratamento, que transita na fronteira entre a crença e a ciência, tem aumentado no Brasil e os institutos e sociedades especializadas capacitam cada vez mais psicólogos no polêmico método terapêutico. Quem o procura são pessoas que não conseguem curar uma dor física com a ajuda da medicina tradicional ou superar um trauma com as terapias da psicologia convencional.

Muitas delas não tiveram um episódio na vida que justificasse pânico de água, pavor de lugares fechados ou multidão, ou ainda uma experiência negativa que determinasse dificuldade de estabelecer relacionamentos. Outras conviviam com dores inexplicáveis no corpo. A resposta para esses males só apareceu depois de uma regressão ao que seria uma vida anterior.

“Tinha muito medo de mergulhar e procurei a TVP para entender o motivo. Foi quando descobri que morri afogado depois que o mar invadiu minha casa”, conta o paulista Paulo Minoru Minazaki Júnior, 33 anos, que hoje se sente à vontade na água. Na TVP, o indivíduo entra num processo de transe hipnótico superficial e estabelece contato com imagens e sons fora da consciência. Supostamente viaja mentalmente ao passado, onde confronta sua própria personalidade, obtém novas informações sobre o seu caráter, vivências e experiências e o mais importante: uma explicação de por que repete determinados padrões de comportamento.

MEDO DE RELACIONAMENTOS AMOROSOS
Aos 28 anos, eu nunca tinha namorado ninguém. Sempre que o relacionamento começava a dar certo, eu inventava um motivo para terminar. Procurei várias terapias convencionais, mas nada me ajudou a entender o motivo. Após a regressão às vidas passadas, descobri que tinha medo de me comprometer porque fiquei viúva nas últimas cinco vidas, poucos anos após o casamento. Precisei de algumas sessões de terapia para me recuperar e esquecer aquele passado. Hoje, sou muito bem resolvida e vivo as relações sem medo. O que passou, passou”. Vera Barroso, 40 anos.

Histórias de pessoas que morreram em batalhas, foram assassinadas de forma violenta ou viveram entre a realeza antiga recheiam o repertório de quem diz ter se reencontrado numa vida anterior. Mas será que tudo não passa da imaginação? A psicoterapeuta transpessoal Suely Moliterno, que trabalha há 17 anos com TVP, refuta a hipótese e afirma que o estado de consciência, necessário para a imaginação, é praticamente eliminado na regressão. “No estado alfa, a racionalidade participa pouco do processo. A pessoa não conseguiria inventar histórias numa narrativa tão lógica”, afirma. A psiquiatra Maria Teodora Ribeiro Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Terapia de Vidas Passadas (SBTVP), vai além e aposta na reencarnação. “Trata-se de fato da lembrança de uma vida passada. Estamos elaborando os protocolos científicos para validar o tratamento”, afirma.

Entre os casos apresentados pela SBTVP – que promoverá, entre os dias 22 e 24 de maio, o VI Congresso Internacional de Terapia de Vidas Passadas – está o relato de uma senhora que regrediu à vida anterior e descreveu sua história numa cidade do interior de Minas Gerais, mesmo sem nunca ter ido lá. Depois da terapia, ela foi até o local e teve acesso aos registros que comprovam a existência da pessoa que viu na regressão, além dos detalhes da sua vida pessoal. Situações semelhantes foram catalogadas no livro A física da alma, de Amit Goswami (Editora Aleph), que conta histórias de crianças em processo regressivo que, depois do tratamento, identificaram cidades, pessoas e objetos escondidos que viram durante a hipnose. O fenômeno, ainda estranho aos ocidentais, é amplamente difundido na cultura oriental. Um dos exemplos é o que ocorre durante a seleção do substituto do líder budista Dalai-Lama. O candidato deverá provar, ainda criança, que é o Buda reencarnado, recitando textos e localizando objetos sagrados, mesmo sem nenhuma informação – apenas através da regressão a uma vida anterior.

Desde o surgimento da psicanálise, o inconsciente passou a ser estudado pelo viés científico, o que permitiu que a técnica de regressão à vida intra-uterina fosse legitimada como método terapêutico. As vidas passadas, porém, permanecem confinadas ao campo místico. Mas, se a psicanálise aceita o inconsciente, a ciência deixou uma questão no ar: para onde vai a energia envolvida nestes processos mentais após a morte?


RAIVA E FALTA DE AR
Fiz terapia de vidas passadas quando me formei em psicologia, para entender o processo. Mas tive revelações sobre coisas que nem passavam pela minha cabeça. Entendi por que eu detestava duas pessoas da minha família e compreendi meu medo de lugares fechados. Descobri que estas pessoas mandaram me matar, mas eu não percebi que havia morrido. Cheguei a acompanhar o meu velório, mas sem saber que era meu. Eu sentia falta de ar em lugares fechados porque me sentia dentro de um caixão. Após a regressão, consegui aceitar a minha morte e deixei de ter raiva daquelas pessoas. Parece que eu tirei um colete de chumbo das minhas costas. Foi um alívio. Cláudia Geminiani, 32 anos.

“A consciência não morre, ela vai para um universo multidimensional em forma de elétrons”, disse à ISTOÉ Patrick Drouot, Ph.D. em física quântica, que já pesquisou mais de 30 mil pessoas em processo de regressão. Para ele, as crianças têm mais facilidade para entrar em contato com estas partículas cósmicas no processo regressivo porque estão menos presas à realidade material. “Não é possível voltar ao passado fora do estado de relaxamento porque a mente humana não comporta tanta informação”, explica. O Ph.D. em física nuclear Amit Goswami, pesquisador do Instituto de Ciências Teoréticas da Universidade de Oregon (EUA), compara a regressão às experiências de quase-morte. “É um encontro intenso com a consciência deslocada do corpo e seus diversos arquétipos através da telepatia. Para cada corpo físico há no universo um estado supramental de natureza quântica que lhe corresponde”, afirma. Segundo os físicos, esta ‘memória quântica’, armazenada em partículas no universo, é formada a partir da repetição de padrões de comportamento dos indivíduos em suas várias vidas. Em outras palavras, é o que alguns religiosos chamam de carma. 

Nem todos os terapeutas da TVP julgam necessário validar a tese das vidas passadas, e focam o tratamento no discurso do paciente. “O que vale é o relato do inconsciente que revela questões desconhecidas pelo paciente as quais limitam a sua vida”, afirma Noeli Heredia, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa em Terapia Regressiva. “Independentemente de ser uma vida passada, o valor da técnica está em liberar as emoções negativas para modificar o padrão de comportamento do indivíduo e curar as suas dores”, concorda a psicoterapeuta Suely Moliterno.

Mesmo com relatos de sucesso no processo de cura de dores físicas ou de transtornos mentais, o Conselho Federal de Psicologia não reconhece a técnica.“Não há nada na ciência que comprove que o indivíduo tenha outras vidas e que possa voltar a elas”, afirma o presidente da instituição, Humberto Verona. Além disso, segundo ele, o interesse pelas supostas vidas passadas tem de vir do paciente, e jamais ser induzido pelo profissional. “Em 90% dos processos de pacientes contra a TVP, fica provada a tentativa do profissional de associar a terapia a alguma religião”, revela.

PÂNICO DE MULTIDÃO E LUGARES CHEIOS
Tinha pavor de lugares cheios. Multidões ou tumultos me deixavam transtornado. Desde criança, ficava incomodado até com as formações em fila para cantar o Hino nacional. Sempre que ia a algum lugar, ficava próximo à saída de emergência. Até que a fobia começou a me impedir de sair.
Procurei a terapia de vidas passadas, apesar de não acreditar totalmente na técnica. Não sei se o que vi aconteceu mesmo ou se foi uma projeção do meu medo, mas na regressão me vi num lugar muito cheio e ouvi uma explosão muito forte. As pessoas corriam desesperadas, muito machucadas. Acordei suado, chorando e muito emocionado. Não posso negar que o resultado foi bom. Venci o medo. Lincoln Kennedy da Silva, 40 anos. Até o poder de cura da TVP é questionável, segundo especialistas. “Existem dores físicas que são somatizadas por situações de stress e que podem desaparecer através de um processo hipnótico. Mas o problema é que elas sempre voltam, às vezes em outro local, caso não haja um acompanhamento por uma terapia tradicional”, afirma a psiquiatra Marli Piva, para quem dores musculares, crises de garganta e palpitações cardíacas são os efeitos mais comuns de stress emocional.

Não foi o que aconteceu com a carioca Ana Beatriz Berlinck, 47 anos. Vítima de fortes crises de coluna, ela procurou diversos ortopedistas e tomou todo tipo de remédio, mas nada aliviava suas dores. Sua última tentativa foi a Terapia de Vidas Passadas. Na regressão, ela descobriu que teria sido um soldado romano que morreu atingido por uma flecha no local cronicamente dolorido. Bastou se confrontar com a descoberta para se curar. “Me livrei de vez da dor, e sem remédios”, comemora.

DIFICULDADE DE MERGULHAR
Eu conseguia nadar, mas a idéia de mergulhar me apavorava. Perguntei aos meus pais se havia tido alguma experiência traumática na infância, mas eles disseram que nada havia ocorrido. Durante a regressão, descobri que morei num país parecido com a Holanda, abaixo do nível do mar. Um dique se rompeu e as ondas invadiram a minha casa. A água foi subindo pelas paredes e a porta travou. Fiquei preso, tentei salvar uma criança e morri afogado.  
Depois do tratamento, perdi o medo de mergulhar e entendi por que me preocupo tanto com meu irmão, que foi o filho que não consegui proteger na outra vida. Paulo Minoru Minazaki Júnior, 33 anos.Na opinião do presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Verona, a cura acontece devido à sensação de conforto pelo fato de o paciente se identificar com o terapeuta. “Elas apenas encontraram no psicólogo uma compatibilidade de crenças que facilitou o processo terapêutico”, afirma. A psiquiatra Marli Piva acrescenta: “A pessoa já se sente aliviada só de achar uma explicação para o seu problema”, diz ela.

Para Gildo Angelotti, diretor-executivo do Instituto de Neurociência e Comportamento, de São Paulo, as vivências relatadas pelos pacientes surgem de memórias inativas que registram imagens de filmes, sons, histórias de livros e tudo que é percebido pelo indivíduo ao longo da vida. “É como um sonho. Quando a pessoa está dormindo, os sentidos são pouco requisitados e sobra mais espaço para o resgate destes registros históricos. Mas a reunião destes elementos vem da mente do próprio indivíduo, não de outras vidas.” Na opinião dele, a TVP chega a ser arriscada aos pacientes psicóticos ou esquizofrênicos, que podem ter uma reação violenta a partir das revelações ou ficarem obcecados em encontrar nesta vida as pessoas do passado.

No estado de inconsciência proporcionado pela TVP, as pessoas choram, gritam, suam, riem, narram as histórias com riqueza de detalhes e, surpreendentemente, conseguem lembrar de tudo depois que voltam à consciência. Todo o processo é filmado ou gravado em áudio, e os psicólogos pouco interferem no processo. Mas nem todos os pacientes conseguem regredir logo nas primeiras consultas. “A terapia não é indicada aos excessivamente céticos ou incrédulos em relação à regressão e à reencarnação. Eles não conseguem se desligar do mundo externo e voltar às suas outras vidas”, diz Osvaldo Shimoda, especialista em terapia regressiva evolutiva.

Na opinião da terapeuta Noeli Heredia, o importante é o bem-estar do paciente e a técnica só é válida se o profissional ajudá-lo a se desprender do passado e quebrar os padrões de comportamento no seu dia-a-dia. “As pessoas devem entender que não são vítimas, mas protagonistas da sua própria história. O paciente deve se olhar de forma crítica e perceber que é o responsável pelo que acontece na sua vida”, afirma.

Agradecimento: Fórmula Academia (SP)























REVISTA “ISTOÉ” – Ed.2003 – 26/03/2008 

Matéria: “Reencontrando o Passado” 
Por: Carina Rabelo 
Foto: Roberto Castro /AG. ISTOÉ
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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Perdoando e Crescendo

Por: Sérgio Aparecido Alvim

“Perdoar aos inimigos é pedir perdão para sim mesmo...”

“... porque se sois duros, exigente, inflexível, se tende rigor mesmo por uma ofensa leve, como quereis que Deus esqueça que, cada dia, tende maior necessidade de indulgência?...”
(ESSE cap. X, item 15)

Quando o Divino Mestre esteve entre nós, diante de suas belas e fraternas lições, ele veio nos falar da grande necessidade de perdoarmos sempre quando nos sentirmos ofendidos, então, ele nos trazia suas parábolas, onde ilustrava seus magníficos ensinamentos, para que pudéssemos refletir através delas, nos colocando em posição para melhor entendimento de sua mensagem.

Mas o próprio Cristo entendia nossas grandes limitações para o compreendemos da forma como deveríamos, foi então que ele nos prometeu o seu Consolador, que nos ajudaria a alcançarmos melhores condições de entendermos tantas coisas que antes não podíamos, Jesus tinha consciência de que estaríamos mais “maduros”, e neste momento nos enviaria seus emissários de luz, que nos trariam tantos esclarecimentos para que pudéssemos nos enriquecer ainda mais através de seu Evangelho, mesmo depois de dois milênios, condenando a nevoa densa da ignorância e nos libertando dos dogmas fortalecedores do fanatismo,nos trazendo a fé raciocinada para que através de nossas sábias escolhas , pudéssemos trilhar firmes no caminho rumo á perfeição, como espíritos imortais que somos.

Depois da codificação da Doutrina de Luz enviada pelo Mestre, hoje mais esclarecidos do que antes, já temos a plena consciência de que alem de buscarmos efetivamente os devidos esforços para nutrirmos um sentimento de maior compreensão uns com os outros, examinando o nosso irmão como ser que esta na luta pelo aprimoramento espiritual como todos nós estamos, também já nos conscientizamos da grande responsabilidade que temos, quando observamos que o nosso hoje é fruto de nosso ontem e que se estamos em determinada condição de “ofendidos”, que isso nada mais é, do que uma grande oportunidade para demonstrar algum aprendizado do Evangelho do Cristo-“Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente.”- mas também não podemos esquecer de que o cultivo no passado de grandes indiferenças com aqueles que nos ladeiam em nossa jornada para a luz, nos traz a colheita certa hoje, que de alguma forma pode nos beneficiar, se formos testemunhos fiéis das lições do Cristo.

“O perdão é, pois, remédio santo para a euforia da mente na luta cotidiana.” (Palavras de Vida Eterna-Emmanuel-Francisco Cândido Xavier)

Era isso que o Mestre queria nos ensinar, a necessidade de nos perdoarmos sempre, todas as vezes que fosse necessário o nosso perdão, pois só assim, aos poucos, de acordo com nossas boas conquistas, e de acordo com nossas vitórias, de não tratarmos mais com tanta indiferença uns aos outros, mas nos olharmos como irmãos, nos tornaríamos mais compreensivos mutuamente, seriamos maiores do que as pequenas rasuras que a convivência nos proporciona e assim seriamos seres mais felizes e mais fraternos.

Entretanto para podermos lograr efetivamente a posição de verdadeiros cristãos que lutam para superar a ignorância que retarda nosso aprimoramento espiritual, devemos também aprender a nos perdoar, livrando-nos das penitencias impróprias, dos processos de culpa, que nada mais são do que verdadeiros instrumentos devassadores da alma, devemos nos libertar da posição de algozes de nós mesmos, nos possibilitando ao reajuste necessário, nos colocando na posição real de que somos almas ainda na marcha pela perfeição, merecedores de nossa própria indulgencia.

Quantos são os irmãos que ainda estão estagnados na marcha para a Luz, pois não conseguiram se libertar das culpas provenientes de um passado equivocado e sofrem por estarem ainda muito ligados a sentimentos de culpas pelos atos cometidos no pretérito, nesta o em outras vidas, entregando-se a processos obsessivos que fatalmente farão surgir os transtornos mentais, causando uma completa falta de autoridade sobre si mesmo, colocando-se a disposição daqueles entes equivocados que não desejam o nosso melhoramento espiritual, por mera igonarancia, ou ainda colocando a criatura a mercê dos narcóticos, surgindo à dependência química que escraviza e limita a criatura.

“... Suas raízes podem estar fixadas no pretérito – erros e crimes ocultos que não foram justiçados – ou em passado próximo, nas ações da extravagância ou da delinqüência. Geradora de graves distúrbios, a culpa deve ser liberada, a fim de que os seus danos desapareçam. (Joanna de Angelis-Livro: Momentos de Consciência. Psicografia de Divaldo P. Franco (T-04)

Para nos livrarmos do fardo pesado do passado, Deus nosso Pai que em sua bondade, justiça e misericórdia, nos dá a cada dia novas oportunidades para recomeçarmos e para buscarmos uma vida nova, cheia de bênçãos e de momentos para ajustarmos o que fizemos contra nós e contra aqueles que caminham conosco nesta Terra Santa e abençoada, muito abençoada por aquele que esteve entre nós um dia, se dignando a estar perto de nós para que pudesse provar seu grande e incondicional amor , quando ainda na cruz,lá no calvário, nos seus derradeiros momentos, em meio a tanto sofrimento, ele ainda nos perdoou-“Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”

“Não atingiremos a paz sem desculpar os erros alheios que, em outras circunstancias, poderiam ser os nossos...”(Ave Cristo)

Título : Perdoando e Crescendo
Autor: Sérgio Aparecido Alvim
Fonte: O Mensageiro – Revista Espírita Cristã do Terceiro Milênio - http://www.omensageiro.com.br

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Espírita e a Páscoa

 Escrito por Rudymara

Páscoa é uma palavra hebraica que significa "libertação". Com o êxodo, a Páscoa hebraica será a lembrança perpétua da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito, através de Moisés.Assumida pelos cristãos, a Páscoa Cristã será a lembrança permanente de que Deus libera seu povo de seus "pecados" (erros), através de Jesus Cristo, novo cordeiro pascal.  O ritual da Páscoa mantém viva a memória da libertação, ao longo de todas as gerações."Cristo é a nossa Páscoa (libertação), pois Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" - (João, 1:29).

João usou o termo Cordeiro, porque usava-se na época de Moisés, sacrificar um cordeiro para agradar á Deus. Portanto, dá-se a idéia de que, Deus sacrificou Jesus para nos libertar dos pecados. Mas para nos libertarmos dos "pecados", ou seja, dos erros, devemos estar dispostos a contribuir, utilizando os ensinamentos do Cristo como nosso guia. Porque Jesus não morreu para nos salvar; Jesus viveu para nos mostrar o caminho da salvação.

Esta palavra "salvação", segundo Emmanuel, vale por "reparação", "restauração", "refazimento". Portanto, "salvação" não é ganhar o reino dos céus; não é o encontro com o paraíso após a morte; salvação é "libertação" de compromisso; é regularização de débitos. E, fora da prática do amor (caridade) de uns pelos outros, não seremos salvos das complicações criados por nós mesmos, através de brigas, violência, exploração, desequilíbrios, frustrações e muitos outros problemas que fazem a nossa infelicidade.

Portanto, aproveitemos mais esta data, para revermos os pedidos do Cristo, para "renovarmos" nossas atitudes. Como disse Celso Martins, no livro "Em busca do homem novo" : "Que surja o homem NOVO a partir do homem VELHO. Que do homem velho, coberto de egoísmo, de orgulho, de vaidade, de preconceito, ou seja, coberto de ignorância e inobservância com relação às leis Morais, possa surgir, para ventura de todos nós, o homem novo, gerado sob o influxo revitalizante das palavras e dos exemplos de Jesus Cristo, o grande esquecido por muitos de nós, que se agitam na presente sociedade tecnológica, na atual civilização dita e havida como cristã.

Que este homem novo seja um soldado da Paz neste mundo em guerras. Um lavrador do Bem neste planeta de indiferença e insensibilidade. Um paladino da Justiça neste orbe de injustiças sociais e de tiranias econômicas, políticas e/ou militares. Um defensor da Verdade num plano onde imperam a mentira e o preconceito tantas e tantas vezes em conluios sinistros com as superstições, as crendices e o fanatismo irracional.
Que este homem novo, anseio de todos nós, seja um operário da Caridade, como entendia Jesus: Benevolência para com todos, perdão das ofensas, indulgência para com as imperfeições alheias."

Por isso, nós Espíritas, podemos dizer que, comemoramos a páscoa todos os dias. A busca desta "libertação" e/ou "renovação" é diário, e não somente no dia e mês pré determinado. Queremos nos livrar deste homem velho.  Que ainda dá maior importância para o coelhinho, o chocolate, o bacalhau, etc., do que renovar-se. Que acha desrespeito comer carne vermelha no dia em que o Cristo é lembrado na cruz. Sem se dar conta que o desrespeito está em esquecer-se Dele, nos outros 364 dias do ano, quando odiamos, não perdoamos, lesamos o corpo físico com bebidas alcoólicas, cigarro, comidas em excesso, drogas, sexo desregrado, enganamos o próximo, maltratamos o animal, a natureza, quando abortamos, etc. Aliás, fazemos na páscoa o que fazemos no Natal. Duas datas para reflexão. Mas que confundimos, infelizmente, com presentes, festas, comidas, etc.

Portanto, quando uma instituição espírita se propõe a distribuir ovos de páscoa aos carentes não significa que esteja comemorando esse dia, apenas está cumprindo o preceito de caridade, distribuindo um pouco de alegria aos necessitados.
  
Aspectos Históricos dos Ovos de Páscoa
Na antigüidade os egípcios e persas costumavam tingir ovos com cores da primavera e presentear os amigos. Para os povos antigos o ovo simbolizava o nascimento. Por isso, os persas acreditavam que a Terra nascera de um ovo gigante.

Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. Nos países da Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em outros, como na Alemanha, o costume era presentear as crianças. Na Armênia decoravam ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras figuras religiosas.
Os ovos não eram comestíveis, como se conhece hoje. Era mais um presente original simbolizando a ressurreição como início de uma vida nova. A própria natureza, nestes países, renascia florida e verdejante após um rigoroso inverno.

Em alguns lugares as crianças montam seus próprios ninhos e acreditam que o coelhinho da Páscoa coloca seus ovinhos. Em outros, as crianças procuram os ovinhos escondidos pela casa, como acontece nos Estados Unidos.
Antigamente, me lembro, há mais de 20 anos, o costume era enfeitar e pintar ovos de galinha, sem gema e clara, e recheá-los com amendoim revestido com açúcar e chocolate. Os ovos de Páscoa, como conhecemos hoje (de chocolate), era produto caro e pouco abundante.

De qualquer forma o ovo em si simboliza a vida imanente, oculta, misteriosa que está por desabrochar. A Páscoa é a festa magna da cristandade e por ela celebramos a ressurreição de Jesus, sua vitória, sua morte e a desesperança (Rm 6.9). É a festa da nova vida, a vida em Cristo ressuscitado. Por Cristo somos participantes dessa nova vida (Rm 6.5).

O Chocolate

Essa história tem seu início com as civilizações dos Maias e Astecas, que consideravam o chocolate como algo sagrado, tal qual o ouro. Os astecas usavam-no como moeda.
Na Europa aparece a partir do século XVI, tornando-se popular rapidamente. Era uma mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. O chocolate, na história, foi consumido como bebida. Era considerado como alimento afrodisíaco e dava vigor. Por isso, era reservado, em muitos lugares, aos governantes e soldados. Os bombons e ovos, como conhecemos, surgem no século XX. 

Por: Rudymara
Texto: O Espírita e a Páscoa
Fonte : Revista Cristã Espírita / www.rcespiritismo.com.br    

Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar autor e a fonte.

Visão Espírita da Páscoa


Por: Marcelo Henrique

                                       
Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.

Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus? Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.

O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.

A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.

Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.

Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado neste último filme hollyodiano (A Paixão de Cristo, segundo Mel Gibson) –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus. No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios. 

A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem. Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Rabino”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”.

E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.

A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra. Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe.
Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.

Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a Vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.

Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.

Texto: Visão Espírita da Páscoa
Por: Marcelo Henrique
Perfil: Diretor de Política e Metodologias de Comunicação, da Abrade (Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo) e Delegado da CEPA (Confederação Espírita Pan-Americana) para a Grande Florianópolis-SC. 
Extraído do Site: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br   

Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar autor e a fonte.