quarta-feira, 20 de abril de 2011

A PREMONIÇÃO SOB A LUZ DA CIÊNCIA


Estudo feito por um renomado psicólogo da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, reacende o debate sobre a capacidade humana de antever o futuro.

OUSADIA
Um dos melhores pesquisadores de sua geração, o psicólogo Daryl J. Bem transgrediu as regras da academia ao estudar sobre premonição.

Num diálogo do livro “Alice no Outro Lado do Espelho”, de Lewis Carroll, a continuação do clássico “Alice no País das Maravilhas”, a Rainha Branca diz à Alice que tem memória nos dois sentidos, para o passado e para o futuro.

Tese que a menina considera um absurdo: “Ninguém pode acreditar em coisas impossíveis”, rebate. A soberana, no entanto, explica que é somente uma questão de prática e a aconselha a imaginar ao menos seis coisas impossíveis antes mesmo do café da manhã. Menos cético que a carismática personagem, o renomado professor americano Daryl J. Bem, um dos mais proeminentes pesquisadores de psicologia de sua geração, segundo o “The New York Times”, ousou deixar de lado a regra silenciosa que paira sobre o ambiente acadêmico, segundo a qual tudo o que foge de uma explicação racional deve ser solenemente ignorado. E desobedeceu a esse hermetismo em grande estilo, ao investigar a capacidade humana de antever o futuro, popularmente conhecida como premonição. Tal qual a Rainha Branca, ele crê na memória com a seta indicando para a frente.

ESTUDO
O procurador aposentado Valter Borges montou um instituto de pesquisa após a premonição da morte do filho.
O mais recente estudo de Bem, publicado no “Journal of Personality and Social Psychology”, da Associação Americana de Psicologia, teve um efeito explosivo sobre a comunidade internacional. Menos por seu conteúdo, também bastante surpreendente, e mais pelas credenciais de seu autor, um notório professor de psicologia da Universidade de Cornell, Nova York, uma das mais prestigiosas dos Estados Unidos. Ele tem mais de 70 artigos publicados e é formado em física pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Até então, os trabalhos sobre as chamadas percepções extrassensoriais, também conhecidas como ESP (sigla em inglês para extrasensory perception) eram considerados menores, pouco científicos. O de Bem e sua equipe quebraram essa escrita. Em sua pesquisa, Daryl J. Bem relata nove experimentos feitos com mais de mil universitários. Os testes, reproduções de estudos clássicos sobre percepção extrassensorial, eram extremamente simples (leia quadro na pág. 50). Neles, os participantes tinham que antever que tipo de imagem iria aparecer no computador ou em qual das duas janelas mostradas na tela iria surgir uma foto. Quando o conteúdo em questão tinha um teor erótico, os estudantes acertavam mais.

“Isso entre pessoas comuns, escolhidas de forma aleatória. Meu palpite é de que se eu usar gente mais talentosa, melhor nisso, elas poderão prever qualquer foto”, disse o pesquisador, sem explicar o que quer dizer, ao certo, “gente mais talentosa.”

CHOQUE
A funcionária pública Erilene Pereira anteviu dois acidentes de carro, com o filho e o cunhado.
Segundo Bem, em oito dos nove experimentos houve um índice de acerto acima do que é considerado coincidência ou obra do acaso. Também foi feito um teste no qual o aluno escolhia se queria arriscar mais nas respostas ou se desistia de tentar. “Os que aceitaram correr mais riscos foram os que tiveram mais acertos”, conta Bem. O psicólogo é cuidadoso ao tirar suas conclusões, mas acredita que todo mundo pode ter capacidades precognitivas, embora uns as tenham mais desenvolvidas do que outros.

Também explica que as percepções extrassensoriais são fruto do processo evolutivo no qual antever situações de perigo ou propícias à reprodução se tornaram vantajosas ferramentas de sobrevivência. Isso ajudaria a comprovar a existência de premonições.

Outra pesquisa, feita com universitários brasileiros, mostra que pensamentos premonitórios rondam o inconsciente bem mais do que se imagina. Segundo o trabalho realizado em 2008 na Universidade de São Paulo, 71,5% relataram premonição através de sonhos (leia quadro na pág. 55). No Instituto do Sono, de São Paulo, 30% dos pacientes contam ter sonhado com algo que depois se concretizou.

Apesar de ser comum e fazer parte da vida de muitos brasileiros, essa capacidade de antever o futuro ainda é encarada como um grande mistério. Poucos cientistas se dispõem a estudar o tema e, mais do que isso, se recusam a comentá-lo. Lá fora, não é diferente. O artigo produzido em Cornell foi recepcionado com duras críticas. Ray Hyman, professor de psicologia da Universidade de Oregon (EUA), disse ao jornal “The New York Times” que o trabalho é loucura pura. “É um embaraço para a categoria”, atacou. Uma das censuras recebidas foi pelo fato de o professor Bem ter avisado os estudantes de que se tratava de um teste de premonição, o que pode ter influenciado as respostas. O físico Rory Coker, da Universidade do Texas (EUA), um crítico contumaz do que chama “pseudociência”, também fez ressalvas ao colega pesquisador. “A ciência não ignora os fenômenos paranormais, o problema é que tudo o que se vê são estudos feitos para provar aquilo no que se acredita. Dificilmente há resultados significativos e poucos trabalhos são reproduzíveis”, disse à ISTOÉ.

Daryl Bem não é o único acadêmico a colocar a mão nesse vespeiro ao longo da história. Em 1934, o professor Joseph Banks Rhine lançou a primeira edição do livro “Percepção Extrassensorial” a partir de vários testes realizados na Universidade de Duke (EUA). Foi ele quem cunhou o termo “parapsicologia” como o nome da ciência que estuda tais fenômenos. Mais recentemente, em 2001, outro professor de psicologia e neurologia da Universidade do Arizona (EUA), Gary Schwartz, testou em laboratório cinco médiuns, entre eles o mais famoso da tevê americana, John Edwards. No experimento, que foi exibido no Brasil pelo canal pago History Channel, Edwards ficava separado de pessoas que queriam saber sobre seus entes falecidos. Eles não se viam, apenas se ouviam e, como no programa, Edwards apenas confirmava as informações. O índice de acertos, segundo o pesquisador, foi de 83%. Schwartz também já esteve na mira do implacável professor Hyman, de Oregon, que o acusou de forjar resultados. “Muitas vezes na história da ciência nós estávamos errados. Quando achamos que a terra era plana, quando consideramos que o sol girava em torno da terra e tantas outras vezes. Prefiro estar sempre aberto a qualquer possibilidade”, defende-se o professor do Arizona.

Para confirmar as teses dos estudiosos no tema, dezenas de relatos de premonições vêm a público diariamente, manifestados por pessoas comuns – que trabalham, estudam, têm filhos, professam uma religião ou não. Elas costumam ser atropeladas em seu inconsciente por um acontecimento, uma certeza, quase um clarão, que se impõe sobre sua lucidez e se materializa em realidade horas, dias, meses depois, deixando-as, normalmente, assustadas. Roteiro cumprido pela arquiteta Silvia Arruda, de São Paulo. Em fevereiro de 1986, ela sonhou com uma cena de quebradeira no Brasil. Gente falindo, perdendo dinheiro, corrida aos bancos e supermercados. No dia seguinte, o então ministro da Fazenda, Dílson Funaro, anunciou o Plano Cruzado, que congelou o valor de salários, bens e serviços e provocou uma das maiores crises do governo de José Sarney (1985-1990). Vinte anos depois, um novo sonho premonitório, menos, digamos assim, coletivo. A arquiteta viu o então namorado com uma dançarina ruiva de cabelos cacheados. Contou para ele como quem relata uma curiosidade e foi ridicularizada. Pouco tempo depois descobriu que ele estava saindo com uma mulher tal e qual a do sonho. Detalhe: Silvia não é mística e nem sequer acredita em premonição. Ou, ao menos, não acreditava. “Não acho que seja algo sobrenatural, mas sim uma capacidade da mente em captar pensamentos e sensações não ditos”, afirma.

VISÃO
A gerente de marketing Carolina Oliveira enxergou a separação de um casal desconhecido, que aconteceu três meses depois.
Colocar a mediunidade no mesmo pacote das experiências extrassensoriais é assunto delicado. “A parapsicologia não lida com questões transcendentais, como a comunicação entre vivos e mortos, mas sim com a aptidão humana de manifestar poderes incomuns nas relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo material”, define o procurador de Justiça aposentado Valter da Rosa Borges, de Pernambuco. Nos anos 70, ele criou o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP) para tentar entender esses poderes incomuns, motivado por uma premonição que tivera anos antes. Em 1968, ele perdeu o filho Ulisses, de apenas 4 anos, vítima de um edema pulmonar agudo. “No dia em que ele faleceu, ao sair do apartamento onde eu morava, passei por uma alucinação auditiva. Uma voz me disse, por duas vezes, que meu filho ia morrer naquela tarde”, recorda.

“Não é um fenômeno religioso, não é loucura, paranoia, coincidência nem algo sobrenatural”, argumenta a parapsicóloga Márcia Cobêro, professora do Centro Latino-Americano de Parapsicologia (Clap). “É uma faculdade natural que todos têm, mas poucos se dão conta.” Segundo Márcia, a primeira reação das pessoas que têm premonições é achar que possuem um dom. O segundo passo é temer esse dom. Quando começou a ter premonições, o corretor de imóveis de Santo André (SP) Robson Leiva Lazarini ficou assustado e procurou ajuda na religião – primeiro católica, depois batista. Também criou o blog Sonhos Premonitórios (www.premonitoriosonho.blogspot.com), no ano passado.

“As pessoas me mandam e-mails para tirar dúvidas. Não sou especialista, mas tento ajudar contando minha experiência.” Uma das que mais o impressionaram foi com um avião que tentava levantar voo no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, não conseguia, virava para a esquerda e batia num prédio baixo. No dia seguinte, foi buscar um cliente no aeroporto e ficou com muito medo que acontecesse algo com o jatinho dele. Quando o cliente aterrissou, respirou aliviado. Minutos depois, o avião da TAM, voo 3054, colidiu com o prédio da própria empresa após tentar arremeter num dia chuvoso.
Lazarini ficou arrasado. “Mas o que eu posso fazer com esses sonhos? Ligar para a Anac e avisar? Não sei o que fazer com eles, então resolvi pelo menos registrar os mais recentes no Blog.”

REDE
O corretor Robson Lazarini conta suas premonições, como a de um acidente de avião, em um Blog.
A paulistana Carolina Oliveira, 33 anos, gerente de marketing , também foi buscar ajuda para lidar com os eventos estranhos que rondavam sua vida. Há dois anos, ela passou a se sentir parte de um roteiro de filme do além. Luzes que acendiam logo após ela ter apagado, barulhos estranhos e fortes intuições do que estava para acontecer – a tal premonição. Quando morava na Itália, uma amiga apresentou um casal e ela, na mesma hora, sem nenhuma informação, viu os dois se separando em pouco tempo. A amiga negou e disse que eles se davam muito bem. Três meses depois, aconteceu o rompimento. “No começo eu tinha muito medo”, recorda Carolina. “Por isso procurei o espiritismo.” Hoje, ela atribui todos os acontecimentos aos espíritos que a guiam e ajudam no dia a dia. E garante que a vida ficou melhor ao saber lidar com esses episódios.

REAL
A arquiteta Silvia Arruda anteviu a traição do namorado e o advento do Plano Cruzado.
 Não existe, até hoje, um estudo que comprove como isso acontece biologicamente. É metafísico e não sabemos como se dá. Mas é inegável que é importante como um processo de autoconhecimento”, destaca o neurologista Luciano Ribeiro, do Instituto do Sono, de São Paulo. Foi essa preocupação que levou a psicóloga Fátima Regina Machado a fazer sua tese de doutorado “Experiências Anômalas na Vida Cotidiana”, defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 2010. Segundo ela, o objetivo era justamente chamar a atenção da comunidade acadêmica e dos profissionais da saúde para a importância das percepções extrassensoriais. “Compreendê-las é auxiliar o ser humano a lidar com elas”, destaca. Afinal, argumenta a psicóloga, mesmo sendo um tema marginalizado pela academia, são eventos que “insistem em acontecer” desde que o mundo é mundo. 

Na vida da funcionária pública alagoana Maria Erilene Pereira, premonições e fortes intuições insistem em acontecer há algum tempo. Como quando, relaxando em uma rede, ela teve um insight com o filho mais velho, que havia saído com o carro à noite pela primeira vez. Erilene teve uma visão de um sinal próximo de sua casa. Sentiu um aperto no peito e ficou com receio de que acontecesse algo quando o filho passasse por ali. Ligou para ele e pediu que voltasse para casa. O jovem tentou acalmá-la, dizendo que estava tudo bem. Horas depois, ligou, aflito: havia batido o carro naquele local.

“Tivemos sorte, só o veículo sofreu danos sérios. Ele ficou bem”, relembra.

Muito pior foi o sonho no qual um de seus cunhados recolhia pedaços de um corpo após um acidente de carro. Dois meses depois ela perdeu um outro cunhado numa batida. E aquele do sonho, que recolhia os pedaços, foi o primeiro a chegar ao local do acidente. Os eventos ajudaram Erilene a cuidar de sua espiritualidade e se sintonizar mais com sua intuição. “Isso me ajuda a me conhecer melhor.”

Rory Coker, o físico americano que se dedica a denunciar os malefícios da pseudociência, acredita que tudo não passa de probabilidades. “Se toda vez que um parente meu sofresse algo eu sentisse, aí sim seria um fenômeno a ser examinado. Mas isso acontece muito de vez em quando e, portanto, fica dentro das estatísticas”, diz. No entanto, ele admira a coragem de pesquisadores como Daryl Bem. “É saudável que existam cientistas rebeldes que estão sempre imaginando como trilhar novos caminhos, por mais ­absurdos que eles soem aos nossos ouvidos.” Não à toa, Bem termina seu trabalho citando o diálogo da Rainha Branca e de Alice que abrem esta reportagem. O professor diz que 34% dos psicólogos que estão nas universidades concordam com Alice. E finaliza: “Quem sabe esse estudo não incentive os outros 66% dos meus colegas a investigar ao menos uma coisa anormal por dia.” Afinal, premonições são como as bruxas. Você pode até não acreditar nelas, mas que elas existem, ah, existem.


























REVISTA ISTOÉ /N° Edição: 2156 | 04.Mar.11 
IMAGEM DO PRÓPRIO ARTIGO DA REVISTA
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domingo, 17 de abril de 2011

ALÉM DO CORPO


Por: Celina Cõrtes, Juliane Zaché e Lena Castellón
Colaborou Lia Bock

Dois eventos científicos serão realizados para discutir o tema, enquanto centros espíritas que oferecem tratamento estão lotados.

Procura: No centro do médium Waldemar são atendidas 300 pessoas por semana. A fila de espera é de um mês.

Nesta semana, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – uma das mais importantes da América Latina – será sede de um encontro que, anos atrás, dificilmente ocorreria em suas instalações. No sábado 31, médicos, estudantes e outros profissionais da saúde estarão reunidos em um dos auditórios da instituição para participar do 1º Simpósio de Medicina e Espiritualidade, organizado pela Associação Médico-Espírita de São Paulo. O objetivo do encontro é fazer uma revisão da literatura científica sobre o tema e confeccionar uma proposta de inclusão da disciplina “medicina e espiritualidade” no currículo das escolas médicas. A realização do evento dentro da USP é sintomática. Mostra que a comunidade científica começa a se abrir para o estudo dos fenômenos que envolvem a crença em um mundo espiritual e suas repercussões na saúde.

Outra evidência da crescente importância do tema será a realização, também na capital paulista, em junho, do IV Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil. O encontro reunirá 2,5 mil profissionais brasileiros e do Exterior. O evento trará cientistas de instituições estrangeiras respeitadas, como o médico Harold Koenig, diretor do Centro para o Estudo da Religião/Espiritualidade e Saúde da Universidade de Duke (EUA). Boa parte dos especialistas estrangeiros não segue o espiritismo, doutrina que conta com mais de dois milhões de adeptos no Brasil. Ela é baseada na crença da existência e imortalidade de espíritos, na sua capacidade de influenciar a vida e a saúde dos habitantes na Terra e na possibilidade de comunicação com eles.

Mágoas – A realização dos eventos é apenas uma mostra do crescimento da medicina espírita no Brasil. Outra prova da sua força é o aumento do número de associações médico-espíritas. Em 1995, existiam nove entidades. Hoje, são 30. Essas entidades reúnem profissionais que praticam a medicina convencional, mas usam sua crença para tentar melhorar a saúde do paciente que quiser receber esse atendimento. De acordo com eles, o organismo pode ser influenciado por espíritos que partiram da Terra – chamados de desencarnados – ou por pensamentos das próprias pessoas.

“Indivíduos que guardam mágoas, por exemplo, sofrem alterações químicas que podem levar ao aparecimento de doenças ou ao seu agravamento”, diz Kátia Marabuco, oncologista da Universidade Federal do Piauí. “Nós, espíritas, também acreditamos que as pessoas negativas podem atrair espíritos desencarnados que contribuem para o surgimento de desequilíbrios físicos e mentais”, explica. A tática dos profissionais que seguem a doutrina é adotar medidas preconizadas pelo espiritismo para reverter esses quadros. 

Uma delas é fazer a aplicação de passes (imposição de mãos para energização e transferência de bons fluidos). Foi dessa forma que a paisagista paulistana Celeste Nardi, 62 anos, se tratou de depressão e outros problemas. Há quatro anos, frequenta uma clínica onde recebe atendimento psicológico e espiritual. Hoje, Celeste está bem. Para ajudar outros pacientes, ela aprendeu a aplicar o passe. “Quem passou por uma situação semelhante transmite uma energia de cura para quem necessita”, diz.

Essas práticas também fazem parte do tratamento aplicado nos hospitais espíritas existentes no País. Hoje, há 100 instituições do gênero. São entidades que oferecem atendimento espiritual gratuito. A maioria delas é destinada à assistência psiquiátrica. Nesses locais, o doente é submetido ao tratamento tradicional – o que inclui remédios e terapia psicológica – e, se desejar, cuida do espírito.



Uma dessas instituições é a Fundação Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, em Guarulhos (SP). Na instituição moram cerca de 700 portadores de deficiências mentais e outros 500 são atendidos no ambulatório. A maior parte nasceu com paralisia cerebral.


MIX: Lúcio tem paralisia cerebral e controlou crises de inquietação com a associação das terapias convencional e espiritual.

Tese – O psiquiatra Frederico Leão é um dos médicos da fundação. Surpreso diante da evolução de doentes que combinavam o atendimento espiritual e o convencional, ele está fazendo uma tese de mestrado sobre o assunto, que será defendida na USP. “Vi casos em que, quando os doentes se submetiam ao tratamento médico e espiritual, tinham uma evolução boa”, conta. Um dos casos é o do paciente Lúcio (nome fictício), 30 anos, que nasceu com paralisia cerebral. Ele não se expressa direito e se locomove numa cadeira de rodas. Há cinco anos, passou a ficar inquieto e manchas escuras apareceram em sua pele. “Os médicos fizeram de tudo e nada adiantou”, lembra-se Márcia Lopes, psicóloga da instituição. Continuaram com os remédios, mas também aplicaram o passe. Os sintomas desapareceram.


Mudança: Celeste tinha problemas de saúde e foi tratada com passes. Ela aprendeu o método e hoje o aplica em outras pessoas. Outra instituição é o Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, de Curitiba. Lá, os médicos também adotam uma prática da doutrina que ajudaria no tratamento. São as sessões de “desobsessão”, reuniões nas quais médiuns (pessoas por meio das quais os espíritos se manifestariam) serviriam como instrumento para que espíritos que estão atormentando o doente se comunicassem e fossem convencidos a deixá-lo em paz. “Quando isso acontece, o paciente fica mais calmo e seu estado clínico melhora”, garante o psicólogo Mário Sérgio Silveira, da instituição. O Hospital Espírita André Luiz, de Belo Horizonte, também usa o tratamento de “desobsessão”. “Em casos difíceis de esquizofrenia, por exemplo, fazemos essa recomendação”, afirma Roberto Lúcio de Souza, psiquiatra e diretor da instituição. Em nenhum desses locais, no entanto, deixa-se a terapia convencional de lado. “O tratamento espírita é complementar e não alternativo. Quem passa pelo atendimento, para qualquer doença, não pode deixar de tomar os remédios”, alerta Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil. Além dos hospitais, outros lugares bastante procurados para tratamento espiritual são os centros espíritas. Uma das maiores referências é o Lar de Frei Luiz, no Rio de Janeiro. A instituição conta com 800 médiuns e recebe cerca de quatro mil visitantes em cada um dos dias de atendimento (quarta-feira e domingo).

Há 12 anos, essa média era de 800 pessoas. Todos buscam curas físicas, espirituais ou algum consolo. Há salas de cura, de “desobsessão” e de passes.

Uma das histórias mais incríveis relacionadas ao centro foi a do compositor Tom Jobim (1927-1994). Quando se submetia a tratamentos convencionais para tratar um câncer de bexiga, Tom esteve duas vezes no Frei Luiz. Na véspera de viajar para Nova York, em 1994, quando morreu de parada cardíaca no Hospital Mount Sinai, o músico conversou com Ronaldo Gazolla, já falecido, na época presidente do centro. Tom estava na dúvida se viajava e quis saber a opinião de Gazolla. O médico desconversou, não queria influenciar o maestro, embora soubesse que os espíritos já o consideravam curado. “Mas se fosse com você?”, insistiu Tom. “Se fosse eu, não iria”, recomendou Gazolla. Não se sabe o que teria acontecido ao compositor se ele tivesse ouvido o conselho, mas com certeza não teria morrido na mesa de cirurgia. Ana Lontra Jobim, viúva do músico, fala do assunto com reserva.

“Quando esteve lá, ele saiu mais aliviado”, conta. A farmacêutica Helena Gazolla, viúva de Ronaldo Gazolla, que assumiu a presidência da instituição, explica que, se ocorreram curas, são consequência do merecimento dos doentes. “A pessoa se cura por meio de sua fé. Os médiuns são apenas um canal de energia para ajudar na recuperação de cada um”, diz. Um dos atendimentos mais importantes e incomuns em centros espíritas, oferecido pelo Lar de Frei Luiz, são as sessões de materialização, nas quais os espíritos poderiam ser vistos. A matéria-prima que daria forma física ao espírito é chamada de ectoplasma (substância que, de acordo com o espiritismo, seria liberada pelos médiuns para possibilitar a materialização das almas). Nessas reuniões, ocorrem também cirurgias espirituais, feitas por espíritos desencarnados que usariam o corpo do médium.

Cirurgia – Em Leme, no interior de São Paulo, há outro centro famoso pelas cirurgias. É a instituição comandada pelo médium Waldemar Coelho, 65 anos, que realiza essas operações há quatro décadas. “Curamos o corpo quando o problema é material e o espírito quando o problema é um carma”, garante.

Dois espíritos se manifestariam por meio de Waldemar – um chinês e um médico austríaco. Seriam eles que, sem nenhum corte ou sangue, operariam as pessoas de câncer, diabete e dor nas costas, entre outros males. Cerca de 300 pessoas são atendidas por semana. A fila de espera é de um mês. O procedimento é feito num quarto reservado, na presença do médium e de seus ajudantes. Na verdade, a cirurgia espiritual não é consenso entre os espíritas. Muitos acreditam que a prática dá margem ao charlatanismo e não deveria ser realizada. De qualquer forma, o fenômeno da medicina espírita intriga a ciência e tem suscitado a realização de estudos. Um deles foi feito no Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Hospital das Clínicas de São Paulo, vinculado à Faculdade de Medicina da USP. Os cientistas acompanharam o trabalho de um famoso cirurgião espiritual de Goiás em seis pacientes. Eles verificaram que, embora não tivesse sido dada anestesia, praticamente não houve queixa de dor. Também não havia assepsia, mas nenhum doente teve infecção no período observado (quatro dias). “Houve intervenção na região afetada, mas não podemos garantir que funcionou”, observa o psiquiatra Alexander Almeida, coordenador do núcleo.

Outro médico que também faz pesquisas é o psiquiatra Sérgio Felipe de Oliveira, presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo. “Há evidências suficientes para que a ciência se interesse pelo assunto. Na minha clínica, observo que quem recebe atendimento médico e espiritual toma menos remédios e adere melhor ao tratamento em relação aos que só passam pela consulta”, afirma.

Santuário Espiritual Ramatís, Rua Carlos Krempel 70, Jardim Bosque, Leme - SP. CEP: 13610-000. Telefone: (19) 572-1100. 

Pesquisa – Oliveira é um dos cientistas que defendem o aprofundamento das investigações sobre a medicina e a espiritualidade, até para que seja possível encontrar a resposta para os casos bem-sucedidos desse casamento. A idéia é estudar não só os efeitos das práticas espíritas, mas o poder da oração e da fé, por exemplo. Essa proposta já é seguida por instituições estrangeiras.

Alguns cientistas chegaram a conclusões interessantes. “A religiosidade fortalece o sistema de defesa dos pacientes”, disse a ISTOÉ Harold Koenig, da Universidade de Duke. Porém, nem sempre os tratamentos que unem medicina e religiosidade, inclusive o espiritismo, têm final feliz. Por isso, muitos cientistas vêem com reservas essa relação. O psiquiatra Richard Sloan, da Universidade de Columbia (EUA), é radical. “Os estudos feitos até agora são fracos. Não mostram evidências de que a espiritualidade pode ajudar no tratamento”, disse a ISTOÉ. Para o infectologista Caio Rosenthal, de São Paulo, não cabe ao médico entrar nessa área. “Ele deve se ater àquilo que é comprovado pela ciência”, defende. Já o Conselho Federal de Medicina não critica os médicos que estimulam a prática religiosa a seus pacientes. “Mas somos contra as pessoas que praticam a medicina sem ser médicos, como as que realizam as cirurgias espirituais”, avisa Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior, primeiro secretário do CFM. Na verdade, a cirurgia espiritual não é consenso entre os espíritas. Muitos acreditam que a prática dá margem ao charlatanismo e não deveria ser realizada. De qualquer forma, o fenômeno da medicina espírita intriga a ciência e tem suscitado a realização de estudos. Um deles foi feito no Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Hospital das Clínicas de São Paulo, vinculado à Faculdade de Medicina da USP. Os cientistas acompanharam o trabalho de um famoso cirurgião espiritual de Goiás em seis pacientes. Eles verificaram que, embora não tivesse sido dada anestesia, praticamente não houve queixa de dor. Também não havia assepsia, mas nenhum doente teve infecção no período observado (quatro dias). “Houve intervenção na região afetada, mas não podemos garantir que funcionou”, observa o psiquiatra Alexander Almeida, coordenador do núcleo. Outro médico que também faz pesquisas é o psiquiatra Sérgio Felipe de Oliveira, presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo. “Há evidências suficientes para que a ciência se interesse pelo assunto. Na minha clínica, observo que quem recebe atendimento médico e espiritual toma menos remédios e adere melhor ao tratamento em relação aos que só passam pela consulta”, afirma.


Pesquisa – Oliveira é um dos cientistas que defendem o aprofundamento das investigações sobre a medicina e a espiritualidade, até para que seja possível encontrar a resposta para os casos bem-sucedidos desse casamento. A idéia é estudar não só os efeitos das práticas espíritas, mas o poder da oração e da fé, por exemplo. Essa proposta já é seguida por instituições estrangeiras. Alguns cientistas chegaram a conclusões interessantes. “A religiosidade fortalece o sistema de defesa dos pacientes”, disse a ISTOÉ Harold Koenig, da Universidade de Duke. Porém, nem sempre os tratamentos que unem medicina e religiosidade, inclusive o espiritismo, têm final feliz. Por isso, muitos cientistas vêem com reservas essa relação. O psiquiatra Richard Sloan, da Universidade de Columbia (EUA), é radical. “Os estudos feitos até agora são fracos. Não mostram evidências de que a espiritualidade pode ajudar no tratamento”, disse a ISTOÉ. Para o infectologista Caio Rosenthal, de São Paulo, não cabe ao médico entrar nessa área. “Ele deve se ater àquilo que é comprovado pela ciência”, defende. Já o Conselho Federal de Medicina não critica os médicos que estimulam a prática religiosa a seus pacientes. “Mas somos contra as pessoas que praticam a medicina sem ser médicos, como as que realizam as cirurgias espirituais”, avisa Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior, primeiro secretário do CFM.
Confiança na Cirurgia
Há cinco anos, a católica Maria de Lourdes Bueno da Silva, 60 anos, moradora de Leme (interior paulista), descobriu um câncer de mama. Muito assustada com a doença, ela resolveu tratar não só do corpo como também do espírito.
Foi por isso que fez uma cirurgia espiritual logo após a operação para a retirada do nódulo. “Cuidar de mim de uma forma completa me fez muito bem”, lembra. Concluída a operação no centro espírita de Waldemar Coelho, Maria de Lourdes se sentiu fortalecida. “O médium me disse que fosse embora tranquila, pois estava curada”, comenta. Dias depois, ela se submeteu a outra intervenção, desta vez tradicional, para retirar tecidos da região afetada e, assim, garantir que o câncer não reaparecesse. Maria de Lourdes assegura que naquele momento já estava mais segura. “O apoio do meu médico e da minha família para que eu fizesse a cirurgia espiritual foi fundamental”, completa.

Belo Progresso
A treinadora do Flamengo e deputada estadual Georgette Vidor (PP), 45 anos, ficou paraplégica após um acidente de ônibus em maio de 1997. Dois anos depois, decidiu dar mais atenção à sua espiritualidade. “Comecei a receber passes. Não achava que aquilo iria me tirar da cadeira de rodas.

Queria me tornar uma pessoa melhor”, explica. Mesmo com toda a adrenalina de treinadora, ela dava um jeito de não faltar às sessões. Mas, depois que começou a campanha para deputada, em 2002, não deu mais.

“Sinto uma falta danada”, comenta, lembrando-se com carinho dos círculos em que as pessoas — muitas delas em cadeiras de roda, como ela — se davam as mãos. Embora lamente o acidente até hoje, admite que conseguiu o objetivo de se aprimorar. “Meus amigos até me dizem que eu era muito carrancuda e fiquei mais bonita”, festeja.
Esperança Renovada
Há nove anos, a feirante Conceição (nome fictício), 39 anos, descobriu que era soropositiva. Desde então, toma os remédios anti-Aids e há quatro anos frequenta uma clínica que oferece apoio psicológico e espiritual. Ela recebe passes e reza. Recentemente, Conceição precisou de mais ajuda. Em 2001, engravidou. Ela não sabia que o bebê corria o risco de ser contaminado e deveria se submeter a um tratamento médico rigoroso para diminuir essa possibilidade. Quando a criança nasceu, exames mostraram que o bebê poderia ser portador do HIV porque apresentava anticorpos contra o vírus.“Só não fiz uma loucura porque me apeguei ao atendimento espírita”, conta. Na semana passada, ela teve uma boa notícia. Os médicos disseram que seu filho, de quase dois anos, está livre do vírus. Ele tinha no organismo apenas os anticorpos, passados pela mãe.
Proteção e Equilíbrio
Desde 1995, Elba Ramalho, 51 anos, é frequentadora assídua do centro espírita Lar de Frei Luiz, no Rio. A cantora já fez diversos tratamentos. Numa ocasião, sentiu pontadas estranhas na região do fígado. Elba foi operada em uma sessão de materialização – em que um espírito se materializa, segundo a doutrina espírita. No Frei Luiz, o principal médico a realizar esses trabalhos é o espírito do doutor Frederick, um alemão nazista que viria do além para limpar seu carma. “Ele abriu minha barriga inteira com seu dedo. Jorrava sangue. Disse que eu tinha uma carga muito grande nessa região, que poderia se transformar em doença no futuro próximo”, recorda-se. Elba afirma que recorre ao centro não apenas em busca de cura física e espiritual. “Frei Luiz me dá proteção, equilíbrio e muita paz”, diz.
Outra Chance
Em 1992, o agricultor paulista Ricardo Hildebrand, 52 anos, católico, descobriu que tinha dois tumores no cérebro. Atendido num hospital de Campinas (SP), apenas um tumor foi retirado. O outro estava localizado numa região considerada delicada. Abalado, Hildebrand recorreu a um centro para fazer uma cirurgia espiritual. “Era minha última chance. Tinha que dar certo e eu sentia que daria, apesar de não saber como”, conta. Após ter feito a operação, ele se submeteu a uma tomografia. “Levei o novo exame ao especialista e não lhe falei sobre a cirurgia. Ele analisou o resultado junto com outros colegas. No final, disse-me que o tumor tinha desaparecido e que eu estava curado. O médico não conseguia explicar o que aconteceu”, lembra-se. O agricultor reconhece que é normal desconfiar da veracidade de sua história. “Só acredito porque aconteceu comigo.

REVISTA “ISTOÉ” – Edição 1756 – 28/05/2003 
Matéria: Artigo.: ALÉM DO CORPO / “Medicina Espiritual
Por: Celina Cõrtes, Juliane Zaché e Lena Castellón
Colaborou Lia Bock.
IMAGEM DO PRÓPRIO ARTIGO DA REVISTA
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sábado, 16 de abril de 2011

Cura e Autocura Espiritual

Por Victor Rebelo

A única coisa que realmente importa é você perceber, compreender que existe um estado de consciência “divino”, além de todo sofrimento 

A maioria das pessoas, quando dá seus primeiros passos na longa jornada do autoconhecimento e, consequentemente, da autocura, costuma dissociar o aprendizado espiritual do dia-a-dia. Claro que nossos primeiros passos aconteceram lá atrás, quando a consciência ou o princípio inteligente começou a se manifestar na matéria/energia, mas me refiro ao primeiros passos dados nesta nossa atual reencarnação.

Muitos passam o dia inteiro estressados, ansiosos ou cansados, com a mente dispersa, sem foco no “aqui e agora”. Chegam de noite no centro espírita, umbandista, ou seja lá o que for, na esperança de receberem o amparo divino, manifestado na boa vontade daqueles que lá estão para servir, seja encarnado ou desencarnado.

Mesmo neste momento tão especial, poucos são os que se mantêm presentes, de corpo e alma. Uns cochilam, outros assistem à palestra sem o menor interesse, outros, ainda, aguardam ansiosamente pelo passe energético ou a água magnetizada... e todos vão para seus lares na esperança de dias melhores! Mas eu pergunto: quando será um dia melhor? Amanhã? No futuro?

A grande diferença, entre um espírito “maduro” e outro não, é que, as pessoas mais conscientes, mais lúcidas, sabem que nosso aprendizado espiritual ocorre todos os dias, em todos os momentos. Toda hora é propícia para entendermos como somos, como reagimos diante das circunstâncias da vida.

Além disso, não podemos achar que somente na hora da palestra ou no momento do passe é que devemos abrir o coração, serenar a mente ou “pensar em Jesus”. Quem nunca ouviu dizer que “o Reino de Deus está dentro de nós”? Pois é, está mesmo, à nossa disposição – hoje – não amanhã, quando formos seres iluminados, anjos... Na verdade, isso tudo é secundário! Ser evoluído ou não, não faz a menor diferença, nem mesmo para Deus! A única coisa que realmente importa é você perceber, compreender que existe um estado de consciência “divino”, além de todo sofrimento, todo dissabor, toda frustração e ilusão, e basta acessarmos este estado de lucidez para sentirmos aquela tão sonhada paz interior. Jesus disse “Buscai o Reino de Deus e tudo mais virá por acréscimo”. Então... tá esperando o quê?

No começo não é fácil. Temos a crença enraizada de que só podemos estar bem quando tudo está “perfeito”. Aí é que está a raiz do problema.

Muitos dizem que os grandes pensadores espiritualistas eram contra as coisas mundanas, mas isso não é verdade. Buda, por exemplo, não condenava o desejo, pois quando não aceitamos nossos desejos, automaticamente criamos um conflito interno e perdemos a percepção dos planos mais elevados da realidade.

O problema não está no desejo, mas no apego que temos aos nossos desejos. O apego, a necessidade em realizar um desejo é que causa sofrimento e não o desejo em si. Além disso, Buda sempre nos aconselhou a buscarmos o “caminho do meio”, ou seja, o do equilíbrio.

Orai e vigiai! Quando estamos focados no presente (seja meditando, orando ou fazendo qualquer atividade, como lavar a louça) nos tornamos mais conscientes dos nossos pensamentos, sentimentos e atitudes, assim como ficamos mais sensíveis à dor alheia. Nos tornamos mais capazes de amar sem nos envolvermos no desequilíbrio do outro. Aprendemos a respeitar a individualidade de cada um, pois passamos a respeitar o nosso próprio jeito de ser. Então, a harmonia envolve nosso corpo, nossa mente, nossa alma... num grande processo de cura, individual e coletiva. Saúde e Paz!

Escrito por Victor Rebelo
Cura e Autocura Espiritual
Editorial Publicado na Revista Cristã de Espiritismo, Ano IX - edição 67.
Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e a fonte.

Mensagem de Dom Inácio de Loyola II


Psicografada pelo Médium João de Deus

“Nos cuidados a que te reportas em tua vida diária, não te esqueças que a fé constitui-se dom sublime devendo ser cultivada constantemente. Muitos possuem fé enquanto tudo corre de acordo com seus desejos, mas são poucos os que perseveram na paciência e humildade quando surgem provações e sofrimentos.

A maioria ostenta um crucifixo no peito, mas nenhum se deixa crucificar. É compreensível que o ser humano repudie a dor, contudo é inconcebível que um cristão autêntico deseje encontrar a felicidade plena e segura no mundo material.

Se desejas seguir o Cristo, recordai que sua vida foi martírio e dor constante, renúncia e serviço. Parai um pouco e não sede hipócritas em suas palavras, porque não serão elas que vos conduzirão à vida eterna, mas sim a perseverança firme na prática do bem, um auxílio concreto e desinteressado a todos os irmãos e companheiros do caminho.

Que a paz do Mestre habite em vossos corações.

Dom Inácio.”

Mensagem Psicografada pelo Médium João de Deus, em Abadiânia em 07 de maio de 1982. Publicada no livro "Uma missão de Amor" de Carlos Joel Castro Alves.

Se deseja compartilhar e divulgar estas informações, reproduza a integralidade do texto e cite o autor e a fonte. Obrigada. Hospital Espiritual do Mundo.

Um Pedido de Jesus!

Por: Ismael de Almeida

Quando as mensagens vêm do plano superior, elas vem impregnadas de vibrações destas dimensões, para que os corações, possam aceitar sem hesitação, os ensinamentos que buscam mostrar o caminho iluminado, que tem como único objetivo, construir templos luminosos nos santuários internos das almas, para que o amor possa fazer morada no interior daqueles que já se acham preparados.

JESUS quer conquistar corações mas é conquista de paz, pela bondade, pela ternura que é filha dileta do amor, levando aos corações seus ensinamentos de VIDA eterna.  JESUS não coage, não impõe, não cerceia liberdade, não divide para reinar, não separa. JESUS ensina a irmandade dos homens e a paternidade de Deus, o Pai único indivisível que deve reinar soberano nos corações de seus filhos. O mestre mostra que DEUS é amor e ninguém deve ficar órfão da misericórdia divina. JESUS quer construir templos de LUZ-AMOR, nos corações de seus amigos.

O mestre sabe que em cada coração humano se oculta uma dor, uma amargura, um sofrimento escondido. JESUS  ensina a cura dos males humanos pelo único remédio redentor, o amor que deve ser cultivado nos corações. O amor é a única solução para a dor humana, não existe outro remédio que seja eficaz, que verdadeiramente traga uma cura permanente.

Os olhos do mestre se voltaram para esta comunidade, para que o incêndio do AMOR, seja ensinado como o remédio para a cura do sofrimento da humanidade, porque “fora do amor não há salvação”.O mestre quer um”incêndio de amor” nos corações desta comunidade, por isso as mensagens estão vindo em cascata, para serem assimiladas.

A nova era conhecerá a força do amor, a cura pelo amor, a fraternidade que irá construir um mundo de paz, onde o bem seja compartilhado, sob o comando de corações amorosos, por que o coração não abriga a mentira, nem o engodo, nem a fraude, o coração só conhece a VERDADE  e o AMOR.

O amor convida esta comunidade a abrigar no seu seio as sementes de ternura e bondade, que devem ser levadas para o mundo, pelo pensamento e o sentimento, e jogadas nos corações da humanidade, para fazer da Terra, o que o Criador determinou um Oasis de paz e abundancia.

Uma humanidade com corpos saudáveis, onde a medicina, seja empregada apenas para atender acidentes, por que a doença terá desaparecida da face da Terra.
Uma humanidade que compartilha os seus bens, onde não haja poucos com muito, e muitos com tão pouco. Esta CIVILIZAÇÃO será construída com alicerces de amor, e esta comunidade é um dos artífices construtores, que ajudará a edificar o EDIFICICIO, do NOVO MUNDO.

A hora é agora e o começo é aqui. Por isso a redundância dos ensinamentos para que eles toquem corações, e o entusiasmo seja propulsor de determinações, que sinalizam o futuro como conquista do presente.

JESUS, convida os que são seus pelo coração e pelo amor, e sabe que o amor irá tocar nos corações dos seus amigos, e seu pedido será aceito, amado e cooperado!

Mensagem enviada para o Hospital Espiritual do Mundo pela irmã Dora Saunier, Rio de Janeiro -  Brasil.

Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar autor e a fonte.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Convite Especial

CASA DE DOM INÁCIO DE LOYOLA
SUL

CONVITE 
Temos a satisfação de informar que nos dias: 
30 de Abril, 01 e 02 de Maio 2011 
O Médium João Teixeira de Farias 
Estará atendendo na 
Casa Dom Inácio de Loyola Sul 
horário: 08hs pela manhã e 14hs a Tarde. 
Maiores informações, localização e mapa 
acessar 
Site: 
http://www.casadominacio-sul.com.br/ 

Formatação: Lucia Beatriz Schneider

O Caminho da Vida

Por: Val Cabral

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e massacres. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

Val Cabral
Mensagem enviada para o Hospital Espiritual do Mundo pela irmã Dora Saunier, Rio de Janeiro -  Brasil.

Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar autor e a fonte.