sábado, 9 de abril de 2011

O Real e o Engenho ¹


Como professor, sempre pensei que o nosso olhar mais acurado deve se voltar para os retraídos, enquanto o senso comum mira os bagunceiros. Os mais fechados não são atingidos pelas nossas interações e guardam em si um fosso profundo em que eles se escondem, inatingíveis, vendo o real de forma enviesada.

“(...) o meu primeiro dia na escola, como senti vontade de ir embora” Renato Russo (Legião Urbana)- Musica O REGGAE

Naquela manhã todos os pais levaram suas filhas até as portas das salas de aula. Não importava a idade...Mais por medo do que por zelo. Afinal, as manchetes, os telejornais, a internet somente falava da tragédia que se abateu, de mais um massacre de crianças, que teve como palco os bancos escolares. Os muros mais uma vez não protegeram a nossa infância...

De todos os espaços públicos - a praça, o shopping, o hospital - a escola se sagrava mais uma vez eleita no mundo das almas sofridas, como lócus privilegiado do seu espetáculo, na busca de chamar a atenção do universo para os seus demônios interiores. Emblemático a escola ter sido escolhida...

Seria lá o nascedouro desses gênios do mal, dessa raiva do mundo? Ou seria apenas um lugar que pela sua pureza, pelo seu teor latente de esperança, se viu como alvo dessa loucura, repleta de influências da violência televisiva?

O perfil do agente da barbárie não foge a regra dessa casuística no mundo. Dos problemas familiares, na retração do quarto escuro da sua solidão, entre o real e a loucura, no fascínio pela revanche, de forma apoteótica, sonhada de forma ritualística.

Como professor, sempre pensei que o nosso olhar mais acurado deve se voltar para os retraídos, enquanto o senso comum mira os bagunceiros. Os mais fechados não são atingidos pelas nossas interações e guardam em si um fosso profundo em que eles se escondem, inatingíveis, vendo o real de forma enviesada.

Mas, naquela manhã, o real se fez tenebroso em engenhos da morte. Mais uma escola foi palco do medo. Dessa vez, não de balas perdidas típicas da cidade maravilhosa, e sim de balas doentes. Como chegaram a essas mãos as armas? Para a nossa sociedade que renegou o desarmamento, por medo, é fácil de responder.

Caso inédito no Brasil, tirou de nós o restinho de tranquilidade que ainda tinhamos quando deixamos, diariamente, nossos filhos na escola e encaramos o batente. Digo ainda tínhamos, pois os riscos na escola, para alunos e professores, são inúmeros: atropelamentos, bombas, abuso sexual, drogas, armas trazidas de casa, bullyng, agressões verbais, sequestros relâmpagos.

Podemos acrescentar muito mais a essa lista, verificando os periódicos de nosso Brasil varonil.

A escola encerra entre seus muros as contradições da sociedade, a soma de problemas e neuroses das famílias, postos ali aos cuidados de funcionários e professores em seu labor desvalorizado. Esperam todos dessa escola, como último bastião da ordem social, que ela dê conta de toda essa gama de questões, enquanto seguimos todos amarelos de medo, como dizia Drummond - pais, alunos, professores e a comunidade.

Tudo isso não justifica por que em Realengo ou em Columbine, a escola é pensada como palco desse ódio. Faltam psicólogos e assistentes sociais nesse espaço? Falta diálogo com a família? Falta mais contato e menos currículo? Ou será que falta o lúdico, o prazer coletivo de se viver o tempo escolar ? Difícil de responder, pois a escola reproduz essa selva desvairada que é a vida, de exclusão e opressão, de tribos e fossos.

Na escola deságua tudo, como repositório das memórias felizes de uns e o suplício de outros. Para Paulo Freire: "Escola é...o lugar onde se faz amigos.

Não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima”. Mas, para todo é essa escola que é precebida?

Toda essa nossa teoria, essa tergiversação e as entrevistas com especialistas não vão equacionar o que transcende um caso de polícia, mostrando mais uma faceta dessa tragédia moderna, de jovens revoltados com o mundo, imbricados de fundamentalismo, na busca de encontrar a atenção que valorize a sua loucura.
Nem toda essa teoria vai nos afastar do medo que sentimos, a cada manhã ao deixar nossos filhos na escola, em uma nova Columbine tupiniquim, onde só tínhamos medo de ir ao cinema. O medo é uma defesa natural, mas fica a reflexão de que a escola e a comunidade tem que trabalhar juntos, em uma versão integral, sobre cada um de seus filhos. Mas, na atual conjuntura, penso se isso não é pedirmos demais da escola e dos professores, carentes de recursos e repletos de demandas.
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¹ O bairro da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro, Realengo, tem a origem de seu nome pois quando Dom Pedro I costumava ir para a fazenda de Santa Cruz pela estrada Real de Santa Cruz, que passava pelo Real Engenho, onde muitas vezes pernoitou. Como "Engenho" era uma palavra muito grande, a abreviatura usada era "Engo". E ficou "Real Engo" nas placas de orientação utilizadas na época.

Artigo: O Real e o Engenho
Autor: MARCUS VINICIUS DE AZEVEDO BRAGA (É Pedagogo e Mestrando em Educação da UnB e Autor de Artigos Publicados em diversos sites espíritas e do Livro Infantil “Alegria de Servir”, editado pela FEB, evangelizador do GE Atualpa, em Brasília-DF.

Hospital Espiritual do Mundo agradece o irmão  Marcus Vinícius de azevedo Braga por autorizar e compatilhar este artigo engrandeceu este espaço de aprendizagem e encontros Sagrados.
Se deseja compartilhar e divulgar estas informações, reproduza a integralidade do texto e cite o autor e a fonte. Obrigada. Hospital Espiritual do Mundo.

NOTA.: As imagens usadas neste site foram tiradas da net sem autoria das mesmas. Caso alguém conheça o autor das imagens, agradeceremos se nos for comunicado, para que possamos conferir os devidos créditos. Grata, Esperança.

AS CRIANÇAS E O ALÉM


Surpresa: sem que ninguém lhe contasse, Roberto sabia de detalhes sobre a bisavó que morreu antes de ele nascer.



As Crianças e o Além
Por Camilo Vannuchi e Celina Côrtes

Relatos de Comunicação com Espíritos revelam que a Mediunidade é comum na infância. E os pais precisam aprender a lidar com a situação.

Surpresa: sem que ninguém lhe contasse, Roberto sabia de detalhes sobre a bisavó que morreu antes de ele nascer.

Diana embalava o filho em frente a uma parede repleta de fotos na casa de sua mãe, em Brasília. Uma delas, envelhecida pelo tempo, chamou a atenção do pequeno Roberto, então com pouco mais de um ano. O garoto apontou a jovem que aparecia no retrato: “Vovó.” A mãe achou estranho. “Sim, esta era a minha avó, sua bisa”, explicou. E perguntou como ele adivinhara, já que ninguém havia mostrado aquela imagem ao menino. Roberto apenas tocou o colo da moça no retrato. “Dodói”, disse. Na foto, nenhum machucado aparente. O assombro tomou conta da sala quando Liana se recordou que a avó, já idosa, faleceu em decorrência de um câncer de mama. “Meu filho sabia daquilo sem que ninguém tivesse lhe contado”, resume o pai, Ricardo Movits. Ninguém deste mundo, é bom ressaltar. 

Antes de tachar a história do menino Roberto de mentira, fantasia ou maluquice, vale lembrar que Chico Xavier, o maior médium brasileiro, teve sua primeira experiência mediúnica aos cinco anos, quando sua mãe faleceu e, em espírito, passou a visitá-lo. Roberto, hoje com quatro anos, também diz receber a visita de parentes falecidos. E de modo assíduo. Contou que a avó freqüenta sua casa para lhe ensinar coisas sobre a vida e a morte. “Ela disse que as pessoas que morrem viram anjinhos e depois voltam a ser bebês”, afirma. Em outra ocasião, Roberto surpreendeu o pai ao comentar que o avô havia morrido porque fumava demais. “Entrou muita fumaça no peito dele”, completou. Essas supostas habilidades do menino poderiam ser explicadas por meio da mediunidade. Estudada por religiosos, psiquiatras e até neurologistas, a mediunidade é a capacidade de ver e ouvir espíritos ou realizar fenômenos paranormais – como incorporação e clarividência – por intermédio de agentes externos. Ou seja, de entidades espirituais que utilizam o corpo do médium como veículo para se manifestar. 

Relatos desse tipo são cada vez mais comuns. Mesmo nos consultórios. A psicologia e a medicina, no entanto, buscam outras formas de justificar esses fenômenos. Se a criança parece possuída por uma entidade sobrenatural, por exemplo, é feito diagnóstico de transtorno de personalidade ou estado de transe e possessão, cujo tratamento alia psicoterapia e medicamentos. A comunicação com amigos invisíveis aos olhos dos pais costuma ser encarada como mera fantasia. “Há momentos em que a ilusão predomina e a criança transforma em real o que é apenas o seu desejo inconsciente”, considera a psicanalista Ana Maria Sigal, coordenadora do grupo de trabalho em psicanálise com crianças do Instituto Sedes Sapientiae. “Ao brincar com um amigo imaginário, ela nega a solidão e cria um espaço no qual é dona e senhora. Já falar com parentes falecidos é uma forma de negar uma realidade dolorosa e se sentir onipotente, capaz de reverter a morte”, acrescenta Ana Maria.

A interpretação é a mesma da maioria dos pediatras. Presidente do Instituto da Família, que estuda as relações familiares, o médico Leonardo Posternak afirma que esse tipo de fantasia permite à garotada chamar atenção. Segundo ele, as crianças percebem se os pais demonstram admiração por seu suposto dom. Ou se aproveitam do carinho especial recebido quando os pais desconfiam que o filho tem algum distúrbio psíquico. Mas e quando surgem fatos capazes de assombrar os mais céticos, como o pequeno subitamente falar outra língua? “É importante que sejamos humildes para admitir que muita coisa ainda escapa à medicina cartesiana. Em vez de dizer aos pais que o filho não tem nada ou que os sintomas vão passar, seria mais honesto dizer que a medicina vigente não é capaz de diagnosticar o que se passa com ele”, afirma Posternak. O presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Pediatria Infantil, César de Moraes, lembra que o estado de transe e possessão, embora citado no Código Internacional de Doenças, ainda não foi esclarecido. “Pode resultar de alguma desordem física ou mental ou, de fato, ser obra do sobrenatural”, sugere. 

No vácuo deixado pela medicina, avançam cada vez mais as explicações alternativas que conciliam ciência e transcendência. Se uma criança descreve e dá nome a um amigo imaginário e a família descobre, ao investigar, que a descrição corresponde à de uma pessoa de verdade, que habitou a casa no passado, a linha entre ficção e realidade desaparece. É o que assegura Reginaldo Hiraoka, coordenador do curso de parapsicologia das Faculdades Integradas “Espírita”, a única do gênero no Brasil, em Curitiba.

“O mesmo ocorre quando crianças afirmam se lembrar de vidas passadas e citam episódios verídicos sem jamais terem ouvido algo a respeito”, acrescenta.

Para estudiosos da parapsicologia, há uma alta freqüência de relatos sobrenaturais na infância devido ao fato de a mediunidade, inata a todas as pessoas, ainda não ter sido reprimida nessa fase. “Crianças com menos de sete anos não vêem nada de anormal nessas experiências”, afirma a psicóloga infantil Athena A. Drewes, consultora da Parapsychology Foundation, com sede em Nova York. “Elas as aceitam até que outras pessoas comecem a reagir negativamente a seus relatos. O bloqueio ocorre ao entrarem na escola e descobrirem que nem todos vivem as mesmas experiências.”

Mas nem sempre a convivência com o sobrenatural é tranqüila. Às vezes, os amiguinhos imaginários são substituídos por monstros que atrapalham o sono dos pequenos e os tornam arredios, agressivos ou profundamente tímidos. Como no filme Sexto sentido, de Night Shyamalan, crianças se dizem assombradas por imagens de espíritos que vagam com ferimentos ou fraturas expostas, exatamente como estavam quando morreram.

Segundo a doutrina espírita, isso acontece quando os espíritos desencarnados não conseguem se desprender do plano físico, seja por não terem se dado conta da morte, seja por não a aceitarem. Também é possível que um espírito persiga uma criança por ter sido ligado a ela em uma vida pregressa. “Imagine se seu bebê foi uma pessoa má na encarnação anterior e prejudicou alguém que, agora, se sente no direito de atrapalhar seu caminho”, cogita a autora do livro Mediunidade em crianças, Agnes Henriques Leal. Conforme a tese espírita, é possível que esse filho sofra horrores com a influência de seres assustadores. 

Nessas horas, de acordo com o espiritismo, a criança deve ser encaminhada a tratamento com passes para dispersar energias negativas. Os espíritas podem ainda trazer a entidade a uma reunião no centro – por intermédio de um médium – para tentar demovê-la da perseguição. Leituras diárias do Evangelho também ajudariam. “Se os pais não participarem do processo de cura, nada será atingido.



Para tanto, deverão conhecer a doutrina e se dispor a estabelecer, no lar, um clima vibratório de harmonia e paz”, ensina o médium paraense Nazareno Tourinho, autor de Experiências mediúnicas com crianças e adolescentes. Ele ressalta, no entanto, que nenhum auxílio científico deve ser desprezado. “Primeiro, deve-se procurar um profissional de saúde. Se o resultado não for satisfatório, resta buscar ajuda de espíritas competentes”, orienta.

Outra opção é consultar um especialista que seja ao mesmo tempo médico e religioso. Há muitos psiquiatras adeptos do espiritismo que atendem crianças e adultos atormentados por fenômenos inexplicáveis. Um deles é Sérgio Felipe de Oliveira, diretor da Associação Médico-Espírita de São Paulo e autor da tese de que a mediunidade nada mais é do que uma atividade sensorial – como a visão e o olfato – capaz de captar estímulos do mundo extrafísico. O órgão responsável pela mediunidade, diz Oliveira, é a glândula pineal, localizada no cérebro, que controla também o ritmo de crescimento e, na adolescência, avisa a hora de dar início à liberação dos hormônios sexuais.

Descrita por Descartes como a sede da alma em 1641, a pineal tem sido pesquisada há séculos, e, desde a década de 1980, é comprovada sua capacidade de converter ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos. Para confirmar sua tese, Oliveira realizou diversos exames neurológicos (como tomografia e eletroencefalograma) em pacientes em transe. “Verificamos a atividade na pineal durante esses momentos. Ela é uma espécie de antena que capta estímulos da alma de outras pessoas, vivas ou mortas, como se fosse um olho sensível à energia eletromagnética”, diz.

Mesmo que não veja ou ouça espíritos desencarnados, é a mediunidade que faz com que uma criança seja capaz de sentir se um ambiente está carregado e a faz chorar quando um estranho com energias ruins a pega no colo. Em sua clínica, Oliveira não descarta o uso de medicamentos, mas não tem dúvida dos benefícios da atividade espiritual, prescrita por ele como terapia complementar. Oliveira diz que, antes de se afirmar que uma criança está sob influência de um espírito, é preciso descartar as hipóteses de fantasia e de distúrbios psíquicos. A primeira etapa é entrevistar o paciente em busca de elementos que não poderiam ser ditos por ele. “É difícil diagnosticar como fantasiosa uma criança de três anos que se põe a analisar quadros de Botticelli ou a conversar em francês sem nunca ter estudado o idioma”, exemplifica. Finalmente, exames neurológicos são feitos para se verificar se a atividade no cérebro é equivalente à registrada em convulsões ou surtos de epilepsia. Normalmente, a reação é outra.

Médicos adeptos do espiritismo afirmam que a infância é o período em que a ação da glândula pineal está no auge, embora a criança não tenha o arcabouço intelectual necessário para interpretar os estímulos de forma consciente. Com o desenvolvimento completo do cérebro, a mediunidade seria sublimada na maioria das pessoas. Ou voltaria ainda mais forte naqueles que aprenderam a exercitá-la. No Livro dos médiuns, Allan Kardec, codificador da doutrina, avisa que a mediunidade não deve ser estimulada em crianças, o que pode ser perigoso, já que os organismos delicados das crianças sofreriam grandes abalos. “É de se desejar que uma criança dotada de faculdade mediúnica não a exercite, senão sob a vigilância de pessoas experientes”, escreveu. Por esse motivo, em geral os pais são orientados a não incentivar os filhos a exercê-la. “Muitas crianças sentem dor porque o corpo não está preparado para receber esse impacto”, diz a psicóloga Inês Ignácio, do Centro Espírita Francisco de Assis, no Rio de Janeiro.

Em outras religiões espiritualistas, como candomblé e umbanda, a presença de crianças nos rituais costuma ser permitida. Muitos templos oferecem acompanhamento adulto para a iniciação. “É preciso freqüentar o centro como se fosse uma escola”, alerta Aguinaldo Cravo, adepto do candomblé e babalorixá na Casa de Caridade Cabana de Oxossi, no Rio de Janeiro.

Crianças também exercem sua religiosidade nas giras de umbanda do Templo Cacique Pai Pena Branca, em São Paulo. “Algumas já têm um canal de vidência elevado, enquanto outras só vêem vultos e precisam desenvolver seu dom”, diz a ialorixá Mãe Norma de Iansã, que oferece aos domingos um curso de mediunidade aberto às novas gerações. Delas surgirá, quem sabe, um novo Chico Xavier.


REVISTA ISTOÉ 
Edição 1942 – 17/01/2007 
Por Camilo Vannuchi e Celina Côrtes
Matéria: As crianças e o Além. Relatos de comunicação com espíritos revelam que a mediunidade é comum na infância. E os pais precisam aprender a lidar com a situação.
Observação: A imagem faz parte do próprio Artigo da Revista.
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terça-feira, 5 de abril de 2011

Perto de Ti


Ouves expressivos comunicados do Plano Espiritual, quanto ao trabalho que te espera no mundo. 

Comumente, depois disso, deixas que o próprio pensamento divague ao longe, pesquisando notícias dos males enormes que assolam a Terra. 


Sabes que as grandes necessidades reclamam as grandes intervenções, e refletes, para logo, nas missões gigantescas, como sejam: a extinção da guerra, supressão dos preconceitos raciais que prejudicam povos inteiros, a cura de doenças que vergastam a Humanidade ou a decifração dos enigmas da ciência. 

Em verdade, tudo isso demanda a presença de missionários especializados; entretanto, urge atendas aos Desígnios Divinos, na execução dos serviços menos importantes que se amontoam, junto de ti. 

Talvez não haja, até agora, qualquer chamamento que te peça atuar nos conflitos armados, em outras terras, mas o Senhor te solicita apaziguar os corações que te rodeiam para que a serenidade e a paz te presidam o campo doméstico; é possível que ninguém te aguarde, por enquanto, qualquer contribuição no banimento definitivo das moléstias consideradas insanáveis, no entanto, o Senhor te roga socorro, em favor dos irmãos doentes que choram e sofrem na área de tua influência pessoal e direta:

Provavelmente, não tens ainda a palavra convidada para traçar diretrizes, à frente das multidões; todavia, o Senhor conta com o teu verbo compreensivo e brando, nos círculos de tua convivência, garantindo tranqüilidade e elevação naqueles que te partilham a vida. 

Não se sabe se trazes alguma incumbência do Alto para responder aos desafios da Natureza com essa ou aquela descoberta de valor fundamental para a Humanidade, porém é certo que o Senhor te espera a colaboração para que se resolvam pequeninos problemas, no quadro das provações de quantas renteiam contigo na trilha cotidiana. 
Todo serviço no bem dos outros tem grande importância perante o Divino Mestre. 

Justo, assim, te interesses por todos os assuntos graves do Planeta e forçoso faças quanto possas, a benefício dos companheiros do mundo que se vejam a longa distância da estrada em que transitas, mas é imperioso entendas que o Senhor te aguarda a cooperação decidida, em todas as tarefas de: amor, compreensão, tolerância, apoio fraterno e serviço incessante, em auxílio de todos aqueles que se encontrem perto de ti.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Alma e Coração, Médium: Francisco Cândido Xavier
Mensagem Enviada pelos irmãos do Centro Espírita Caminhos de Luz -Pedreira - SP -  Brasil - www.caminhosdaluz.com.br
Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar autor e a fonte.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mensagem de Dom Inácio de Loyola


Mensagem Psicografada pelo Médium João de Deus


Por que te preocupas? 
Não sabes que tua vida será sempre repleta de amargores, lutas e decepções? Por que então derramas lágrimas quando deveria enxugá-las?
Por que te preocupas tanto contigo mesmo, quando deverias ocupar-se dos irmãos que não conhecem sequer a luz do Evangelho?
Teu caminho será constituído de penas, tristezas, renúncias.
Como desejas ser cristão, se não te habilitas a padecer, sofrer e, mesmo assim, caminhar, caminhar auxiliando, ao invés de parares para dar vazão a lágrimas e lamentações?
Estás errado e muito errado, conscientiza-te de teu dever e segue à frente, o que os outros de ti disseram não te deve afetar.
Mantém tua consciência limpa, ora, crê e perdoa. Eles, por certo, são mais dignos de compaixão do que aqueles que, dizendo-se cristãos, procuram verdadeiramente seguir o exemplo de Jesus, sem se preocupar com nada mais.
O Cristo não era culpado e, contudo, foi a julgamento.
Compadece-te daqueles que fazem sofrer, que ferem e magoam.
Dom Inácio"

Mensagem Psicografada pelo Médium João de Deus, em Abadiânia, em 06 de maio de 1982. Publicada no livro "Uma missão de Amor" de Carlos Joel Castro Alves. 

sábado, 2 de abril de 2011

A CIDADE DOS ESPÍRITOS

Fotos Manoel Marques

Uberaba tem mais centros kardecistas do que Igrejas Católicas. Eles atraem multidões de visitantes em busca da comunicação com entes queridos que estão no além.

Turismo das Almas.
O médium Celso de Almeida Afonso (à esq.) psicografa uma mensagem por meio de garranchos (abaixo). Ele é um dos sucessores de Chico Xavier, cuja imagem ilustra um outdoor (à dir.) que saúda os visitantes na entrada da cidade.

O Brasil é a nação com o maior número de seguidores do espiritismo, a doutrina criada no século XIX por Allan Kardec, pseudônimo do francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, e cuja característica mais divulgada é a possibilidade de comunicação direta entre vivos e mortos. O país tem 2,2 milhões de espíritas declarados, segundo o último censo do IBGE, e outros 18 milhões de simpatizantes, de acordo com a Federação Espírita Brasileira (FEB). Nesse contexto, Uberaba, no interior de Minas Gerais, localizada a 480 quilômetros de Belo Horizonte, pode ser considerada a capital mundial do espiritismo. A cidade, com 2900000 habitantes, conta com mais de 100 centros kardecistas, contra apenas 54 igrejas católicas. A razão pela qual o espiritismo criou raízes tão profundas em Uberaba é o legado do médium Francisco de Paula Cândido Xavier. Chico Xavier se mudou para Uberaba em 1959 e viveu na cidade até morrer, em junho de 2002. Antes de ele se instalar ali, o número de centros kardecistas não chegava a dez.

Ao longo de sua doutrinação, Chico Xavier "escreveu" 412 livros ditados, segundo ele, por espíritos do além. No jargão espírita, são obras "psicografadas". Os primeiros deles eram de poesia, assinados, entre outros, pelo poeta parnasiano Olavo Bilac e pelo naturalista Augusto dos Anjos. Depois, suas obras passaram a divulgar a doutrina kardecista. Chico Xavier afirmava receber vários espíritos. Um dos que mais impressionavam suas plateias era o do médico cearense Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, que viveu no Rio de Janeiro no século XIX. Dizendo incorporá-lo, Chico receitava medicamentos – sempre fitoterápicos, para não ser enquadrado em crime de charlatanismo – aos fiéis que o procuravam. Juntos, os volumes escritos pelo médium venderam até hoje mais de 30 milhões de cópias. Sua biografia, As Vidas de Chico Xavier, foi transformada em filme. Um novo longa será lançado em setembro e retratará a história do livro Nosso Lar – seu maior best-seller, com 2 milhões de cópias vendidas. Mesmo após oito anos de sua morte, a influência de Chico Xavier em Uberaba ainda é fortíssima e desperta a curiosidade de milhares de turistas espirituais que visitam a cidade.

Enquanto o médium era vivo, as caravanas chegavam quase que diariamente à cidade. "Não menos de 1
000 pessoas, todas as sextas e sábados", diz o filho adotivo de Chico, Eurípedes Higino dos Reis, que é dentista, mas não exerce a profissão. Hoje, o movimento de fiéis é menor. Mesmo assim, Uberaba é referência para aqueles que buscam pelos discípulos de Chico Xavier para estabelecer uma ponte com a vida após a morte. Nos fins de semana, ônibus de visitantes circulam pela cidade à procura das sessões públicas de psicografia. 

Quem vai aos centros espíritas quase sempre passou por grande trauma envolvendo a morte. Perdeu de forma trágica ou inesperada um filho, os pais ou um irmão. No ritual, o médium se comunica com esses parentes falecidos, recebe deles uma mensagem e a transcreve no papel.

Os procedimentos são bem parecidos em todos os centros. Os interessados em receber mensagens do plano espiritual devem preencher uma ficha com dados básicos (nome, parentesco, data de nascimento e de morte) da pessoa com quem desejam se comunicar. Em seguida, o médium se fecha numa sala, onde analisa as fichas e tenta estabelecer contato com os espíritos dos mortos. Depois dessa seleção, senta-se em frente à mesa, concentra-se e começa a psicografar. Em média, de cinco a seis cartas são escritas por sessão. Enquanto ele preenche as páginas em branco – trabalho que demora uma hora e meia, para todas as mensagens –, outros membros do centro discursam aos presentes sobre assuntos da fé e da espiritualidade, com base em passagens dos livros kardecistas. Ao final da psicografia, o médium faz a leitura pública das mensagens. Como os garranchos são incompreensíveis, a leitura é gravada.

O momento da leitura das cartas é, de longe, o mais emocionante da sessão. Em quase todas as mensagens, os mortos se referem aos parentes vivos pelo nome. Em algumas, é descrita a causa ou a situação em que o "remetente" morreu ou fornecida alguma informação que, supostamente, seria de conhecimento apenas dos parentes. Esse é um ponto controverso. Nas sessões testemunhadas pela reportagem de VEJA, o médium fez previamente uma pequena entrevista com o interessado em receber a carta. "É um encontro muito rápido, não mais de um ou dois minutos. É um elemento de sintonia", assegura o médium Carlos Antônio Baccelli, do Lar Espírita Pedro e Paulo, um dos mais visitados pelos turistas. Baccelli afirma que Chico também tinha esse tipo de conversa preliminar.

Fé e assistencialismo . O médium Carlos Baccelli no Lar Espírita Pedro e Paulo, que serve de asilo a idosos: mais de 100 livros publicados.

Carlos Antônio Baccelli é considerado pelos fiéis que o procuram um dos principais sucessores de Chico Xavier, inclusive nas atividades assistenciais.

Ele administra um asilo com trinta idosos abandonados pela família. Baccelli tem mais de 100 livros publicados. Segundo o médium, alguns foram escritos por espíritos e psicografados por ele. Em outros, ele se assume como autor.

Mais do que fornecer testemunhos verossímeis de espíritos que se comunicam do além, as cartas têm a função de confortar os parentes dos mortos. "É preciso que as pessoas leiam a mensagem com carinho e não tentem buscar aquilo que elas desejam saber, mas sim ouvir o que a pessoa que está do outro lado pode dizer", comenta o paulista João Roberto Rui dos Santos, que, logo na primeira visita a Uberaba, recebeu uma carta do filho morto em um acidente automobilístico aos 18 anos. Santos já havia perdido outro filho, com apenas 3 meses de idade. Ele admite que forneceu informações ao médium Celso de Almeida Afonso, do Centro Espírita Aurélio Agostinho, mas não tem dúvida de que é seu filho que está se comunicando.

"Antes mesmo de dizer qualquer coisa, ele falou que meu avô Luiz está cuidando do meu filho. Eu não havia revelado esse detalhe a ninguém", conta Santos.

Mensagens que Confortam João Roberto Rui dos Santos, a esposa, Carmen, e a filha Arina no Centro Aurélio Agostinho (à esq): emoção de receber uma carta do filho morto aos 18 anos. O ritual espírita inclui passes de energização (à dir.)

O Grupo Espírita da Prece, centro fundado por Chico Xavier em 1975 e onde o médium trabalhou até o fim da vida, não realiza mais sessões de psicografia. A decisão de encerrar a comunicação escrita com o além foi de Eurípedes Higino, que agora administra o centro espírita e as obras assistenciais criadas por seu pai adotivo. "Ele me transmitiu essa missão. Ele me chamava de ‘último dos moicanos’", diz Eurípedes. É ele quem detém os direitos sobre a memória e o nome de Chico Xavier.

A exceção são as obras literárias: o médium cedeu sua parte nos lucros às editoras que publicam seus livros. Às quintas-feiras, a Casa Assistencial Chico Xavier oferece um jantar a mais de 1 000 pessoas, além de doar pão, leite, enxoval para crianças e fornecer orientação médica e odontológica gratuita.

Para as obras assistenciais, Eurípedes conta essencialmente com donativos, a maior parte vinda de um grande empresário do ramo de borracha e plástico do Rio Grande do Sul. Vale-se também da renda de uma pequena livraria montada em frente à casa onde morava o médium. O principal produto à venda são suvenires com a imagem de Chico. Eurípedes atendeu a outro pedido do médium: que abrisse as portas da casa onde morava e a transformasse em um museu. O gesto quase causou o tombamento do único imóvel herdado pelo filho adotivo. Por isso, Eurípedes fez questão de pintar uma mensagem bem terrena na fachada da casa: Casa de Memórias e Saudade Chico Xavier – imóvel de minha propriedade.
O herdeiro e o mentor O filho adotivo de Chico Xavier, Eurípedes Higino dos Reis, na casa em que viveu o médium: controvérsia ao desmentir que o espírito do pai já tenha se manifestado. O médico cearense do século XIX Bezerra de Menezes (ao lado) receitava remédios por intermédio de Chico.

Eurípedes é uma figura controversa em Uberaba. Nos últimos anos de vida de seu pai, atuava como uma espécie de empresário do médium. Controlava o acesso a ele e escolhia quem podia vê-lo. Depois da morte de Chico, envolveu-se em polêmicas a respeito da autoria de mensagens e até livros atribuídos ao espírito de Chico Xavier. Essas mensagens foram recebidas por vários médiuns do país, inclusive Celso de Almeida e Carlos Baccelli, ambos de Uberaba. Eurípedes nega que seu pai tenha se comunicado com o mundo dos vivos após a morte. "Há mais de 200 mensagens atribuídas a ele, todas falsas", diz.

O que faz o filho adotivo de Chico ter tanta certeza de que as mensagens são apócrifas é o pacto que celebrou com o pai antes de ele morrer. O médium determinou que qualquer mensagem que enviasse ao mundo terreno conteria determinado código. O médico particular de Chico, que coincidentemente tem o mesmo nome do filho, Eurípedes Tahan, e uma amiga, Kátia Maria, são testemunhas desse pacto. Como nenhuma das mensagens carrega o tal código, o filho de Chico as rechaça. A questão do código é posta em dúvida por muitos seguidores do espiritismo. Segundo eles, citando os escritos de Allan Kardec, espíritos superiores, como seria o caso de Chico Xavier, não emitem sinais em códigos. O autor francês, na obra O Livro dos Médiuns, diz que eles se fazem reconhecer apenas pela superioridade de suas ideias. A principal atividade econômica de Uberaba é a pecuária. A cidade abriga uma exposição permanente de gado, a Expozebu. Fora isso, é pacata e não apresenta grandes atrativos turísticos. Por isso mesmo, a prefeitura e o comércio local incentivam o espiritismo. Out-doors com a imagem de Chico Xavier saúdam os visitantes que chegam em busca de conforto espiritual por meio do contato com o além. Para esses forasteiros, Uberaba é a cidade dos espíritos.


Fotos Manoel Marques
REVISTA VEJA
Edição 2170 / 13/06/2010
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terça-feira, 29 de março de 2011

O PODER DOS MÉDIUNS

Fotos: Murillo Constantino

Como a ciência justifica as manifestações de contato com espíritos e por que algumas pessoas desenvolvem o dom

O espiritismo é seguido por 30 milhões de pessoas no mundo. O Brasil é a maior nação espírita do planeta. São 20 milhões de adeptos e simpatizantes, segundo a Federação Espírita Brasileira – no último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2,3 milhões declararam seguir os preceitos do francês Allan Kardec, o fundador da doutrina. A mediunidade, popularizada pelas psicografias de Chico Xavier, em Uberaba (MG), ganhou visibilidade nos últimos anos na mesma proporção em que cresceu o espiritismo. Mas nada se compara ao poder da mídia atual, que permite debater os ensinamentos da religião por meio de livros, programas de tevê e rádio. Os romances com temática espiritualista de Zíbia Gasparetto, por exemplo, são presença constante nas listas de mais vendidos.

Embora não haja estatísticas de quantos entre os praticantes são médiuns, o que se observa é uma quantidade maior de pessoas que afirmam possuir o dom. O interesse pela religião fundamentada por Kardec (por isso também chamada de kardecismo) é confirmado pelo recorde de público do filme Bezerra de Menezes – o diário de um espírito, do cineasta Glauber Filho: 250 mil espectadores, desde o lançamento nos cinemas, em 29 de agosto. Um número alto para uma produção nacional. O longa, com o ator Carlos Vereza (também praticante do espiritismo) no papel-título, conta a história do cearense que ficou conhecido como “médico dos pobres”, se tornou ícone da doutrina e orienta médiuns em centenas de centros a se dedicar ao bem e à caridade.

PSICOGRAFIA - Instrumento por meio dos livros
A psicóloga Marilusa Vasconcelos, 65 anos, de São Paulo, é conhecida no espiritismo pela sua vasta literatura psicografada. Em 40 anos de dedicação à mediunidade, publicou 61 livros. Seu orientador é o espírito do poeta Tomás Antonio Gonzaga, que participou da Inconfidência Mineira. A dedicação à psicografia levou Marilusa a fundar em 1985 a Editora Espírita Radhu, sigla para renúncia, abnegação, desprendimento e humildade, a base dos ensinamentos na doutrina. Ela reúne outros dons, como ouvir, falar e enxergar espíritos e ser instrumento deles na pintura mediúnica. “Os vários tipos surgiram desde a infância”, conta Marilusa, que nasceu numa família espírita. “O controle da mediunidade é indispensável. O médium não é joguete do espírito. Eles interagem, num acordo mútuo de tarefa.”

Os espíritas dizem que todas as pessoas têm algum grau de mediunidade.

Qualquer um seria capaz de emitir pensamentos em forma de ondas eletromagnéticas que chegariam a outros planos. O que torna algumas pessoas especiais, segundo os praticantes, a ponto de se transformarem em canais de comunicação com os mortos, é uma missão – designada antes mesmo de nascerem, determinada por ações em vidas anteriores e que tem na caridade o objetivo final. “É uma tarefa em favor da evolução de si mesmo e da ajuda ao próximo”, diz Julia Nesu, diretora do departamento de doutrina da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo.  



Fenômenos relacionados a pessoas que falavam com mortos e envolvendo objetos que se mexiam são relatados desde o século XVII, tanto na Europa quanto nas Américas, mas hoje cientistas tentam compreender o fenômeno. Algumas linhas de pesquisa mostram que o cérebro dos médiuns é diferente dos demais.

São cinco os meios de expressão da mediunidade. A psicografia, que consagrou Chico Xavier, é a mais conhecida. Nela, o médium escreve mensagens e histórias que recebe de espíritos. Estaria sob o controle deles o que as mãos transcrevem. A vidência permite enxergar os mortos que não conseguiram se desvencilhar da Terra ao não aceitarem a morte ou que aparecem para enviar recados a entes queridos. Na psicofonia, o sensitivo é capaz de ouvir e reproduzir o que os espíritos dizem e pedem. A psicopictografia, ou pintura mediúnica, permite ao médium ser instrumento de artistas desencarnados (termo usado pela doutrina para designar mortos). A mediunidade da cura é responsável pelas chamadas cirurgias espirituais. Não é incomum um mesmo indivíduo reunir mais de um tipo de dom.

VIDÊNCIA - Ver e auxiliar aqueles que estão em outro plano.
Aos cinco anos, o chefe de faturamento hospitalar Ivanildo Protázio, de São Paulo, 49 anos, pegava no sono com o carinho nos cabelos que uma senhora lhe fazia todas as noites. Descobriu tempos depois que era a avó, morta anos antes. Aos 19 anos, os espíritos já se materializavam para ele. “Nunca tive medo. Sempre me pareceu natural.” A mãe, que trabalhava na Federação Espírita, o encaminhou para as aulas em que aprenderia a lidar com o dom. Hoje, Protázio é professor de educação mediúnica. Essa é uma parte da sua missão. A outra é orientar os espíritos que lhe pedem auxílio para entender o que aconteceu com eles. A oração é o remédio. “Os espíritos superiores me ensinaram a importância da caridade para nossa própria evolução.”

A reportagem de ISTOÉ presenciou uma manifestação mediúnica em Indaiatuba, interior de São Paulo. O tom de voz baixo e os gestos delicados de Solange Giro, 46 anos, sugeriam que ela carrega certa timidez ao expor a própria vida numa conversa com um estranho. Cerca de duas horas depois, porém, é difícil acreditar no que os olhos vêem. Diante de uma tela em branco, sobre uma mesa improvisada com dezenas de tubos de tinta, a mulher começa a pintar um quadro na seqüência de outro. O tempo gasto em cada um não passa de nove minutos. As obras são coloridas e harmoniosas.

“Nunca fiz aula de artes. Mal conseguia ajudar meus filhos com os desenhos da escola”, diz, minutos antes da apresentação. A discreta Solange dá lugar a uma pessoa que fala alto, canta e encara os interlocutores nos olhos, com ar desafiador. A assinatura nas telas não leva seu nome, mas de artistas famosos – e já mortos –, como Monet, Mondrian e Tarsila do Amaral. Seria uma interpretação digna de uma atriz? Talvez. O que difere o momento de uma encenação é subjetivo e dá margem a dezenas de explicações – convincentes ou não. Talvez seja possível encontrar respostas no que a artista diz a cada uma das pessoas da platéia presenteadas com um dos dez quadros produzidos na noite.

Enquanto entregava a obra, ela desferia características e situações de vida de cada um absolutamente desconhecidas dela. O mentor que a guia é o médico holandês Ernst, que viveu no século XVII. A sensitiva garante que era ele, não ela, quem estava presente na pintura dos quadros.

Nem sempre é fácil aceitar a mediunidade, que pode causar medo quando começa a se manifestar. “Ainda hoje não gosto quando vejo o possível desencarne de alguém. Nestas horas, preferia não saber”, conta a psicóloga Marilusa Moreira Vasconcelos, 65 anos, de São Paulo, que psicografa. O médium de cura Wagner Fiengo, analista fiscal paulistano, 37 anos, chegou a se afastar da doutrina.

“Aos 13 anos não entendia por que presenciava aquilo.” Para manter a sanidade e o equilíbrio, as pessoas que possuem dons e querem fazer parte da religião espírita precisam se dedicar à educação mediúnica. O curso leva cinco anos. Inclui os ensinamentos que Allan Kardec compilou no Livro dos espíritos – a obra que deu base ao entendimento da doutrina – e no Livro dos médiuns – que explica quais são os tipos de mediunidade, como eles se manifestam e os cuidados a serem tomados.

Entre eles, o combate a falhas de comportamento, como vaidade, orgulho e egoísmo. O espiritismo prega que as imperfeições da personalidade atraem espíritos com a mesma vibração. “O pensamento é tudo. Aqueles que pensam positivo atrairão o que é semelhante. O mesmo acontece com o pensamento negativo e os vícios. Quem gosta de beber, por exemplo, chama a companhia de espíritos alcoólatras”, afirma o professor de educação mediúnica Ivanildo Protázio, 49 anos, de São Paulo, que tem o dom da vidência.

PSICOFONIA - Falar o que os espíritos querem dizer
A intuição do servidor público Geraldo Campetti, 42 anos, de Brasília, começou na infância. Ele tinha percepções inexplicáveis, das quais mais ninguém se dava conta. Era como se absorvesse sentimentos que não eram seus. Apenas identificava que existia algo além do que seus olhos enxergavam. Até que as sensações começaram a tomar forma. Campetti passou a ouvir súplicas de ajuda. De espíritos, inconformados com a morte. Aos 29 anos, não se assustou. De família espírita, conhecia a mediunidade."Mas sabia que precisava estudar para manter o equilíbrio", diz.

Hoje diretor da Federação Espírita Brasileira, afirma ter controle sobre o dom de ouvir e transmitir recados dos mortos.Eventualmente, um espírito pede uma mensagem à pessoa com quem ele conversa. "Isso é espontâneo, não da minha vontade."

Imaginar que convivemos no cotidiano com pessoas que estão mortas vai além da compreensão sobre a vida – pelo menos para quem não acredita em reencarnação. Mas até na ciência já existem aqueles que conseguem casar racionalidade com dons espirituais. Esses especialistas afirmam que a mediunidade é um fenômeno natural, não sobrenatural. E que o mérito de Allan Kardec foi explicar de maneira didática o que sempre esteve presente – e registrado – desde a criação do mundo em todas as religiões. O que seria, dizem os defensores da doutrina, a anunciação do Anjo Gabriel a Maria, mãe de Jesus, se não um espírito se comunicando com uma sensitiva?

Apesar desse contato constante, os mortos, ou desencarnados, como preferem os espíritas, não aparecem em “carne e osso”. A ligação com o mundo dos vivos seria possível graças ao perispírito, explica Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira. “Ele é o intermediário entre o corpo e o espírito. A polpa da fruta que fica entre a casca e o caroço.” O perispírito seria formado por substâncias químicas ainda desconhecidas pelos pesquisadores terrenos, garantem os adeptos do espiritismo. “É a condensação do que Kardec batizou como fluido cósmico universal”, afirma o neurocirurgião Nubor Orlando Facure, diretor do Instituto do Cérebro de Campinas. Nas quatro décadas em que estuda a manifestação da mediunidade no cérebro, Facure mapeou áreas cerebrais que seriam ativadas pelo fluido.

CURA - Cirurgias sem dor nem sangue
O primeiro espírito a se materializar para o analista fiscal Wagner Fiengo, 37 anos, de São Paulo, foi de um primo. Ele tinha dez anos, teve medo e se afastou. Mas, na juventude, um tio, seguidor da doutrina, avisou que era hora de ele se preparar para a missão que lhe fora reservada. Por meio da psicografia, seu guia espiritual, o médico Ângelo, informou que teriam um compromisso: curar pessoas. Ele não foi adiante. Uma pancreatite surgiu sem que os médicos diagnosticassem os motivos.
Há quatro anos, seu guia explicou que as doenças eram ajustes a erros que Fiengo havia cometido numa vida passada. A missão era a forma de equilibrar a saúde e a alma. Em 2004, iniciou as cirurgias espirituais. Ele diz que não é uma substituição ao tratamento convencional. “É um auxílio na cura de fatores emocionais e físicos.”

Comprovar cientificamente a mediunidade também é objetivo do psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira, professor de medicina e espiritualidade da Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação Médica-Espírita de São Paulo.

Com exames de tomografia, ele analisou a glândula pineal (uma parte do cérebro do tamanho de um feijão) de cerca de mil pessoas. “Os testes mostraram que aqueles com facilidade para manifestar a psicografia e a psicofonia apresentam uma quantidade maior do mineral cristal de apatita na pineal”, afirma Oliveira. Ele também atende, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, casos de pacientes de doenças como dores crônicas e epilepsia que receberam todos os tipos de tratamento, não tiveram melhora e relatam experiências ligadas à mediunidade. “Somamos aos cuidados convencionais, como o remédio e a psicoterapia, a espiritualidade, que vai desde criar o hábito de orar até a meditação. E os resultados têm sido positivos.” Uma pesquisa de especialistas da USP e da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicada em maio no periódico The Journal of Nervous and Mental Disease, comparou médiuns brasileiros com pacientes americanos de transtorno de múltiplas personalidades (caracterizado por alucinações e comportamento duplo). Eles concluíram que os médiuns apresentam prevalências inferiores de distúrbios mentais, do uso de antipsicóticos e melhor interação social.

A maior parte dos cientistas acredita que a mediunidade nada mais é do que a manifestação de circuitos cerebrais. Alguns já seriam explicáveis, como os estados de transe. Pesquisas da Universidade de Montreal, no Canadá, e da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, comprovaram que, durante a oração de freiras e monges católicos, a área do cérebro relacionada à orientação corporal é quase toda desativada, o que justificaria a sensação de desligamento do corpo.

Os testes usaram imagens de ressonâncias magnéticas e tomografias feitas no momento do transe.
A teoria seria aplicável ao transe mediúnico, quando o médium diz incorporar o espírito e não se lembra do que aconteceu. Pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, estudaram pessoas que estiveram entre a vida e a morte e relataram se ver fora do próprio corpo durante uma operação ou entrando em contato com pessoas mortas. Os estudiosos concluíram se tratar de um fenômeno fisiológico produzido pela privação de oxigênio no cérebro. Trabalhando sob stress, o órgão seria também inundado de substâncias alucinógenas. As imagens criadas pela mente seriam apenas a retomada de percepções do cotidiano guardadas no inconsciente.

PSICOPICTOGRAFIA - 
Milhares de quadros pintados
Criada numa família católica, Solange Giro, 46 anos, de Parapuã, interior de São Paulo, teve o primeiro contato com o espiritismo aos 20 anos, ao conhecer o marido. Ele, que perdera uma noiva, buscava o entendimento da morte. Já casada e com dois filhos, passou a sofrer de depressão. Encontrou alívio na desobsessão (trabalho que libertaria a pessoa de um espírito que a domina). A mediunidade dava os primeiros sinais. Logo passou a ouvir e ver espíritos. O dom da psicografia veio em seguida. Era um treino para ser iniciada na pintura mediúnica. “Pintei cinco mil quadros no primeiro ano. Estão guardados. Não tive autorização para mostrálos”, conta Solange, que diz nunca ter estudado artes. Nos últimos 13 anos, ela recebeu aval de seu mentor para vender os quadros. O dinheiro é revertido para a caridade.

O psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira rebate a incredulidade. “Se uma pessoa está em cirurgia numa sala e consegue descrever em detalhes o que ocorreu em um ambiente do outro lado da parede, é possível ser apenas uma sensação?” Essa é uma pergunta que nenhuma das frentes de pesquisa se arrisca – ou consegue – a responder com exatidão. Da mesma maneira que todos os presentes à sessão de pintura em Indaiatuba saíram atônicos, sem conseguir explicar como alguém que conheceram numa noite foi capaz de decifrar suas angústias mais inconfessáveis.


































Edição 2030 – 10/10/2008
Matéria: “O Poder dos Médiuns 
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domingo, 27 de março de 2011

MENSAGEM DE ESTÍMULO DO MÉDIUM JOÃO DE DEUS


Em 1978, instalei a casa de Dom Inácio neste solo sagrado de Abadiânia, esta terra bendita, onde Deus me colocou para cumprir minha missão.

Eu não curo ninguém. Quem cura é Deus, que na sua infinita bondade, permite as Entidades que me assistem proporcionar cura e consolo aos meus irmãos. Eu sou apenas um instrumento em Suas Divinas Mãos.

Fui garimpeiro e aprendi que a pedra preciosa, para mostrar sua verdadeira beleza, precisa sofrer o desgaste da lapidação. Assim é cada filho, um raro diamante da criação, que necessita ser lapidado para realizar sua superior destinação.

O mundo passa por grandes transformações, gerando consequentemente grandes sofrimentos, porém a nossa força e sustentação devem residir na confiança no Ser Supremo, que é nosso Deus.

Para finalizar, deixo como mensagem as palavras do Cristo no Evangelho de João (cap. 15, vs. 12): “O meu mandamento é este: que Amai-vos uns aos outros, como vos Amei.”
Sou Apenas um Homem
Médium: João de Deus
Abadiânia Brasil

Entrevista com João de Deus com Susie Verde

CASA DOM INACIO DE LOYOLA
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Telefone: (0xx62) 343-1254
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Abadiânia - Goiás – Brasil

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