terça-feira, 8 de março de 2011

JOÃO DE DEUS – O FENÔMENO QUE COLOCOU ABADIÂNIA NO MAPA


O médium João de Deus escolheu uma pequena cidadezinha do cerrado goiano para trabalhar depois de uma mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier.
A pequena Abadiânia é cortada pela rodovia BR-060 e fica exatamente no meio do caminho entre Brasília e Goiânia. Apesar de os dois enormes letreiros no canteiro central da rodovia indicarem o nome da cidade, é bom ficar atento para não parar na vizinha Anápolis. O alerta vale, principalmente, para quem viaja de ônibus pela empresa Araguaína, que faz a linha Brasília-Anápolis. "Tem que avisar ao motorista que você vai descer em Abadiânia. Lá não tem rodoviária", avisa uma passageira. A cidade não chega a 13 mil habitantes e sequer tem hospital. Em caso de emergência, o socorro é mesmo em Anápolis, a 40 quilômetros de distância.

Mas é em Abadiânia que as pessoas, muitas vezes desenganadas por médicos, apelam ao que, talvez, seja o último fio de esperança: um tratamento espiritual com o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus. O médium é conhecido mundo afora por realizar procedimentos cirúrgicos sem o uso de anestesia na Casa Dom Inácio de Loyola, fundada por ele em 1976 - local que foi construído por sugestão do médium Chico Xavier, depois de uma mensagem psicografada por ele, atribuída ao espírito de Bezerra de Menezes, famoso médium cearense do século XIX.

A reportagem da revista Star foi a Abadiânia com o objetivo de mostrar ao leitor quem é João de Deus e o que há de realismo nas intervenções feitas por ele na Casa Dom Inácio. Cético, a ideia inicial deste jornalista era narrar sem paixão o que fosse apurado por ele em Abadiânia. No entanto, por conta de uma formidável e espantosa experiência, sinto-me na obrigação de trocar a narrativa por um depoimento.

Cirurgia Espiritual nos olhos?
Logo no primeiro contato que tive com o médium João de Deus percebi que aconteceu comigo um fenômeno que pode ser chamado de cura espiritual. Sem que o médium tocasse em meus olhos, houve uma inexplicável melhora do pterígio – crescimento de tecido fibrovascular sobre as córneas – que acomete tanto meu olho esquerdo, quanto o direito. A doença me acompanhava há mais de 25 anos. Além da constante irritação que deixa os olhos avermelhados, o problema evoluía de forma gradativa e até poderia gerar complicações mais sérias no futuro. A solução, segundo o oftalmologista Ricardo Guimarães, a quem entrevistei na edição 94 da Star, seria um procedimento cirúrgico.
Antes mesmo de chegar à Casa Dom Inácio, numa ensolarada tarde de quinta-feira, notei vestígios da fama de João de Deus. Uma cura atribuída a ele pelo caribenho Aubin Yves foi eternizada com um depoimento escrito em um muro, em agradecimento a uma cura. Aubin tinha paralisia desde 2005 e necessitava de cadeiras de rodas para se locomover.

Dizer a verdade é a única exigência.
A autorização para registrar os trabalhos na Casa Dom Inácio foi concedida para o dia seguinte. Cheguei ao local antes das 7 horas. Mas havia uma condição para fazer a reportagem: "Peço, em nome de Jesus, que você ‘pregue’ o que sair do seu coração e da sua alma. Eu quero que você ‘ponha’ a verdade", exige João de Deus.
A casa onde o médium realiza seus trabalhos espirituais é ampla. A construção principal é divida em um grande salão e três salas menores. As paredes são pintadas de azul e branco. Imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora de Fátima, santo Inácio de Loyola, Madre Tereza de Calcutá e entidades incorporadas por João de Deus se destacam no ambiente. Um monitor de LCD, instalado na parede do salão, exibe imagens de cirurgias sem anestesia realizadas pelo médium incorporado. O mesmo salão é usado para cerimônias de casamento e batismo.


Na área externa da Casa Dom Inácio funcionam farmácia, administração, cantina, biblioteca e espaço para meditação, além de um estacionamento. A maioria das pessoas é estrangeira. A cor predominante das roupas é branca. Filas são organizadas, mas não seguem uma ordem lógica para primeira ou segunda consulta. O critério também não é a ordem de chegada, mas idosos, mulheres grávidas ou com crianças de colo, e pessoas de cadeiras de roda têm prioridade.

“Se você não se concentrar, não receberá nada”
Eu não cogitava fazer nenhuma consulta ao médium, em causa própria. Mas, para minha surpresa, sou convidado a entrar uma sala de energização. Acomodo-me em um banco de madeira, a uma pequena distância da cadeira de espaldar em que João de Deus sentaria para realizar suas consultas. Meu ceticismo não me deixa fechar os olhos. De repente, uma voz firme me adverte: "Se você não se concentrar, não receberá nada", era João de Deus que, em transe, passava vagarosamente à minha frente.

Com os olhos fechados, consigo não pensar em nada por alguns segundos. Uma leve sensação de coceira nos olhos começa a me incomodar. Depois fica insuportável, mas cessa. Os trabalhos na Casa Dom Inácio são interrompidos às 11h para o almoço. Uma sopa é oferecida gratuitamente e em seguida volto à pousada onde estava hospedado, a dois quarteirões da Casa Dom Inácio. 
Ao lavar o rosto, fico em estado de choque: o pterígio do meu olho direito fora reduzido pela metade.



INCRÍVEIS DEPOIMENTOS DE CURAS.
Às 14h, os trabalhos de João de Deus são retomados. Venço minha resistência inicial e submeto-me a uma consulta. "Você viu que limpei seus olhos?", diz João de Deus, incorporado por uma entidade. "Mas como você não está vestido com roupa adequada, não fiz a cirurgia. Volte com roupa apropriada, que eu faço a cirurgia (espiritual)".

Muitas experiências impressionantes de curas atribuídas às entidades que incorporam João de Deus são impressionantes. Um dos exemplos é da norte-americana Regina Willians, que se emociona ao lembrar os motivos que a levaram a Abadiânia. "Há doze anos tomei oito pílulas de uma droga para emagrecer chamada Fen-phen. Ela provocava morte em algumas pessoas. Causava hipertensão pulmonar primária, uma doença que ainda não tem cura. Através de amigos acabei aqui em Abadiânia. Eu estava vivendo graças a uma máquina que estava em meu rosto e forçava o ar em meus pulmões. Meus rins já tinham parado de funcionar e os médicos estavam tentando me manter confortável até meu coração parar de bater", revela.

Regina diz que os médicos não podiam mais ajudá-la. "Na noite em que cheguei, parei de respirar. Eles rezaram e eu respirei fundo algumas vezes e a entidade me fez uma cirurgia espiritual. No final da semana, todas as pessoas que estavam comigo foram embora, mas a entidade sugeriu que eu ficasse. Eu fiquei. E eles salvaram a minha vida. Dois ou três meses depois, não precisava mais do respirador, quase não precisava tomar mais medicações e meus rins começaram a funcionar novamente. Depois de dez anos de minha cura, ainda estou aqui, em Abadiânia. E estou viva".

O grego Anastasio Bakratsas também diz que se livrou problemas depois de uma cirurgia espiritual. "Já havia feito cirurgias pelas circunstâncias normais da medicina, mas não funcionaram em mim. Aqui, minha espiritualidade e minha crença em Deus ficaram mais fortes. Milagres acontecem aqui e é nossa crença que também suporta esses milagres. Todos somos especiais e temos que encontrar essa especialidade. Este lugar é milagroso", aposta.

Médium diz que quem Cura é Deus
Depois de sofrer duas vezes Acidente Vascular Cerebral (AVC), passar por três cirurgias no cérebro, perder ¼ do cérebro, 80% do pâncreas, o baço e a vesícula, o fazendeiro de Ituiutaba-MG, Dráuzio Borges Vieira, tinha tudo para ficar em estado vegetativo, mas se recuperou depois se tratar na Casa Dom Inácio. "Vim por curiosidade e acabei operado espiritualmente e fiz os meus tratamentos. Logo depois comecei a largar os remédios que eu tomava como Gardenal, Hidantal, Rivotril e Depakene. Não tenho mais problema algum e não fiquei aleijado. Cheguei aqui em 1986. Faço tratamento com medicina convencional e continuo vindo à Casa. Outra coisa impressionante é que a minha esposa não podia ter filhos, e hoje, nós temos dois maravilhosos".

João de Deus não admite para si o poder da cura. "Eu não sou responsável por nada. Foi Deus quem me deu esta missão", prega. E, a cada semana, mais e mais pessoas o procuram, em busca de alívio. João de Deus é um dos últimos sopros de esperança do paranaense Édson Euclides Ferreira, de 30 anos, que ficou paraplégico há dez anos, depois de um acidente de trabalho. Enquanto aguardava por sua primeira consulta, ele, assentado em uma cadeira de rodas, apertava com força um pequeno terço. "Fiquei sabendo do João de Deus por reportagem que passou na televisão. Acabei me interessando. Estou com muita esperança. Tenho fé que vou fazer uma cirurgia aqui".

A paraguaia Cintia Ovellar, coincidentemente, havia assistido à mesma reportagem, na cidade de Curuguati. Não mediu esforços para atravessar a fronteira e seguir até Abadiânia com a irmã Teresita, que sofre de câncer e clama por um milagre. "Minha irmã está com câncer hepático. Sofre há quatro meses. Estou com muita fé que ela pode melhorar. Vai dar tudo certo para ela", diz.

Estrangeiros descobrem Abadiânia depois de cura de Shirley MacLAIanE.

O grande interesse de estrangeiros por Abadiânia transformou a economia da cidade. Os donos de pousadas, hotéis, restaurantes, taxistas, agências de viagem, lan houses, lojas de roupas, souvenires e minerais, serviços de massagens, salões de beleza e até pessoas que alugam bicicletas ganham com a fama de João de Deus. "Eu não tenho nenhuma participação nos lucros destes negócios. Eu ‘mexo’ com fazenda. Sou obrigado a trabalhar para a minha sobrevivência", posiciona-se o médium.



Doentes desenganados por médicos veem tratamento espiritual como último fio de esperança. À esquerda, a paraguaia Cintia Ovellar expressa sua fé em uma tatuagem nas costas. Ela acredita que sua irmã pode ser curada de câncer hepático. Em uma das salas da Casa Dom Inácio, pessoas com dificuldade para locomover deixam muletas e outros objetos, após a cura.


Mas a invasão estrangeira na cidade aborrece alguns fiéis brasileiros, que não aceitam o tratamento prioritário para os gringos em Abadiânia. "Parece que eu não estou no Brasil. Na pousada em que estou hospedada, 80% são americanos. A minha sorte é que eu também fui confundida com americana. A gente quer comer alguma coisa em algum lugar e se assusta, pois os cardápios são em inglês ou alemão e não tem nada em português. Acho que os estrangeiros deveriam se adaptar ao nosso país, e não nós a eles", reclama a cabeleireira capixaba Iracema Binow, que saiu em uma caravana de Vitória-ES, para representar o marido que havia sido submetido a uma cirurgia espiritual. "Estava pensando em ficar mais uma semana, mas não há vagas disponíveis nas pousadas.


Todas as reservas são para os estrangeiros. Acho que eles têm preferência porque pagam em dólar e euro", desabafa. 


"Eu estava vivendo graças a uma máquina que fixada em meu rosto, forçava o ar em meus pulmões. Meus rins já tinham parado de funcionar e os médicos estavam tentando me manter confortável até meu coração parar de bater"


Norte-americana Regina Willians
Essa verdadeira Torre de Babel em que se transformou Abadiânia começou em 1991, quando o médium recebeu a visita da atriz norte-americana Shirley MacLaine, a quem teria curado um tumor no abdômen. A notícia correu o mundo e João de Deus acabou por despertar a curiosidade da rede americana de televisão ABC e até virou personagem de um documentário do canal Discovery. No Brasil, o médium já havia sido descoberto pelo produtor do programa de tema espírita "Terceira Visão", que era exibido pela TV Bandeirantes, nos anos 1980.
Em média, o preço de uma diária em uma pousada em Abadiânia é R$ 60. Não tem luxo. Geralmente o hóspede tem direito ao café da manhã, almoço e jantar. Anápolis tem boas opções para hospedagem, mas, para quem não estiver de carro próprio, a opção é pegar um táxi e desembolsar cerca de R$ 70.

Admito ter feito cirurgia espiritual em Abadiânia.
Na semana seguinte à primeira visita, voltei à Casa Dom Inácio sem avisar à administração. Como imaginava, não consegui vaga em nenhuma pousada de Abadiânia e me hospedei em Anápolis. Na manhã de quinta-feira, visitei novamente João de Deus, devidamente vestido com camiseta, moletom e chinelos brancos, comprados no dia anterior, em Belo Horizonte.

Já passavam das 8h quando o médium veio me atender. As centenas de pessoas que o esperavam na fila recebiam de suas mãos um pequeno papel com um rabisco indecifrável. Era uma receita de passiflora (cápsulas com pó de maracujá), comum a todos. Cada pote custa R$10 na farmácia da Casa Dom Inácio. A administração doa alguns potes àqueles que não têm condições de comprar o medicamento. João de Deus me recebe e pede para que eu volte à tarde. Ainda na fila, por volta das 15h, volto a sentir irritação nos olhos. O incômodo é menos intenso do que aquele que havia sentido na semana anterior. Na minha vez de ser atendido, João de Deus sorri e me indica uma sala: "É para fazer o trabalho", diz.
São menos de cinco minutos com os olhos fechados. Imediatamente após sair da área mediúnica, corro para um espelho. Não percebo nada. Fico um pouco frustrado. Na volta a Belo Horizonte, percebo que há uma regressão da doença do olho esquerdo. Não tenho mais dúvidas. Admito ter sido submetido a uma cirurgia espiritual, em Abadiânia.



REVISTA ESTAR
Março de 2011 / Ano VII | Edição  101
Por:  Ronildo Jesus -

Artigo.: João de Deus - O fenômeno que colocou Abadiânia no Mapa

CASA DOM INACIO DE LOYOLA
Maiores Informações
http://voluntarioseamigos.org/
Telefone: (0xx62) 343-1254
Avenida frontal º sn - 72940-000
Abadiânia - Goiás - Brasil
Se deseja compartilhar e divulgar estas informações, reproduza a integralidade do texto e cite o autor e a fonte. Obrigada. Hospital Espiritual do Mundo

quinta-feira, 3 de março de 2011

O HOMEM DE ABADIANIA



Por.: Pablo Nogueira (texto)
E André Schneider (fotos)

Quem é João de Deus, o Médium Brasileiro que atrai legiões de fiéis de todo o Mundo com suas Supostas Curas Espirituais.

Incorporado por uma entidade, o médium João de Deus prepara-se para encerrar os trabalhos de mais um dia.


É um belo fim de tarde de sexta-feira e estou fazendo hora em um jardim. Ao meu redor, espalham-se cerca de 70 pessoas de todas as idades, e estamos aguardando que o homem que dirige esse lugar apareça para nos dizer adeus.

Sem ter muito o que fazer, começo a escutar a conversa de quem está por perto. Identifico vários franco-canadenses, um casal alemão com duas filhinhas, uma menina com aspecto de indiana falando francês com sotaque (de onde será?), duas senhoras norte-americanas, outras duas da Austrália e um grande grupo proferindo algo totalmente incompreensível, que depois descubro ser húngaro. Quase todos vestem branco, e o papo segue animado.

O clima é aquela mistura de alegria com nostalgia antecipada, característico do fim de qualquer viagem bem-sucedida. Amanhã todos estarão voando de volta a seus países, após uma estadia de pelo menos duas semanas na pequena Abadiânia, no interior de Goiás. 

Uma porta se abre. Dela sai um homem corpulento, na faixa dos 60 anos e igualmente vestido de branco, que caminha devagar. Está visivelmente cansado e tem motivos para isso, pois conversou com mais de 2.400 pessoas nos últimos três dias. Ele é cercado pela legião de estrangeiros, ávidos por tirar uma foto ao seu lado. Não há empurra-empurra, mas há competição, e o ritmo é de linha de montagem. Durante 20 minutos, ele posa para os flashes e faz questão de mostrar-se sorridente. Quem consegue sua foto fica satisfeito, pois cruzou continentes para encontrar o homem pessoalmente, ainda que por poucos instantes. 

Esse personagem é João Teixeira de Faria, 66 anos, mais conhecido como João de Deus. Ele é aquilo que os espíritas chamam de "médium de cura", alguém que, supostamente sob a influência de seres espirituais, identifica males, prescreve tratamentos e realiza cirurgias. A cena se desenrolou nos jardins da Casa de Dom Inácio, instituição criada por ele para oferecer tratamentos com claro viés espírita. 

A mediunidade de João é o coração da Casa de Dom Inácio. Ele tem 1,80 m, voz grave e personalidade forte. Fala com sotaque do interior de Goiás, com o jeito simples de quem teve de interromper os estudos na segunda série para trabalhar. Suas palavras são assertivas. "Minha missão é servir de instrumento às entidades de luz. Quem cura é Deus e as entidades, eu nunca curei ninguém", diz. O tom mistura didatismo e paciência. Afinal, a explicação é repetida desde os anos 1950, quando João passou a ser procurado por doentes em busca de alívio e cura. "Não sou um pregador. Estou procurando mostrar às pessoas o que é a verdade, o que é o amor. Mas é difícil alguém chegar a Deus pelo amor. A maioria chega pela dor. Se você ficar cego um dia, vai buscar a Deus", diz.


Logo após a consulta com João de Deus, a romena Simona Constantinescu analisa o encontro: "Senti um afeto muito grande. Nunca tive experiências espíritas, mas estou deixando acontecer".

Mesmo atribuindo ao além o mérito pelos atendimentos que lhe tornaram mundialmente conhecido, João defende o próprio trabalho. Nas paredes de seu escritório estão dependurados cerca de 50 títulos e diplomas. Eles revelam que João foi homenageado pelo Primeiro Batalhão de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro, que é "Amigo do Exército", "Amigo da Marinha", cidadão honorário de Teresópolis... Ali também está um grosso arquivo com depoimentos, registrados em cartório, de pessoas que alegam terem sido curadas. "Eles fazem isso porque querem, eu não teria dinheiro para pagar tantas despesas de cartório. Você não faz um registro se não tiver obtido um benefício, não é?", questiona. 

João menciona o grande número de famosos e poderosos que, em momentos difíceis, foram a Abadiânia em busca de auxílio. Cita alguns nomes que vão de ministros do Supremo Tribunal Federal a personalidades do showbiz.

"Criei a Casa de Dom Inácio para fazer o bem. As pessoas que estão aqui vieram porque quiseram, eu não convido ninguém. Se continuam vindo, é porque percebem que o trabalho é sério. Você pode enganar alguém por um mês ou dois, mas por 50 anos é difícil", diz. 

João tinha nove anos quando começou sua jornada. Caçula de cinco irmãos, residia com a família em Itapaci, no interior de Goiás. Certa vez, em visita com a mãe a um povoado vizinho, pediu a ela que regressassem assim que possível, pois uma tempestade logo cairia. Como nada indicasse chuva, ela não deu crédito, mas concordou em procurar abrigo na casa de um conhecido. Pouco depois, uma forte chuva derrubou ou danificou um quarto das construções do lugar. 

Menino, caiu no mundo em busca de sustento. Aos 14 anos, foi parar em Campo Grande (MS). João conta que, após passar dias sem comer, estava à beira de um rio na periferia da cidade quando viu uma luz e ouviu uma voz lhe dizendo que fosse a um centro espírita da cidade. "Quando cheguei, perguntaram meu nome e disseram que estavam esperando por mim. Me chamaram para sentar à mesa e dirigir os trabalhos. Eu respondi que não entendia nada daquilo e que estava mesmo é com fome." Terminou aquiescendo e sentando-se à mesa, onde estavam os dirigentes da sessão espírita. Um deles entoou uma prece. "Fechei os olhos e percebi que estava caindo no sono." Quando acordou, foi informado de que havia incorporado uma entidade e realizado 50 cirurgias e atendimentos. 

Ficou alguns meses em Campo Grande, mas logo começou a viajar. Durante oito anos, seu trabalho foi movido pelo boca a boca. "Famílias vinham até mim e depois me convidavam para ir às suas cidades", diz. Não se vinculou formalmente a nenhum grupo religioso e seguiu um modelo diferente do espírita tradicional, no qual os tratamentos são feitos apenas nos centros. "Eu acordava de manhã e via aquela multidão parada na minha porta. O que ia fazer? Começava a atender", lembra. Cotegipe (BA), Colinas (TO), Imperatriz (MA) e Wanderlei (BA) são algumas das cidades onde viveu. Ao mesmo tempo, ganhava a vida como pedreiro, garimpeiro e alfaiate.

Heather Cumming foi a Abadiânia em busca de elevação espiritual. Hoje, é dona de uma pousada na cidade.
No rastro do grande público, vinham as autoridades e os médicos. Já então ele dizia a quem o procurava que não interrompesse qualquer tratamento alopático e que seguisse as prescrições médicas. Nem por isso deixou de ser várias vezes detido sob a acusação de exercício ilegal da medicina e charlatanismo. Não chegou a ficar muito tempo preso, mas não gosta de falar do que aconteceu nas delegacias. "Sofri violências na prisão. Mas continuei na minha missão", limita-se a comentar, com os olhos marejados e a voz embargada, antes de mudar de assunto. 
Gradativamente, aproximou-se de algumas autoridades. Após o golpe de 1964, começou a trabalhar como alfaiate para oficiais do exército. "Ali, encontrei pessoas que me deram apoio", diz. Continuou perambulando por várias cidades, acompanhando militares que eram transferidos. Assim João livrou-se das prisões e das perseguições. 

Sua fase de viajante terminou em 1976, quando chegou a Abadiânia. Na época a cidade era governada por Hamilton Pereira, atual diretor administrativo da Casa de Dom Inácio. "Apoiei a vinda de João porque pensava que ela poderia beneficiar economicamente a comunidade", diz Pereira.

À época, Abadiânia era uma cidade com pouco mais de 10 mil moradores.
Seus jovens trabalhavam em Goiânia, Anápolis ou Brasília e só retornavam ao município para dormir. A cidade tinha dois táxis e quase nenhuma infra-estrutura hoteleira. Hoje, com 13 mil habitantes, possui 26 pousadas com 1.500 leitos e uma frota de 37 táxis. São cerca de 500 empregos gerados pela Casa de Dom Inácio. Isso significa que ela tem um peso econômico maior do que a prefeitura. "Fico preocupado com o que pode acontecer quando João não estiver mais aqui", diz Pereira. A estrutura que Abadiânia oferece para receber seus visitantes é desproporcional ao seu tamanho. Nos seis quarteirões da via que liga a BR-060 à casa, encontra-se uma profusão de restaurantes, cafés com internet, lojas de lembranças e agências turísticas. O viajante pode optar entre contratar os serviços de um massagista especializado em reflexologia ou agendar uma excursão para as cachoeiras de Pirenópolis. Os funcionários dos hotéis e do comércio dominam o básico do inglês, língua encontrada nos cardápios dos restaurantes e nos letreiros das lojas.

O professor inglês Errol Roget tentava curar seu joelho pela segunda vez.
Curioso é que, embora João de Deus atraia multidões há décadas, o turismo só desabrochou recentemente. E bem rápido. Heather Cumming, paulista filha de escoceses, começou a freqüentar a região em 1998. Hoje, ela é dona de uma pousada que fica a quatro quarteirões da casa. "Até 2002, da entrada da minha pousada eu enxergava os portões da casa, a área ao redor era um pasto", diz. Agora tudo está tomado. Por trás desse crescimento estão dólares e euros. Heather diz que os primeiros a chegar ao local em grande número foram os australianos, em meados dos anos 1990. "Depois vieram os neo-zelandeses, os europeus e, por último, os norte-americanos", afirma. De fato, sinto-me como em um cofee-break na ONU, tantas são as nacionalidades e etnias representadas ali. 

Hoje é possível encontrar vários sites estrangeiros com endereços como "johnofgodtours", "jeandedieu" ou "casadonignacio". Neles, visitantes convertidos em guias oferecem pacotes de viagens, em geral com 15 dias de duração. Os estrangeiros já respondem por metade das cerca de 800 pessoas em busca de uma consulta com o médium por dia. E o fenômeno é de mão dupla: na última década, João esteve uma vez na Grécia, uma na Nova Zelândia, três na Alemanha e quatro nos EUA. 

O médium vê com naturalidade o interesse estrangeiro. "É gente que lê, que estuda. Estão vindo pela fé. E eu não prego nenhuma religião." E diz que não há nenhuma diferença entre realizar atendimentos aqui ou no exterior. "Para mim é a mesma coisa. Se pagarem os funcionários da casa por uma semana, vou aonde me chamarem", diz João. 

Abadiânia em nada se assemelha aos demais pólos turísticos do País. A pequena cidade goiana respira sobriedade. Quase todos usam branco. Aqui e ali vêem-se cadeirantes e pessoas que caminham com bengalas. Mas também há crianças acompanhadas de seus pais, o que gera uma atmosfera "família".

Nos restaurantes, a música calma, em volume baixo, favorece a intimidade. É comum ver duplas sentadas às mesas conversando concentradamente, como se estivessem relatando a história de suas vidas. A água-de-coco é a bebida mais popular, e é praticamente impossível encontrar bebidas alcoólicas nas proximidades da Casa de Dom Inácio. 

"Nasci a poucos quilômetros daqui. Estou na minha terra, o interior de Goiás", diz João. Mas o fato é que a opção por Abadiânia não foi tão planejada. "Primeiro me instalei em Anápolis porque era amigo do prefeito", recorda o médium. Sua chegada, porém, despertou a pronta oposição da comunidade médica. "Ele então me pediu que me mudasse para Abadiânia." A história quase mudou de rumo em 1993, quando, escaldado por uma briga, o médium quis ir embora de Goiás. Recebeu um bilhete do amigo Chico Xavier, na verdade uma mensagem psicografada, assinada por Bezerra de Menezes, considerado o pai do espiritismo institucionalizado no Brasil. Ela dizia que Abadiânia era "o abençoado local de sua iluminada missão e de sua paz".

"Chico era o papa do espiritismo. Um pedido dele era uma ordem", diz. João realiza uma cirurgia visível. A maioria delas é requisitada por estrangeiros. 

Rodar por Abadiânia a bordo da sua minivan Zafira prata é como estar ao lado de um político popular. As pessoas mantêm uma distância respeitosa. Mas, quando ele as chama para conversar, se aproximam sorridentes, apertam sua mão, abraçam. Ele chama aos mais jovens de "filho" e "filha". Sabe os nomes de muitos e conhece as histórias de alguns. "E o seu irmão, como está?", pergunta a um vendedor de espetinhos. Um rapaz evangélico, mulato e miúdo, na casa dos 20 anos faz questão de mostrar seu apreço. "Vou sempre à casa. Tenho uma foto do seu João dentro da Bíblia", diz. Parte da popularidade de João deriva dos trabalhos assistenciais que ele promove na cidade. A lista é extensa. Ele mantém uma filial da casa, situada em outro bairro, distribui diariamente cerca de mil pratos de sopa à população carente, paga o ensino superior para pelo menos uma dúzia de pessoas. Dois anos atrás, comprou quatro motos para a polícia. Em outubro passado, distribuiu 2 mil brinquedos no Dia das Crianças. E por aí vai. 

Segundo João, o dinheiro para as obras de caridade vem da administração de quatro fazendas. "Trabalho lá três dias por semana e outros três na casa. Às terças, descanso", diz. Todos os tratamentos na casa são gratuitos. As entidades podem prescrever o uso de um medicamento de ervas produzido ali mesmo, que custa R$ 10 o pote. Mas quem alega não ter dinheiro pode levá-lo gratuitamente. 

Com área de 12 mil m2, a Casa de Dom Inácio é um conjunto de pequenas construções, quase todas pintadas de azul celeste. Seu coração é a chamada "área mediúnica", um conjunto de cinco salas onde se desenvolve o atendimento. É lá, entre quarta e sexta, que João de Deus atende todos que o procuram. 

Exatamente às 8h, as 200 cadeiras do saguão estão tomadas por uma multidão vestida de branco. O lugar é decorado com imagens de diversos líderes religiosos e seitas, de Jesus Cristo e Santo Inácio a Joana de Ângelis (ligada ao espiritismo), passando pelo budismo tibetano e sete gurus indianos. Há também um choque de estilos. Vejo um rapaz do leste europeu, usando cabelos compridos, com flores brancas nas mãos, grandes óculos escuros e camisa Empório Armani. Ele espera ser atendido ao lado de uma típica senhora do interior do Brasil. Ela veste saia de algodão e havaianas. 

Abaixo da superfície colorida correm as águas escuras do sofrimento. Basta ver os que caminham com bengalas ou estão restritos a cadeiras de rodas, ou ainda aqueles que ostentam a calvície típica de quem encarou a quimioterapia. E aqueles cujos males não saltam aos olhos? Por trás de cada visitante pode haver uma história muito triste. 

É preciso, então, grande discrição. "A gente não pergunta por qual motivo a pessoa veio aqui", diz Sebastião de Lima, 55, o Tiãozinho, que desde 1972 acompanha João como voluntário. "A pessoa diz às entidades o que busca, a fim de ser tratada. Para nós, ela só conta o que quiser, e se quiser", afirma. 

O americano Craig Kolb medita em frente ao triângulo-símbolo da Casa de Dom Inácio.
Não há um ritual rígido ordenando as atividades da casa. Descalço e vestido de branco, João recita uma prece e, já em transe, senta-se em uma cadeira de espaldar alto para dar início aos atendimentos. "Sou um médium inconsciente, não lembro de nada do que aconteceu durante a incorporação", diz. Ele afirma que não gosta de ver sangue, nem de assistir aos registros em vídeo das cirurgias. 
João não sabe dizer quantas entidades incorpora. Estima-se que sejam de 20 a 30. Os voluntários não sabem sequer os nomes de muitas, já que elas nem sempre se identificam. Mas aprenderam a distinguir as mais freqüentes pelos seus trejeitos. Dom Inácio manca e é bastante amoroso. Dr. Augusto de Almeida tem um jeito mais autoritário. Mas ninguém os confunde com João.

Para um olhar destreinado como o meu, com pouco tempo de observação, fica difícil enxergar personalidades diferentes. 

O momento do encontro com a entidade é um dos pontos altos da viagem a Abadiânia. É a hora de pedir o que se precisa ou averiguar o estado de um tratamento iniciado anteriormente. Muitos na fila estão descalços. Pessoas em cadeira de rodas parecem ter prioridade. Os estrangeiros muitas vezes estão acompanhados pelos seus guias, que traduzem seus pedidos à entidade, e a sua respectiva resposta. Os que estão sós podem contar com os voluntários da casa, que falam inglês e um pouco de francês. Embora a sala esteja lotada, a conversa é íntima e afetiva. A entidade sorri, pergunta como o consulente está, olha direto em seus olhos. Muitos se ajoelham. Há quem se debruce sobre o médium, como se procurasse mais privacidade. Muitos o chamam de "pai". 

A maioria dos pedidos diz respeito a problemas de saúde. Há quem traga fotos de doentes, para serem tratados à distância. Com uma caneta, o médium faz um sinal atrás das imagens. Algumas são colocadas numa caixa, outras são devolvidas. Uma mulher loira, aparentando 45 anos, mostra uma foto e diz que aquela pessoa havia sido curada sem deixar a Finlândia. Com a voz séria, a entidade diz: "Esse é o poder de Deus. Eu sou o Dr. Augusto de Almeida".

Em outros momentos, a ação é mais direta, e a entidade faz as chamadas "cirurgias visíveis". São intervenções com facas, bisturis e tesouras, popularizadas por José Arigó nos anos 1970. Na Casa de Dom Inácio elas não são freqüentes e, em sua maioria, são pedidas pelos próprios consulentes, quase sempre os estrangeiros. Assisti a cinco dessas intervenções em três dias e pude observar que, embora houvesse pequenos sangramentos em alguns casos, ninguém se queixou de dor, mesmo quando a entidade passou uma faca sobre o olho de um homem sem o uso de anestésicos. Não localizei essas pessoas após as intervenções, para que relatassem mais detidamente os eventuais benefícios obtidos.


Muletas e bengalas deixadas por aqueles que se consideram curados por João de Deus.
Quando pergunto o que faz com que alguns sejam curados e outros não, João diz que, "se houvesse um lugar onde todos ficassem curados, seria uma maravilha. Os hospitais fechavam. Não tem mágica, cada um recebe de acordo com o que merece. E quem cura é Deus, não sou eu".

Há ainda quem peça auxílio para trabalhar, para passar no vestibular, para ser aprovado em concursos, para encontrar pessoas desaparecidas, para engravidar. "Pode deixar que eu vou te ajudar com a sua profissão", diz a entidade a uma adolescente sorridente. Um casal de 20 e poucos anos, com aspecto de classe média alta, traz uma criança de colo e agradece a entidade. Ela segura o menino e sorri. Os atendimentos são interrompidos por volta do meio-dia e recomeçam às 14h. Tudo acaba por volta das 17h.

Filho da contracultura, o fotógrafo americano Craig Kolb, 61 anos, é veterano de dez viagens à Índia. A fim de tratar de um problema no coração de sua mulher, Judith, pegou a "ponte aérea" Califórnia-Goiás. "Uma amiga brasileira nos recomendou a Casa de Dom Inácio. Ficamos interessados e descobrimos que nossos vizinhos haviam feito uma visita um ano antes."

Vieram ao Brasil em abril por duas semanas, pagando US$ 3.000 cada um. Voltaram em outubro. "Estávamos com muita vontade de retornar. O quadro da minha esposa é estável. E eu, apesar de não ter nenhum problema, fui indicado a fazer uma cirurgia espiritual. Agora me sinto mais leve", diz. 

O inglês Errol Roget, 55 anos, tem o olhar compenetrado do professor de matemática que é. Veio de Londres em março para tratar de uma dor crônica no joelho, causada por uma lesão na cartilagem. "Fiz uma cirurgia espiritual, mas não segui as indicações do tratamento. Voltei para fazer tudo certo. Meu joelho melhorou 60%, mas há algo mais acontecendo. Minha espiritualidade se fortalece. E isso é mais importante do que o meu joelho", diz. 

A idéia de que o valor da visita vai além da cura física é algo presente na mente de muitos estrangeiros. É o caso da nova-iorquina Eva, uma loira de 50 anos presumíveis que trabalha como agente de viagens e pediu para não ter seu sobrenome citado. Ela conta que esteve na casa pela primeira vez em maio de 2007, movida pelo depoimento de uma amiga que melhorara de um câncer.

"Eu sofria com dores nos ouvidos, menopausa, ansiedade e desequilíbrios nos neurotransmissores", conta. Passou por duas cirurgias espirituais. Quando voltou aos EUA, experimentou uma sensação de transformação. Além do bem-estar físico, diz que ficou mais intuitiva e sensível, e superou problemas pessoais. 

Há ainda outros motivos para os estrangeiros lotarem a casa. Um bom exemplo é a história da jornalista romena Simona Constantinescu, que visitava a casa pela primeira vez em outubro. Ano passado, uma amiga dela veio a Abadiânia para encontrar-se com João. "Ela não tinha problemas de saúde. Veio apenas para entender mais sobre a vida e a morte", diz Simona.

A amiga mostrou uma foto da jornalista a João, para pedir "boas vibrações".
O médium disse que Simona deveria vir ao Brasil. "Me convenci que seria uma experiência enriquecedora e juntei o dinheiro durante um ano." Quando ficou frente a frente com João de Deus, Simona ouviu que é "filha da casa", um termo que sugere uma afinidade com o trabalho que acontece ali. A jornalista caiu em prantos. "Não sei que efeito isso vai ter em mim. Nunca tive experiências espíritas, mas estou deixando as coisas acontecerem", diz. 

A atitude de João quanto ao tema religião é complexa. "Sou católico", responde ele, quando pergunto diretamente. No dia seguinte, define-se como "um espiritualista, que acredita em Deus, na fé, no amor". No mesmo dia, revela que vai "à Assembléia de Deus. Vou aonde eu me sentir bem, para ouvir a palavra de Deus". E argumenta: "Todas as religiões são boas. Maus são alguns dirigentes". Sua atitude ecumênica ficou clara quando me levou até Céu de Abadia, uma igreja do Santo Daime que funciona perto de Abadiânia. "O seu João nos apoiou desde que chegamos aqui", diz Wilson Francisco, padrinho do local. "Nos anos 1970 eu já dizia que o chá não era droga e fui preso e perseguido pelas autoridades por causa disso", lembra João. 

A Casa de Dom Inácio reafirma o poder curativo da fé. Por isso, é natural que muitos dos que a visitam questionem suas próprias crenças. "Fui criada como católica, mas me afastei da religião. Quando voltei para casa, voltei à Igreja", diz Eva. "Muitos se reaproximam da religião que já tinham depois da experiência", concorda Heather. 

Para os estrangeiros, a estadia em Abadiânia é a porta de entrada para o espiritismo, tal como se consolidou no Brasil. "Já li três livros sobre o espiritismo brasileiro, que comprei aqui mesmo na casa. Pretendo aprender português para me aprofundar", diz o americano Kolb. Já a romena Simona preferiu se preparar para a viagem lendo 20 livros sobre espiritismo em espanhol num período de seis meses. 

João diz que o espiritismo é "uma filosofia" e que se aproximou dela "pelo conhecimento". Gosta de citar seu encontro com nomes como Gerônimo Candinho e Chico Xavier. Também narra como os familiares de Eurípedes Barsanulfo deram-lhe uma xícara que pertencera ao prócer do movimento espírita. Em dado momento, é capaz de se definir como kardecista. Mas volta atrás. João faz questão de frisar que, durante sua trajetória, não atendeu em centros espíritas. Aí pode estar um dos principais elementos do seu trabalho. Ao afastar-se de uma religião organizada, pode receber quem talvez se recusasse a entrar num centro espírita. 

O fato é que Abadiânia está se tornando um ponto de peregrinação internacional. Há outros lugares no mundo onde se pode observar fenômenos parecidos. A pequena Puttaparthi, no sul da Índia, recebe anualmente milhares de visitantes, vindos de todas as partes do mundo, em busca de uma bênção do guru Satia Sai Baba. E até hoje a cidade de Puna, também na Índia, continua recebendo caminhões de adeptos dos ensinamentos do guru Osho, que morreu há quase 20 anos. A pequena cidade de Goiás, porém, entrou na rota de pessoas de todo tipo de crença, pois não está formalmente vinculada a nenhuma. E a única semelhança entre João de Deus e um guru é o fato de que ele repete, incansavelmente, um mesmo mantra: "Quem cura é Deus e os bons espíritos. Eu nunca curei ninguém".

Vá Fundo - Para ler
"João de Deus", Heather Cumming e Karen Leffler. 
Editora Pensamento. 2008 
"Curas Espirituais", Ismar Garcia.
AB Editora. 2007.

Por.: Pablo Nogueira (texto)
E André Schneider (fotos)
Edição 209 – Dezembro/2008 – Matéria: “A nova era do espiritismo
Se deseja compartilhar e divulgar estas informações, reproduza a integralidade do texto e cite o autor e a fonte. Obrigada. Hospital Espiritual do Mundo

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O CURANDEIRO GLOBALIZADO



O CURANDEIRO GLOBALIZADO
Por: Marcelo Zorzanelli (texto)
e Ricardo B. Labastier (fotos), de Abadiânia, GO

A vida de João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus - ou John of God -, o cirurgião espiritual de Goiás que é mais famoso fora que dentro do Brasil.
CELEBRIDADE
João de Deus, na casa onde atende milhares de pacientes por ano. A maioria são estrangeiros.

São 5 da tarde na cidade de Abadiânia, interior de Goiás, a 115 quilômetros de Brasília. O cheiro dos tijolos cozidos na pequena olaria passeia pelo ar de agosto, um dos mais secos do ano no Cerrado. A poeira vermelha não adere ao chão e se espalha sobre telhados, paredes e ruas. As poucas árvores são retorcidas e nanicas, nada imponentes sobre a grama desidratada. Do outro lado da rua, um complexo de prédios conhecido como Casa de Dom Inácio de Loyola se destaca na paisagem poeirenta pela impecável limpeza. O pó não se assenta porque todas as quartas, quintas e sextas-feiras, no fim da tarde, litros de água são despejados por todos os lados, enquanto homens e mulheres vestidos de branco empurram vigorosamente rodos no chão de cimento batido. 

O furioso mutirão de limpeza é o último ritual de um dia comum na “Casa”, como é conhecido o lugar. Encerra um expediente que começa às 8 da manhã e que atrai 800 pessoas a Abadiânia. Na maioria estrangeiros, eles vêm em busca das cirurgias espirituais, visíveis e invisíveis, efetuadas por um fazendeiro conhecido como João de Deus, o mesmo epíteto que o papa João Paulo II recebeu em sua primeira visita ao Brasil, em 1980. Neste caso, o João que atrai multidões – diz já ter atendido 10 milhões de pessoas, o que exigiria receber mais de 500 por dia, todos os dias, durante 50 anos – se chama João Texeira de Faria. Já foi tema de uma reportagem da TV americana ABC, em 2005, e é o protagonista de um documentário do canal Discovery, a ser exibido internacionalmente (no Brasil, vai ao ar nos dias 25 e 29 de agosto, às 22 horas).

O furioso mutirão de limpeza é o último ritual de um dia comum na “Casa”, como é conhecido o lugar. Encerra um expediente que começa às 8 da manhã e que atrai 800 pessoas a Abadiânia. Na maioria estrangeiros, eles vêm em busca das cirurgias espirituais, visíveis e invisíveis, efetuadas por um fazendeiro conhecido como João de Deus, o mesmo epíteto que o papa João Paulo II recebeu em sua primeira visita ao Brasil, em 1980. Neste caso, o João que atrai multidões – diz já ter atendido 10 milhões de pessoas, o que exigiria receber mais de 500 por dia, todos os dias, durante 50 anos – se chama João Texeira de Faria. Já foi tema de uma reportagem da TV americana ABC, em 2005, e é o protagonista de um documentário do canal Discovery, a ser exibido internacionalmente (no Brasil, vai ao ar nos dias 25 e 29 de agosto, às 22 horas).

João estremece, como se uma corrente elétrica passasse pelo corpo. Diz que agora está ali o “doutor José Valdivino”.

Na internet, há uma profusão de sites em que pacientes relatam curas milagrosas. Na Casa, um cômodo abarrotado de ex-votos oferecidos por pessoas que se dizem curadas – muletas, braços e pernas de cera, cadeiras de rodas, óculos, reproduções de arcadas dentárias e uma coleção de tecidos humanos conservados em formol – é um testemunho da multidão que já foi atendida ali. João de Deus chega à Casa cedo, por volta das 7h30 da manhã, e senta-se num sofá do pequeno escritório anexo aos salões principais. Nas paredes, imagens de santos, retratos de gente atendida por ele, uma foto sua ao lado do médium mineiro Chico Xavier, diplomas de honra ao mérito emitidos por associações militares, entidades policiais e Câmaras de Vereadores. As paredes brancas com rodapé azul de 1 metro de altura, onipresentes na Casa, formam um corredor claustrofóbico que leva ao salão principal, onde cerca de 300 pessoas de todas as idades estão sentadas, de olhos fechados e em silêncio.

SOB RECEITA
João de Deus prescreve, em grande parte dos atendimentos, um preparado à base de raízes e ervas, vendido na Casa por R$ 10 o pote.
João não ergue a vista para quem o espera. Ele está descalço e navega em passos incertos até uma cadeira de espaldar alto. A seu redor, uma dúzia de buquês de flores frescas, estátuas de santos e uma pedra de quartzo que serve de gruta para uma Pietà. Ele chama dois de seus assistentes e dá uma mão a cada um.

Estremece, revira os olhos, sacode os ombros e retesa os braços, que deixa cair, como se uma corrente elétrica passasse por seu corpo. Ele se recompõe. Até as 5 da tarde, estará em transe, atendendo as centenas de pessoas que formam uma fila em frente a sua cadeira. Seu ar normalmente contrito dá lugar a movimentos amplos dos braços e uma genuína hiperatividade. De acordo com ele, quem está ali agora é o “doutor José Valdivino”, uma das 30 entidades que João afirma usar seu corpo como “aparelho” – designação da literatura espírita – para curar pessoas. Entre as supostas entidades estão figuras históricas como o sanitarista Oswaldo Cruz, Santo Inácio de Loyola e Santa Rita de Cássia. 

Entre os que o procuram estão pacientes de câncer, esclerose, paralisia cerebral, bócio, nódulos mamários, cefaléia, vertigem, dor abdominal, lombalgia, problemas oculares, aids. João diz não prometer curas, que segundo ele dependem “da vontade de Deus”. Na ante-sala onde se forma a fila, são exibidos vídeos com testemunhos de curas milagrosas. Uma equipe de auxiliares informa os que esperam atendimento quanto aos primeiros passos: vestir-se de branco para “facilitar o acesso à aura”, que tipo de comida evitar. Em seguida, vão todos para a fila. Uma jovem americana, de olhos fechados, medita com uma foto do presidente George W. Bush nas mãos. “Concentrem-se nas suas doenças,” diz uma auxiliar de João. “Os espíritos estão examinando vocês, e farão um relatório para facilitar o atendimento.”

A CIRURGIA 
O médium raspa a córnea de um paciente com uma faca de mesa, sem assepsia nem anestesia. O doente não sente dor .
As cirurgias podem ser “visíveis” ou não, de acordo com a vontade do paciente. Nas visíveis, os procedimentos mais comuns são a introdução de uma pinça cirúrgica no nariz, a raspagem da retina ou a retirada de tumores com bisturi. Às vezes, João faz simples massagens na região onde o paciente reclama de dor. O médium pergunta, imperativo: “Cadê a dor?” Todos dizem não sentir mais nada.
Em alguns casos, ele ordena a pessoas em cadeiras de rodas ou muletas que as abandonem e andem. Em todos os casos presenciados pela reportagem de ÉPOCA, os pacientes saíram claudicando com muita dificuldade. Quando há cortes, ele costura a ferida com agulha e linha, e o paciente vai para uma sala de repouso. Se há sangue no chão, os auxiliares se apressam em limpá-lo com álcool de cozinha. Os instrumentos cirúrgicos não são limpos entre uma operação e outra. 
Uma consulta sem cirurgia é mais rápida. João rabisca um papel, que é seu “receituário”, um garrancho ilegível. Seus auxiliares o traduzem. A prescrição é sempre o mesmo preparado de raízes e ervas ou um apontamento para uma cirurgia posterior. Quem passou por uma cirurgia espiritual é orientado a ficar 24 horas em repouso. A Casa também pede que não se interrompa o tratamento médico. A maioria das pessoas em busca de cura acaba ficando mais que uma semana em Abadiânia, a pedido das “entidades”. Ela também é incitada a permanecer na Casa durante vários dias, para uma “corrente de meditação”.

LONGA VIAGEM

O casal Alice e Walter Reschl, da Áustria, levou o filho mais velho a Abadiânia para tratar de uma distrofia muscular.
Em uma das paredes da Casa há uma reprodução de um estudo publicado em 2000 na Revista da Associação Médica Brasileira. O trabalho é, supostamente, uma tentativa de investigar cientificamente as cirurgias espirituais de João de Deus. Um de seus autores, Alexander Moreira de Almeida, hoje é professor de Psiquiatria na Universidade Federal de Juiz de Fora. Ele já escreveu artigos em outras publicações com títulos como “Visões espíritas dos distúrbios mentais no Brasil” e “A mediunidade vista por alguns pioneiros da área mental”. O estudo de 2000 não chegou a conclusão nenhuma. Uma das co-autoras, Maria Ângela Gollner, se diz constrangida pelo uso do artigo. “Ele fez daquilo uma máquina de propaganda”, disse, referindo-se a João de Deus. Ouvido por ÉPOCA, Almeida não quis revelar sua crença religiosa e disse ignorar que o artigo esteja afixado na Casa Dom Inácio. 

Dez cirurgias de João de Deus foram acompanhadas, mas apenas seis pacientes foram entrevistados e quatro foram localizados seis meses depois da cirurgia – em nenhum caso foi obtido o histórico médico dos pacientes. Esse artigo inconclusivo, porém, costuma ser usado como uma espécie de “respaldo científico” para o trabalho de João de Deus. Outro argumento são entrevistas de médicos americanos. Mehmet Oz, um cirurgião conhecido nos Estados Unidos – colabora com o programa de Oprah Winfrey –, se disse impressionado com as imagens das cirurgias. “Eu gostaria de ter o tipo de treinamento que permite a ele transformar s o próprio corpo num mecanismo de cura”, disse à TV americana ABC.

Uma visita da atriz americana Shirley MacLaine, em 1991, atraiu fama mundial a Abadiânia.

A popularidade de João de Deus no exterior se deve em grande parte à ampla cobertura da imprensa internacional em 1991, quando a atriz americana Shirley MacLaine tratou-se com ele (supostamente foi curada de um tumor abdominal). De lá para cá, o boca a boca, as reportagens e os livros publicados nos EUA e na Europa se encarregaram de espalhar a fama. No site da Amazon, encontram-se pelo menos três livros e dois DVDs em inglês sobre João de Deus, com títulos como John of God: the Brazilian Healer Who’s Touched the Lives of Millions (João de Deus: o Curandeiro Brasileiro que Tocou as Vidas de Milhões).

ESPIRITUALIDADE


A australiana Phoebe Dixon levou para Goiás uma professora com câncer. “O mundo precisa de mais gente como João. 
Caçula de cinco irmãos, João conta que passou pela primeira “experiência transcedental” aos 9 anos. Segundo ele, a mãe, dona Iúca, o levou para visitar parentes no vilarejo de Nova Ponte, em Goiás. João diz que, em um dia sem nuvens, previu que muitas casas seriam destruídas por uma tempestade. A muito custo, convenceu dona Iúca a ir embora. Segundo ele, em poucos minutos nuvens negras surgiram, e a chuva arrasou 40 casas. João conta que, aos 15 anos, começou a incorporar espíritos. O trabalho de cirurgião espiritual começou nessa época. Seu relato é assim: certo dia, quando tomava banho de rio em Campo Grande (atual Mato Grosso do Sul), encontrou uma mulher bonita com quem passou o resto do dia conversando. No dia seguinte, voltou ao rio para procurá-la, mas ouviu apenas a voz dela, ordenando que comparecesse a um centro espírita chamado Cristo Redentor. Chegando lá, desmaiou. Quando acordou, horas depois, envergonhado, atribuiu o desmaio à fome. Os membros do centro acalmaram-no e disseram que João havia sido possuído por um espírito e, durante o transe, feito cirurgias espirituais, dizendo ser o rei Salomão, da Bíblia. 

Depois de mais um dia de cirurgias, com a voz calma, João conta outras histórias de sua juventude. Um dia, diz, viu uma mulher que se debatia em frente à janela de sua casa. Uma multidão a cercou. João correu para junto da mulher e pegou sua cabeça nas mãos. O ataque cessou. Um homem que assistia a tudo perguntou o que havia acontecido. João disse que tinha o dom de curar pessoas. O homem o desafiou a adivinhar que problema de saúde ele tinha. “O senhor quer operar o joelho”, respondeu João. Impressionado, o homem teria dito, brandindo um distintivo de delegado: “Você vem comigo para Brasília”. João afirma que foi sua primeira rodada de serviços prestados a figuras ligadas ao poder, que seriam seus principais defensores em 50 anos de atendimento. Em várias ocasiões, João foi proibido de fazer atendimentos ou foi preso por ordem judicial, como charlatão, e solto por políticos. Até hoje guarda os documentos desses casos em pastas de capa preta que lotam uma estante em sua sala. Entre as cartas de apreço, algumas são assinadas pelo ex-vice-presidente Marco Maciel, o ex-senador Íris Rezende, o recém-falecido senador Antônio Carlos Magalhães e o ex-presidente peruano Alberto Fujimori.

João tem nove filhos e cuida de quatro fazendas de gado. “As doações não bastam. Às vezes, tenho de vender bois”.

João diz que não gosta de ser chamado de curandeiro ou milagreiro. Mas eram esses os nomes que anunciavam sua chegada a cidades da região Centro-Oeste na década de 60. Ele atendia doentes em centros espíritas ou casas de umbanda.

“Minha família só me aceitou depois de 20 anos da minha missão”, diz João.
“Para eles, eu era bruxo.” Ele se declara católico. Anda com uma imagem de Santo Agostinho no bolso do jaleco. Faz o sinal-da-cruz antes de dormir. Diz que gosta de dançar em serestas e chama a terceira mulher, Ana, de s Flor do Cerrado. Mora em Anápolis, a 40 quilômetros de Abadiânia, para onde volta dirigindo o próprio utilitário esportivo no fim do dia. Tem nove filhos e administra quatro fazendas de gado. Tentou se aventurar no ramo da mineração de ouro. Afirma que sofreu prejuízos e decidiu se restringir à pecuária. Segundo conhecidos, é um ótimo negociante. “As doações não bastam para pagar os funcionários”, diz. “Então, às vezes, tenho de pegar do que eu ganho. Vender uns bois. A despesa aqui é de R$ 90 mil, R$ 100 mil por mês. Nossas contas estão abertas para quem quiser ver.”

CURA?
Nos três dias em que esteve na Casa de Dom Inácio, a reportagem de ÉPOCA ouviu dezenas de pessoas, com os mais diferentes tipos de enfermidade. 
Todas pareciam tranqüilas e sorridentes. “Os médicos disseram que meu filho não viveria muito”, diz a austríaca Alice Gabriel. É uma história semelhante à de muitas mulheres que acompanham os filhos à Casa. Julian, o filho de Alice, tem 13 anos e vive preso a uma cadeira de rodas devido a um caso severo de distrofia muscular. Alice e o marido, Walter Reschl, viram João de Deus na Alemanha há dois anos. Já haviam levado o filho a curandeiros na Inglaterra e Itália, sem resultado. Foram a Abadiânia em 2006 e estão ali há um ano. “Em poucas semanas, a doença se estabilizou”, diz Alice. Ruzica Wiesen, nascida na antiga Iugoslávia e naturalizada americana, diz que foi diagnosticada com artrite reumatóide há 19 anos.

Apesar de levar uma vida saudável como professora de ioga em Chicago, afirma que subitamente perdeu a capacidade de andar sem a ajuda de muletas. “Descobri que os problemas são espirituais.” Ruzica diz que voltou a andar desde que passou a freqüentar a Casa, há dois anos. “Tenho fé que foram os espíritos que me ajudaram. Isso basta.” Phoebe Dixon, uma australiana de 20 anos, veio ao Brasil acompanhar a professora de Psicologia da faculdade, que tem câncer de fígado. “Quando ouvi que havia algo assim no mundo, resolvi conferir com meus próprios olhos”, diz a estudante. 
A professora de ioga americana Ruzica Wiesen diz que voltou a andar depois de se tratar de uma artrite reumatóide em Abadiânia. 

Tamanha é a presença estrangeira que alguns hotéis de Abadiânia nem dispõem de avisos em português. Todo hotel tem pelo menos um funcionário que sabe mais que o “nice to meet you”. “Os benefícios para a cidade são inegáveis”, diz o prefeito, o médico Itamar Vieira Gomes. “Ele movimenta a economia, além de trazer uma energia muito boa para cá.” Quando perguntado sobre a influência política de uma figura tão importante, o prefeito é explícito: “O João não fica em cima do muro. Ele escolhe quem vai apoiar. Ainda bem que fui eu. Espero que também me apóie nas próximas eleições”. 

O padre da cidade não fala sobre João de Deus. Tampouco o médico de plantão no posto de saúde de Abadiânia. Numa quarta-feira em que João atendia centenas de pessoas, só uma senhora e sua neta estavam na sala de espera do posto de saúde. A menina nem sequer iria se consultar: estava ali para ser vacinada. 

REVISTA ÉPOCA 
Por: Marcelo Zorzanelli (texto) 
e Ricardo B. Labastier (fotos), de Abadiânia, GO
25/08/2007 - 03:40 | Edição nº 484.
Obs: Ao reproduzir o texto, favor citar autor e a fonte.

CASA DOM INACIO DE LOYOLA
Maiores Informações
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Telefone: (0xx62) 343-1254
Avenida frontal º sn - 72940-000
Abadiânia - Goiás - Brasil
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