terça-feira, 30 de novembro de 2010

Acordemos

É sempre fácil
examinar as consciências
alheias,
 identificar os erros do
 próximo,
opinar em questões que não
nos dizem respeito,
indicar as fraquezas dos
semelhantes,
educar os filhos dos vizinhos,
reprovar as deficiências dos
companheiros,
corrigir os defeitos
dos outros,
aconselhar o caminho
reto a
quem passa,
receitar paciência a
quem sofre
e retificar as más
qualidades de
quem segue conosco...


Mas enquanto nos
 distraimos,
em tais incursões a
 distância de nós mesmos,


não passamos de aprendizes
que fogem, levianos,
à verdade e à lição.
Enquanto nos ausentamos
do estudo de nossas
próprias necessidades,
olvidando a aplicação
dos princípios superiores
 que abraçamos
na fé viva,
somos simplesmente
 cegos do mundo interior
relegados à treva...
Despertemos,
 a nós mesmos,
acordemos nossas
 energias mais profundas
para que o
ensinamento do Cristo
não seja para nós uma
bênção que passa,
 sem proveito
à nossa vida,
porque o
 infortúnio maior de todos
para a nossa alma eterna
é aquele que nos
infelicita quando
 a graça do Alto
passa por nós em vão!...

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caridade.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
Araras, SP: IDE, 1978.

A Auto-Iniciação


Hoje em dia,
muitas pessoas
falam em iniciação.
 Todos querem ser iniciados.
 Mas entendem por iniciação
uma alo-iniciação,
uma iniciação por outra pessoa,
por um mestre,
um guru.
Esta alo-iniciação é uma utopia,
 uma ilusão,
uma fraude espiritual.
Só existe auto-iniciação.
O homem só pode ser iniciado por si mesmo.
O que o mestre,
o guru,
pode fazer é mostrar o
caminho por onde alguém se pode auto-iniciar;
pode colocar setas ao longo do caminho,
setas ao longo
 da encruzilhada,
setas que indiquem a direção
 certa que o discípulo deve seguir para chegar
ao conhecimento da verdade sobre Si mesmo.
Isto pode e deve o mestre fazer - suposto que ele
 mesmo seja um auto-iniciado.
Jesus, o maior dos Mestres que a
 humanidade ocidental conhece, ao
menos aqui, durante três anos consecutivos,
mostrou a seus discípulos o caminho
 da iniciação, o que ele chama o
"Reino dos Céus", mas não iniciou
nenhum dos seus discípulos.
Eles mesmos se auto-iniciaram na gloriosa
manhã do domingo de Pentecostes,
às 9 horas da manhã - como diz Lucas nos Atos dos Apóstolos.
Mas esta grandiosa auto-iniciação aconteceu só
 depois de 9 dias de profundo silêncio e meditação;
120 pessoas se auto-iniciaram, sem nenhum mestre
externo só dirigidas pelomestre interno de cada um,
pela consciência de seu próprio EU divino,
da sua alma do seu Cristo Interno.
 E esta auto-iniciação do primeiro Pentecostes,
em Jerusalém, pode e deve ser
realizada por toda pessoa.
Mas acima de tudo, o que quer dizer Iniciação?
Iniciação é o início na experiência da verdade sobre si mesmo.
O homem profano vive na ilusão sobre si mesmo.
Não sabe o que ele é realmente.
O homem profano se identifica com o seu corpo,
com a sua mente com as suas emoções.
E nesta Ilusão vive o homem profano
a vida inteira, 30, 50, 80 anos.
Não se iniciou na verdade sobre si mesmo, não
possui autoconhecimento,
 e por isso não pode entrar na auto- realização.
O que deve um homem profano
 fazer para se auto-iniciar?
Para sair do mundo da ilusão sobre
SI mesmo e entrar no mundo da verdade?
 Deve fazer o que fez o primeiro grupo de
 auto-iniciados, no ano 33,
 em Jerusalém, isto é, deve aprender a meditar,
ou cosmo-meditar.
O iniciado dá tudo e não espera nada do mundo.
Ele já encerrou as contas com o mundo.
Pode dar tudo sem perder nada.
O auto-iniciado é um místico não um místico
de isolamento solitário,
mas um místico dinâmico e
solidário, que vive no meio
do mundo sem ser do mundo.
Onde há plenitude, aí há um transbordamento.
O homem plenificado pelo
autoconhecimento e pela
auto-realização transborda a sua plenitude,
consciente ou inconscientemente,
saiba ou não saiba,
 queira ou não queira.
Esta lei cósmica funciona infalivelmente.
Faz bem pelo fato de ser bom, de viver em harmonia
com a alma do Universo.
Por isto, para fazer bem aos outros e à humanidade,
não é necessário nem é suficiente
fazer muitas coisas,
 mas é necessário e suficiente ser bom,
 ser realizado e plenificado do seu EU central,
conscientizar e vivenciar de acordo com
o seu EU central, com o seu Cristo Interno.
A plenitude da consciência mística da
 paternidade única de
 Deus transborda irresistivelmente na vivência ética
da fraternidade universal dos homens.
Para ter laranjas - laranjas verdadeiras
- não é necessário fabricá-Ias.
É necessário e suficiente ter uma laranjeira real e
mantê-la forte e vigorosa.
Nem é necessário ensinar a laranjeira como fazer laranjas,
ela mesma sabe, com infalível certeza, como fazer flores e frutos.
 Assim, toda a preocupação de querer fazer bem aos outros sem
 ser bom é uma ilusão tão funesta como o esforço de querer
 fabricar uma laranja verdadeira sem ter uma laranjeira.
Mais importante que todos o fazer é o ser.
Onde não há plenitude interna não pode haver
 transbordamento externo.
Para fazer o bem aos outros deve o homem ser
realmente bom em si mesmo.
Que quer dizer ser bom?
Ser bom não é ser bonachão, nem bonzinho,
nem bombonzinho.
Para ser realmente bom deve o homem estar em perfeita
harmonia com as leis eternas da verdade, da justiça, da
honestidade, do amor, da fraternidade, e viver de acordo
 com esta suaconsciência.
Todo o fazer bem sem ser bom é ilusório, assim como
qualquer transbordamento é impossível sem haver plenitude.
O nosso fazer bem vale tanto quanto nosso ser bom.
O ser bom éautoconhecimento e auto-realização.
Somente o conhecimento da verdade sobre
si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão
sobre si mesmo é escravizante.
Os mais ruidosos sucessos sem a realização interna são
 deslumbrantes vacuidades; são como
bolhas de sabão - belas por fora, mas
cheias de vacuidade por dentro. 1 % de ser bom
 realiza mais do que 100 % de fazer bem.
Auto-iniciação é essencialmente uma questão
de ser e não de fazer.
Esta plenitude do ser não se realiza pela simples
solidão, mas pelo revezamento de introversão e
extroversão.
O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso
dentro de si mesmo, na solidão da meditação e depois
fazer o egresso para o mundo externo, a fim
de testar a força e autenticidade do seu ingresso.
Todo auto-iniciado consiste nesse ingredir e nesse
 egredir, nessa implosão mística e nessa explosão ética.
Os discípulos de Jesus fizeram três anos de
aprendizado e nove dias de meditação depois se
auto-iniciaram.
Descobriram a verdade libertadora sobre si mesmos.
A verdade que os libertou da velha ilusão de se identificarem
com o seu corpo, com a sua mente, com as suas emoções,
saíram das trevas da ilusão escravizante,
e ingressaram na
luz da verdade libertadora:
"Eu sou espírito, eu sou alma, eu e o
Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai...
o Reino dos Céus está dentro de mim. "
E quem descobre a verdade sobre si mesmo,
liberta-se de todas as inverdades e ilusões.
 Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria,
da vontade de explorar, de defraudar os outros.
Liberta-se de toda injustiça, de toda desonestidade,
de todos os ódios e malevolências - de todo o mundo caótico
 do velho ego.
 O iniciado morre para o seu ego ilusório
e nasce para o seu EU verdadeiro.
O iniciado dá o início, o primeiro passo, para
 dentro do "Reino dos Céus".
Começa a vida eterna em plena vida terrestre.
Não espera um céu para depois da morte, vive
no céu da verdade, aqui e agora - e para
sempre. Isto é auto-iniciação.
Isto é autoconhecimento.
Isto é auto-realização.

HUBERTO ROHDEN

O Ateu

Sujeito que clama e berra
Contra a vida a que se agarra,
Vive em perene algazarra
Colado aos brejais da terra.
Do raciocínio faz garra
Com que à verdade faz guerra,
Na desdita em que se aferra,
À ilusão em que se amarra.
De mente sempre na birra
Ouve a ambição que lhe acirra
A paixão que o liga à burra.
 Mas a luz divina jorra
E a vida ganha a desforra
a morte que o pega e surra.


Xavier, Francisco Cândido; Baccelli, Carlos A..
Da obra: Brilhe Vossa Luz.
Ditado pelo Espírito Alfredo Nora.
4a edição. Araras, SP: IDE, 1987.

Sempre Chamados

Cristão é chamado a servir em toda parte.
Na casa do sofrimento, ministrará consolação.
a furna da ignorância, fará consolação.
No castelo do prazer, ensinará a moderação.
No despenhadeiro do crime, sustará quedas.
No carro do abuso, exemplificará sobriedade.
Na toca das trevas, acenderá luz
No nevoeiro do desalento, abrirá portas ao bom ânimo.
No inferno do ódio, multiplicará bênçãos de amor.
Na praça da maldade, dispensará o bem.
No palácio da justiça, colocar-se-á no lugar do réu,
 a fim de examinar os erros dos outros.
Em todos os ângulos do caminho,
encontraremos sugestões do Senhor,
desafiando-nos a servir.



Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Agenda Cristã.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
Edição de Bolso. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.

Aparências

Não acuse o irmão que parece mais abastado.
Talvez seja simples escravo de compromissos.
Não condene o companheiro guindado à autoridade.
É provável seja ele mero devedor da multidão.
Não inveje aquele que administra, enquanto você obedece.
Muitas vezes, é um torturado.
Não menospreze o colega conduzido a maior destaque.
 A responsabilidade que lhe pesa nos ombros pode ser um tormento incessante.
Não censure a mulher que se apresenta suntuosamente.
O luxo, provavelmente, lhe constitui amarga provação.
Não critique as pessoas gentis que parecem insinceras, à primeira vista.
Possivelmente, estarão evitando enormes crimes ou grandes desânimos.
Não se agaste com o amigo mal-humorado.
Você não lhe conhece todas as dificuldades íntimas.
Não se aborreça com a pessoa de conversação ainda fútil.
Você também era assim quando lhe faltava experiência.
Não murmure contra os jovens menos responsáveis.
Ajude-os, quanto estiver ao seu alcance, recordando que você já foi leviano para muita gente.
Não seja intolerante em situação alguma.
O relógio bate, incessante, e você será surpreendido por inúmeros problemas difíceis em seu caminho e no caminho daqueles que você ama.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Agenda Cristã.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
Edição de Bolso. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.

Ajude Sempre

Diante da noite, não acuse as trevas.
Aprenda a fazer lume.
Em vão condenará você o pântano.
Ajude-o a purificar-se.
No caminho pedregoso, não atire calhaus nos outros.
Transforme os calhaus em obras úteis.
Não amaldiçoe o vozerio alheio.
Ensine alguma lição proveitosa, com o silêncio.
Não adote a incerteza, perante as situações difíceis.
Enfrente-as com a consciência limpa.
Debalde censurará você o espinheiro.
Remova-o com bondade.
Não critique o terreno sáfaro.
 Ao invés disso, dê-lhe adubo.
Não pronuncie más palavras contra o deserto.
Auxilie a cavar um poço sob a areia escaldante.
Não é vantagem desaprovar onde todos desaprovaram.
Ampare o seu irmão com a boa palavra.
É sempre fácil observar o mal e identificá-lo.
Entretanto, o que o Cristo espera de nós outros é a descoberta e o cultivo do bem para que o Divino Amor seja glorificado.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Agenda Cristã.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
Edição de Bolso. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.
Josephine Wall

Nos Momentos Graves




Use calma.

A vida pode ser um bom estado de luta, mas o estado de guerra nunca será uma vida boa.
Não delibere apressadamente.
As circunstâncias, filhas dos Desígnios Superiores, modificam-nos a experiência, de minuto a minuto.
Evite lágrimas inoportunas.
O pranto pode complicar os enigmas ao invés de resolvê-los.
Se você errou desastradamente, não se precipite no desespero.
O reerguimento é a melhor medida para aquele que cai.
Tenha paciência.
 Se você não chega a dominar-se, debalde buscará o entendimento de quem não o compreende ainda.
Se a questão é excessivamente complexa, espere mais um dia ou mais uma semana, a fim de solucioná-la.
O tempo não passa em vão.
A pretexto de defender alguém, não penetre o círculo barulhento.
Há Pessoas que fazem muito ruído por simples questão de gosto.
Seja comedido nas resoluções e atitudes.
 Nos instantes graves, nossa realidade espiritual é mais visível.
Em qualquer apreciação, alusiva a segundas e terceiras pessoas, tenha cuidado. Em outras ocasiões, outras pessoas serão chamadas a fim de se referirem a você.
Em hora alguma proclame seus méritos individuais, porque qualquer qualidade excelente é muito problemátia no quadro de nossas aquisições.
Lembre-se de que a virtude não é uma voz que fala, e, sim, um poder que irradia.

Francisco Cândido Xavier
Da obra: Agenda Cristã.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
Edição de Bolso. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.
Imagem: Takaki

A Necessidade de Aprovação e Reconhecimento



Querido Osho, Por que sinto necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido, especialmente em meu trabalho? Isso me coloca numa armadilha – eu não consigo fazer as coisas sem isso.
Eu sei que estou nessa armadilha, mas eu fui pego nela e não vejo como sair.
Você poderia me ajudar a encontrar a porta?
“A questão é do Kendra".
É preciso lembrar que a necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido é uma questão que diz respeito a todo mundo. A estrutura de toda a nossa vida é essa que nos foi ensinada: a menos que exista um reconhecimento, nós somos ninguém, nós não temos valor.
O trabalho não é o importante, mas sim o reconhecimento.
E isso coloca as coisas de cabeça para baixo.
O trabalho deveria ser o importante – uma alegria em si mesmo. Você deveria trabalhar, não para ser reconhecido, mas porque você curte ser criativo, você ama o trabalho em si mesmo.
Existiram poucas pessoas como Vincent Van Gogh, capazes de escapar da armadilha que a sociedade lhes impingiu. Ele continuou pintando – com fome, sem casa, sem agasalhos, sem remédios, doente – mas ele continuou pintando.
Nem uma pintura sequer estava sendo vendida, não havia reconhecimento de parte alguma, mas o estranho era que em tais condições ele ainda era feliz – feliz porque era capaz de pintar o que queria pintar. Reconhecido ou não, o seu trabalho era intrinsecamente valioso.
Aos trinta e três anos ele cometeu suicídio – não por causa de alguma miséria ou angústia, mas simplesmente porque ele havia pintado o seu último quadro, um pôr-do-sol, no qual havia trabalhado por quase um ano. Ele tentou dezenas de vezes e destruiu, porque não havia atingido aquele seu padrão. Finalmente ele conseguiu pintar o pôr-do-sol da maneira como desejava.
Ele cometeu suicídio escrevendo uma carta para seu irmão, ‘Eu não estou cometendo suicídio por desespero. Eu estou cometendo suicídio por não mais existir qualquer motivo para continuar vivendo – o meu trabalho está concluído.
Além disso, tem sido difícil encontrar alternativas para meu sustento.
Até aqui as coisas estavam indo bem, porque eu tinha algum trabalho para fazer, algum potencial dentro de mim precisava se exteriorizar, tinha que florescer. De modo que agora, não há sentido em viver como um mendigo.
Eu ainda não tinha pensado e nem mesmo tinha olhado para isso, mas agora essa é a única coisa a ser feita. Eu floresci até o meu limite máximo, eu estou realizado, e agora parece ser apenas uma estupidez ficar me arrastando, procurando alternativas de sustento. Por que razão? Para mim isso não é um suicídio; eu apenas cheguei a uma realização, a um ponto final e alegremente estou deixando o mundo.
Alegremente eu vivi e alegremente estou deixando o mundo.’Agora, após quase um século, cada uma de suas pinturas vale milhões de dólares.
Existem apenas duzentas pinturas disponíveis. Ele deve ter pintado milhares, mas elas foram destruídas; e ninguém prestou atenção nelas.
Agora, ter um quadro de Van Gogh significa que você tem um senso estético.
O quadro dele traz um reconhecimento para você. O mundo não deu qualquer reconhecimento ao trabalho dele, mas ele nunca se preocupou com isso.
E esta deve ser a maneira de ver as coisas: você deve trabalhar se amar aquele trabalho.Não peça reconhecimento.Se ele vier, aceite-o tranqüilamente; se ele não vier não pense a respeito.A sua realização deve estar no próprio trabalho.
E se todos aprendessem esta simples arte de amar o seu trabalho, seja qual ele for, curtindo-o sem pedir por qualquer reconhecimento, nós teríamos um mundo mais belo e mais celebrante. Do jeito que o mundo é, vocês têm estado presos num padrão miserável.
O que você faz é bom, não porque você ama fazê-lo, não porque você o faz perfeitamente, mas porque o mundo o reconhece, lhe dá uma premiação, lhe dá medalhas de ouro, prêmios Nobel.Eles têm tirado todo o valor intrínseco da criatividade e destruído milhões de pessoas – pois você não pode dar prêmios Nobel a milhões de pessoas.
E têm criado o desejo por reconhecimento em todo mundo, de modo que ninguém consegue trabalhar em paz, curtindo qualquer coisa que esteja fazendo. E a vida consiste em pequenas coisas. Para as pequenas coisas não existem premiações, nenhum título concedido pelos governos, nenhuma graduação honorária dada pelas universidades.
Um dos grandes poetas do século XX, Rabindranath Tagore, viveu em Bengala, Índia. Ele publicou suas poesias e seus romances em bengali – mas não recebeu qualquer reconhecimento. Então ele traduziu um pequeno livro, GITANJALI, Oferta de Canções, para o inglês.
E ele estava consciente de que o original tinha uma beleza que a tradução não tinha e não conseguiria ter – porque essas duas línguas, o bengali e o inglês têm estruturas diferentes, maneiras diferentes de expressar.
O bengali é muito doce. Mesmo se estiver brigando, vai parecer que você está envolvido numa conversação agradável. É uma linguagem muito musical, cada palavra é musical. Essa qualidade não existe no inglês, não pode ser trazida para ele.
O inglês tem qualidades diferentes. Mas de alguma maneira ele conseguiu traduzir e a tradução – que é pobre comparada com o original – recebeu o prêmio Nobel.
Então, de repente, toda a Índia ficou sabendo. O livro esteve disponível em bengali e em outros idiomas indianos por anos, e ninguém prestava atenção nele.
Todas as universidades quiseram lhe dar um título de Doutor. Calcutá, onde ele vivia, foi a primeira universidade a lhe conceder o título de Doctor of Letters.
Ele recusou, dizendo, ‘Vocês não estão dando uma graduação a mim nem estão reconhecendo o meu trabalho, vocês estão dando reconhecimento ao prêmio Nobel, porque o livro esteve aqui de uma forma muito mais bela e ninguém se preocupou em escrever ao menos uma crítica’. Ele recusou-se a receber qualquer doutorado honorário.
Ele dizia, ‘Isso é um insulto para mim’.Jean-Paul Sartre, um dos grandes romancistas e homem de tremendo insight sobre a psicologia humana, recusou o prêmio Nobel. Ele disse, ‘Eu recebi recompensa suficiente enquanto estava criando o meu trabalho.
Um prêmio Nobel não consegue acrescentar coisa alguma a isso – ao contrário, ele me joga para baixo. Ele é bom para amadores que estão em busca de reconhecimento, eu já sou bastante velho, eu já desfrutei o suficiente.
Eu amei tudo o que fiz. Essa foi a minha própria recompensa, eu não quero qualquer outra recompensa, porque nada pode ser melhor do que aquilo que eu já recebi.’
E ele estava certo. Mas as pessoas certas são poucas no mundo. O mundo está cheio de pessoas vivendo dentro das armadilhas.
Por que você deve se preocupar com reconhecimento?
Preocupação com reconhecimento somente faz sentido se você não ama o seu trabalho, nesse caso ele não tem significado, então o reconhecimento parece ser um substituto. Você detesta o trabalho, não gosta dele, mas você o faz porque será reconhecido, será apreciado e aceito.
Ao invés de pensar no reconhecimento, reconsidere o seu trabalho. Você gosta dele? – então ponto final. Se você não gosta, então, troque-o!
Os pais e os professores estão sempre reforçando que você deve ser reconhecido, que deve ser aceito. Esta é uma estratégia muito esperta para manter as pessoas sob controle.
Quando eu cursava a universidade, me disseram repetidas vezes, ‘Você deve parar de fazer essas coisas… Você continua formulando perguntas que sabe perfeitamente bem que não podem ser respondidas e que colocam o professor numa situação embaraçosa. Você tem que parar com isso, caso contrário essas pessoas irão se vingar.
Elas têm o poder e poderão reprová-lo.’ Eu dizia, ‘Não me preocupo com isso.
Neste momento eu estou curtindo formular perguntas e fazê-los sentirem-se ignorantes.
Eles não são corajosos o bastante para simplesmente dizer, ‘Eu não sei.’
Desse modo, não haveria qualquer embaraço. Mas eles querem fingir que sabem tudo. Eu estou curtindo isso; a minha inteligência está sendo aguçada.
Quem se preocupa com exames? Eles poderão me reprovar apenas quando eu aparecer nos exames – e quem vai aparecer?
Se eles estiverem com essa idéia de que podem me reprovar, eu não entrarei nos exames, e repetirei a mesma série.
Eles terão que me aprovar pelo simples medo de ter que me encarar por mais um ano novamente.’Todos eles me aprovaram e me ajudaram a passar porque queriam ficar livres de mim. Aos olhos deles, eu estava destruindo os outros estudantes, porque eles começaram a questionar coisas que, por séculos, eram aceitas sem questionamentos.
Quando eu estava ensinando na universidade, a mesma coisa aconteceu, sob um ângulo diferente. Agora eu estava formulando perguntas aos estudantes para trazer a atenção deles ao fato de que todo o conhecimento que eles tinham acumulado era emprestado e que eles nada sabiam. Eu lhes dizia que não me importava com a graduação deles, eu me importava com a experiência autêntica deles – e eles não tinham nenhuma.
Eles estavam simplesmente repetindo os livros, que estavam desatualizados, que já tinha sido provado que estavam errados há muito tempo.
Agora as autoridades da universidade estavam ameaçando-me, ‘Se você continuar por esse caminho, atormentando os alunos, você será colocado para fora da universidade.
’Eu disse, ‘Isso é estranho – eu era um estudante e não podia formular perguntas aos professores; agora eu sou um professor e não posso formular perguntas aos estudantes!
Então, qual função esta universidade está preenchendo?
Este deve ser um lugar onde as perguntas são formuladas, onde os questionamentos começam. As respostas devem ser encontradas na vida e na existência, não nos livros.
Eu disse, ‘Vocês podem me colocar para fora da universidade, mas lembrem-se, estes mesmos estudantes, em nome de quem vocês estão me colocando para fora, irão reduzir a cinzas toda a universidade. Eu disse ao vice-reitor, ‘Você deve vir e ver a minha sala’.Ele não conseguiu acreditar – na minha sala havia pelo menos duzentos estudantes…
E não havia espaço, de modo que eles sentavam em qualquer lugar que encontrassem – nas janelas, no chão. Ele disse, ‘O que está acontecendo, pois tem apenas dez alunos matriculados na sua matéria? ’Eu disse, ‘Essas pessoas vêm para ouvir.
Elas abandonam as suas aulas e adoram estar aqui.
Esta aula é um diálogo. Eu não sou superior a eles e eu não posso recusar ninguém que queira vir à minha aula.
Se ele é meu aluno ou não, não importa, se ele vem me ouvir, então é meu aluno.
Na verdade, você deveria me permitir utilizar o auditório. Estas salas de aula são muito pequenas para mim.’Ele disse, “Auditório?
Você quer dizer, toda a universidade reunida no auditório?
O que, então, os outros professores estarão fazendo?
’Eu disse, ‘Isso é bom para eles pensarem a respeito. Eles deveriam ir embora e se enforcar! Eles deveriam ter feito isso há muito tempo. Ao ver que seus alunos não estavam indo assistir suas aulas, isso já era uma indicação suficiente.’Os professores ficaram com raiva e as autoridades também. Finalmente eles tiveram que me ceder o auditório, mas com muita relutância, porque os alunos ficaram pressionando.
Mas eles disseram, ‘Isto é estranho, alunos que nada têm a ver com filosofia, religião ou psicologia, por que eles devem estar indo lá?
’Muitos alunos disseram ao vice-reitor, ‘Nós gostamos disso. Não sabíamos que filosofia, religião e psicologia poderiam ser tão interessantes, tão intrigantes, senão já teríamos nos inscrito nelas. Nós pensávamos que essas matérias eram secas e que somente um tipo de pessoas muito ligado a livros se inscreveria nelas.
Nós nunca tínhamos visto pessoas com muita energia se inscrevendo nessas matérias.
Mas esse homem fez com que essas matérias ficassem tão significantes que parece que mesmo se formos reprovados em nossas próprias matérias, isso não vai importar.
O que nós estamos fazendo está tão correto e está tão claro para nós, que nem pensamos em mudar isso.’Contra o reconhecimento, contra a aceitação, contra as graduações…
Mas, finalmente, eu tive que deixar a universidade, não por causa de suas ameaças, mas porque eu reconheci que aquilo era um desperdício, pois milhares de estudantes poderiam ser ajudados por mim. Eu poderia ajudar milhões de pessoas do lado de fora, no mundo.
Por que eu deveria permanecer apegado a uma pequena universidade?
O mundo inteiro poderia ser a minha universidade.
E você pode ver.
Eu fui condenado.
Esse foi o único reconhecimento que eu recebi.
Eu fui descrito de maneira totalmente incorreta.
Tudo o que pode ser dito contra uma pessoa, foi dito contra mim; tudo o que pode ser feito contra um homem foi feito contra mim. Você acha que isso é reconhecimento?
Mas eu amo o meu trabalho. Eu o amo tanto que nem mesmo o chamo de trabalho; eu simplesmente o chamo de minha alegria.
E todas as pessoas mais velhas, bem reconhecidas, me diziam, ‘O que você está fazendo não irá lhe trazer qualquer respeitabilidade no mundo.’Mas eu dizia, ‘Eu nunca pedi por isso e não vejo o que poderei fazer com a respeitabilidade. Eu não posso comê-la nem bebê-la.’Aprenda uma coisa básica. Faça o que você quer fazer, o que ama fazer, e nunca peça por reconhecimento. Isso é mendicância. Por que alguém deve pedir por reconhecimento?
Por que alguém deve ansiar por aceitação?
Olhe no fundo de si mesmo. Talvez você não goste do que está fazendo, talvez você tenha medo de encarar que está no caminho errado. A aceitação irá ajudá-lo a achar que está certo. O reconhecimento irá fazê-lo achar que está indo para o objetivo correto.
A questão diz respeito aos seus próprios sentimentos internos, ela nada tem a ver com o mundo externo. Por que depender dos outros?
Todas essas coisas dependem dos outros – você está se tornando dependente.
Eu não aceitarei qualquer prêmio Nobel. Toda essa condenação de todas as nações ao redor do mundo, de todas as religiões, é mais valiosa para mim.
Aceitar o prêmio Nobel significa que eu estou me tornando dependente – agora eu não estarei mais satisfeito comigo mesmo, mas sim com o prêmio Nobel.
Neste exato momento eu só posso estar satisfeito comigo mesmo, nada mais existe com que eu possa me satisfazer.Dessa maneira você se torna um indivíduo.
Para ser um indivíduo, viva em total liberdade, apoiado em seus próprios pés, beba a sua própria fonte. Isso é o que torna um homem verdadeiramente centrado, enraizado.
Este é o início do seu florescimento supremo.Essas pessoas tidas como reconhecidas, honradas, estão cheias de lixo e de nada mais.
Mas elas estão cheias do lixo que a sociedade quer que elas estejam repletas – e a sociedade as compensa lhes dando premiações.Qualquer homem, que tem algum senso de sua individualidade, vive pelo seu próprio amor, pelo seu próprio trabalho, sem se preocupar com o que os outros pensam a respeito.
Quanto mais valioso for o seu trabalho, menor será a chance de obter alguma respeitabilidade para com ele. E se o seu trabalho for o trabalho de um gênio, então você não verá nenhum respeito enquanto viver. Você será condenado enquanto viver…
Depois de dois ou três séculos, erguerão estátuas para você, os seus livros serão respeitados – porque demora quase dois ou três séculos para a humanidade compreender o tamanho da inteligência que um gênio tem hoje.
O espaço de tempo é grande.
Sendo respeitado por idiotas, você terá que se comportar de acordo com suas maneiras e expectativas.
Para ser respeitado por essa humanidade doente, você terá que ser mais doente que ela.
Então eles irão respeitá-lo. Mas, o que você irá ganhar?
Você perderá a sua alma e nada ganhará.“


Osho

O Joio no Meio de Trigo

Todo Homem tem o direito de Realizar até o fim o seu ciclo Evolutivo.

Como outras parábolas, esta é também paradoxal, se focalizarmos apenas o seu símbolo material.
Imagine um fazendeiro que semeasse trigo ou outra semente qualquer em seu campo e proibisse os trabalhadores de arrancarem o mato, as ervas daninhas que aparecem no meio da plantação.
Mas como o principal não é o simbolizado material e sim o simbolizado espiritual, a proibição de arrancar o joio do meio do trigo contém uma filosofia cósmica de grande profundidade e sublimidade.

O campo é o mundo da humanidade.
O trigo são os bons.
O joio são os maus.
Tanto estes quanto aqueles são o que são, graças ao uso ou abuso do seu livre arbítrio.
Deus não fez nenhum homem moralmente bom ou mal.
Deus dá a cada um a possibilidade de ele se fazer bom ou mal.
Todo homem pode fazer-se melhor ou pior do que Deus o fez.
O homem sai das mãos de Deus neutro, apenas potencialmente bom ou mal. 
Um ser dotado de livre arbítrio não pode ser criado atualmente bom nem mal, o que seria a negação do livre arbítrio.
Esta neutralidade contém em si a semente ou potencialidade, para uma criatividade boa ou má. 
A brotação ou atualização dessa dupla potencialidade corre por conta do homem.
Onde há livre arbítrio não há automatismo compulsório.
No mundo infra hominal não existe essa bipolaridade potencial.
O mundo mineral, vegetal ou animal se acha em permanente e imutável automatismo. 
Nenhum ser infra hominal pode se tornar moralmente bom ou mal. 
O livre arbítrio põe o homem numa bifurcação positiva-negativa.
Ele é o maior privilégio do homem e também o seu maior perigo, porque entrega ao homem as chaves do céu e do inferno, da luz e das trevas, do ser-bom ou ser-mal.
Deus respeita incondicionalmente o livre arbítrio do homem. 
Ele não obriga ninguém a ser bom e não impede ninguém de ser mal.
Jesus não impediu que Judas Iscariotes fosse traidor e suicida e nem forçou Maria Madalena a se converter.
Pelo livre arbítrio possui o homem uma criatividade positiva ou negativa.
E é vontade de Deus que todo homem desenvolva até o fim este seu poder criador; que tenha plena e permanente liberdade de evolução rumo às alturas ou então rumo ao abismo.
Ora, se o próprio Deus não impede o homem em sua evolução positiva ou negativa e nem extermina nenhum mal por ser mal, como poderia o homem fazer o que Deus não faz?
Verdade é que o próprio homem pode auto-exterminar-se se não se tornar bom antes do termo final de seu ciclo evolutivo; mas esse extermínio não deve vir de fora dele.
Tamanha é a insipiência de certos homens que tentam arrancar o joio do meio do trigo para que morram todos os maus e sobrevivam tão somente os bons que se tornam bons matadores.
Segundo essa filosofia, devia a terra ser habitáculo exclusivo dos bons matadores, livre e limpo dos maus matados...
Se é grande a boa vontade desses "bons", nula é a sua sabedoria.
O Evangelho do Cristo é a apoteose da suprema sabedoria cósmica: quer um Ser bom por espontânea liberdade e não um Ser bom por compulsória necessidade. 
O homem deve ser intrinsicamente bom em virtude de um querer próprio e não apenas extrinsicamente bom em virtude de um querer alheio.
O Ser bom deve ser fruto de um voluntário querer e não de um compulsório dever.
O homem deve ter todas as possibilidades para ser mal e apesar disso ser bom, livre, liberrimamente bom.
Mas então dirá alguém: neste caso, o mal tem os mesmos direitos que o bom e se há igualdade de direitos, que vantagem há de ser bom? Não equivale isto a matar todo o estímulo para ser bom? Não é isto a morte de toda a pedagogia e educação espiritual?Essa falsa filosofia através dos séculos e milênios tem tentado exteminar os maus e fazer sobreviver somente os bons; Cruzadas, Inquisições, guerras de religião, ódios sectários, violências de toda espécie margeiam o caminho do nosso cristianismo a mais de 2000 anos, isento da verdadeira sabedoria do Cristo.
Não é verdade que o destino dos bons e dos maus seja o mesmo, embora todos tenham os mesmos direitos de realizar livremente o seu destino.
O destino de uns e outros e diametralmente oposto: vida eterna ou morte eterna; integração na Lei Divina ou desintegração; realização ou desrealização.
Os bons se auto realizam, os maus se auto desrealizam. 
Ninguém tem o direito de impedir que alguém se realize pelo bem ou se desrealize pelo mal.
Mas perguntará alguém: para que serve então a nossa pedagogia? 
Se eu não posso fazer o bem a ninguém para que então esse desperdício de esforços educativos e moralizadores?
Verdade é que ninguém pode obrigar alguém a ser bom, mas o educador pode facilitar a seu educando tornar-se bom.
O educador não pode causar o ser bom para seu educando, mas pode condicioná-lo a ser bom, pode mostrar-lhe o caminho, pode remover obstáculos que atravancam o caminho e assim facilitar a passagem a seu educando, mas nunca terá a certeza de que seus esforços converteram o educando. 
Pode o melhor dos educadores ter zero resultado com seu educando, assim como Jesus teve zero resultado com Judas.Perante o livre arbítrio alheio, tudo é possível, nada é impossível e nada é previsível. 
O livre arbítrio não é uma cadeia de elos onde o elo precedente obrigue o elo subseqüente a mover-se. Ele é um elo isolado e autônomo, independente de qualquer causador externo.
A única coisa certa que o educador pode e deve fazer é auto educar a sua própria substância a tal ponto que nenhuma circunstância alheia o torne vaidoso, quando o resultado for positivo ou frustrado quando for negativo.
Se um educador auto educado atingir essa libertação total de si mesmo, essa total desescravização de toda e qualquer vaidade complacente em face dos sucessos externos e essa total serenidade em face dos insucessos, então Ele é um poderoso fator para criar auras propícias que facilitem outros homens a serem bons. Um homem assim, pleniliberto de qualquer tirania do ego, não derrotado pela vaidade do sucesso, nem pela tristeza do insucesso, esse homem é um gigantesco acumulador de energia espiritual, quer saiba ou não.
E como nenhuma energia se perde e todas as energias se transformam, essas energias espirituais por ele acumuladas se transformam e se irradiam beneficamente e podem ser captadas por outros seres livres, conhecidos, desconhecidos, próximos ou distantes, presentes ou futuros, no planeta Terra ou em longínqua galáxia cósmica e então esse homem é um benfeitor dahumanidade telúrica ou de outras humanidades.
Ele atua por indução, como diríamos em física, atua por transferência de energias invisíveis.Nesse sentido dizia Mahatma Gandhi: "Quando um único homem atingir a plenitude do amor, neutraliza o ódio de muitos milhões".E Ramana Maharishi dizia: 
"O único modo de fazer bem aos outros é ser bom". A parábola não diz que Deus extermina o joio, os maus, mas estes se exterminam a si mesmos pela não integração na Lei Cósmica.
Onde impera a onipotência do livre arbítrio é possível tanto a integração do indivíduo no Universal como também a sua desintegração, que no Evangelho se chama "morte eterna". 
É um dos mais funestos erros tradicionais da nossa teologia afirmar que a alma humana é imortal quando ela é apenas imortalizável.Nenhuma criatura é imortal. 
Imortal É somente o Criador.
As criaturas são mortais ou imortalizáveis, enquanto passarem pelo nascer, viver, morrer e renascer, eis o ciclo da Lei.
Os que ainda pensam em termos de um Deus pessoal, individual, não se conformarão com estas verdades. Mas o Evangelho do Cristo como também as grandes filosofias da humanidade sabem que Deus não é uma entidade individual.Deus é a Lei Cósmica Universal.
Os que voluntariamente se integram nessa lei se imortalizam; os que voluntariamente não se integram nela se desintegram ou se auto-exterminam.

Fonte: Sabedoria das Parábolas
Huberto Rohden 
Imagem: Claudio Gianfardoni

Erre Auxiliando

Auxilie a todos para o bem.
Auxilie sem condições.
Ainda mesmo por despeito, auxilie sem descansar, na certeza de que, assim, muitas vezes, poderá você conquistar a cooperação dos próprios adversários.
Ainda mesmo por inveja, auxilie infatigavelmente, porque, desse modo, acabará você assimilando as qualidades nobres daqueles que respiram em Plano Superior.
Ainda mesmo por desfastio, auxilie espontaneamente aos que lhe cruzam a estrada, porque, dessa forma, livrar-se-á você dos pesadelos da hora inútil, surpreendendo, por fim, a bênção do trabalho e o templo da alegria.
Ainda mesmo por ostentação, auxilie a quem passa sob o jugo da necessidade e da dor, porque, nessa diretriz, atingirá você o grande entendimento, descobrindo as riquezas ocultas do amor e da humildade.
Ainda mesmo sob a pressão de grande constrangimento, auxilie sem repouso, porque, na tarefa do auxílio, receberá a colaboração natural dos outros, capaz de solver-lhe os problemas e extinguir-lhe as inibicões.
Ainda mesmo sob o império da aversão, auxilie sempre, porque o serviço ao próximo dissolver-lhe-á todas as sombras, na generosa luz da compreensão e da simpatia.
Erre auxiliando.
Ainda mesmo nos espinheiros da mágoa ou da ilusão, auxilie sem reclamar o auxílio de outrem, servindo sem amargura e sem paga, porque os erros, filhos do sincero desejo de auxiliar, são também caminhos abençoados que, embora obscuros e pedregosos, nos conduzem o espírito às alegrias do Eterno Bem.


Francisco Cândido Xavier
Da obra: Apostilas da Vida.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
5a edição. Araras, SP: IDE, 1993.

Canto dos Espíritos sobre as Águas


 A Alma do homem
É como a água:
Do céu vem,
Ao céu sobe,
E de novo tem
Que descer à terra,
Em mudança eterna.
Corre do alto
Rochedo a pino
O veio puro,
Então em belo
Pó de ondas de névoa
Desce à rocha lisa,
E acolhido de manso
Vai, tudo velando,
Em baixo murmúrio,
Lá para as profundas.
Erguem-se penhascos
De encontro à queda,
Vai, 'spumando em raiva,
Degrau em degrau
Para o abismo.
No leito baixo
Desliza ao longo do vale relvado,
E no lago manso
Pascem seu rosto
Os astros todos.
Vento é da vaga
O belo amante;
Vento mistura do fundo ao cimo
Ondas 'spumantes.
Alma do Homem,
És bem como a água!
Destino do homem,
És bem como o vento!

Johann Wolfgang Von Goethe
(Tradução de Paulo Quintela)

domingo, 28 de novembro de 2010

Chão de Rosas

O mundo em que vives assemelha-se a um chão de Rosas, a receber todo o carinho de Jesus e o amor de Deus.
Devemos interromper, de vez em quando, as nossas cogitações comuns, e meditar sobre as oportunidades valiosas que recebemos, como prêmio da vida, ao ingressarmos nos fluidos da carne.
Tudo para nós é ação benfeitora. Tudo que nos cerca são bênçãos do Criador a nos despertar para mais vida.Começa no mundo espiritual, o carinho com que os benfeitores nos gratificam, ao nos anunciarem a nossa volta.
E, quando queremos e aceitamos essa viagem de aprendizado, somente encontramos afabilidade, atenção e amparo, no arrumo das nossas bagagens.Todas as estradas são floridas, mesmo que os nossos olhos a vejam em formas de espinhos. Na profundidade, são flores que educam e instruem. É por isso que chamamos o ingresso na carne Chão de Rosas.
Pessoalmente, passamos por situações dolorosas quando na Terra, animando um corpo. Mas, depois, compreendemos que as trilhas pelas quais andamos foram as mais produtivas para a nossa experiência terrena, por tirar delas as mais ricas lições de amor e de vida, para com o coração torturado. Hoje, colhemos os frutos do que pudemos fazer em favor dos desesperados, face às lutas.
Dentro de nós nada falta. Existem todos os recursos apreciáveis, de modo a ajudar-nos, com eficiência, em todas as dificuldades que surgirem em nossos caminhos. Estamos, pois, preparados para a luta, e o dever é lutar contra as nossas imperfeições, transformando-as em atividades do Bem, que vibra, sempre, na consciência, e se nos faz visível em toda parte da vida.
Onde estiveres, meu irmão, encontrar-te-ás num Chão de Rosas, desfrutando do perfume do Amor, fragrância que reacende os corações carentes. Compartilha da caravana da fraternidade, cujo ambiente é o universo. Sê cidadão do mundo sem limites.Vamos materializar o Bem, em todos os ângulos da existência, e fazer com que o Amor não perca a luminosa estrada dos nossos corações, onde deve nascer o Cristo de Deus a nos mostrar a felicidade.Tornamos a afirmar que a Terra é, pois, um Chão de Rosas, com as bênçãos de Deus a se mostrarem nas mínimas coisas: desde o pingo d'água, até os oceanos, dos elementos periódicos, aos mundos que circulam na criação do Grande Soberano, dos primeiros movimentos das células isoladas, à maravilhosa harmonia do corpo humano, a manifestar a inteligência racional e iluminada de Evangelho.
Se quiseres, poderás sentir e ver tudo florido, por onde andas, a convidar-te para o banquete celestial, pelas palavras inarticuladas dos ventos, das águas, das árvores, dos pássaros, das estrelas, de tudo que puderes observar, desde que tenhas carinho em teus gestos e amor no coração.
Não percas a oportunidade, tu que estás animando um corpo.
Abraça esse Chão de Rosas, como sendo oferta do progresso, e serás abençoado pelos frutos que deverás colher, assinalando a tua vida na correspondência da sementeira que lançaste no seio do solo.Que Deus e Jesus nos abençoem a todos, onde estivermos, dando início, se ainda não começamos, à prática do Bem, pelo Amor, e da Caridade, por Dever.

Do livro "Chão de Rosas"
Escrito pelo médium João Nunes Maia 
Espírito Scheilla